Polícia Federal prende incitadores de ódio na internet

Publicado Atualizado 19/01/2013 - 22h18

Divulgação/PF
Marcelo e Emerson, presos. Confira a galeria com os crimes cometidos pela dupla na internet.

PDois homens foram presos ontem, em Curitiba, apontados como responsáveis por um site da internet com conteúdo altamente racista e discriminatório, com ameaças de mortes a políticos, inclusive a presidente da República. Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello são acusados de planejar uma ação armada contra estudantes da Universidade de Brasília (UnB). De acordo com a Polícia Federal, que realizou as prisões durante a “Operação Intolerância”, o objetivo deles era realizar uma fuzilaria no setor de Ciências Sociais da UnB.

Além disso, a polícia afirmou que Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre de Realengo, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 12 estudantes, em 7 de abril de 2011, fez contato com os responsáveis pelo site, para que o ajudassem a maquinar o plano assassino.

O conteúdo na internet alimentado por Emerson e Marcelo pregava a violência contra homossexuais, mulheres, negros, nordestinos e judeus, e incitava o extermínio destes grupos. No site, a dupla colocava ofensas contra a presidente da República, Dilma Rousseff, e outras autoridades de alto escalão, e chegou a ameaçar de morte o deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ). Também há postagens sobre como matar uma pessoa, de maneira lenta ou rápida, e como abordar crianças para um posterior abuso sexual. Havia ainda citações de que lésbicas deveriam sofrer um “estupro corretivo”.

Investigações


Os policiais federais cumpriram três mandados de busca e apreensão, sendo dois no Paraná e um em Brasília. As investigações começaram em dezembro, após mais de 70 mil denúncias sobre o conteúdo ofensivo do site. “Eles não pregavam apenas a discriminação, que por si só já é grave. Eles pregavam extermínios em massa de negros, homossexuais, mulheres. As imagens no site são bastante fortes. Há inclusive um manual de aliciamento de crianças. Tudo causa uma repugnância social. Em dez anos de atuação nesta área, é um dos casos mais graves que eu vi”, afirmou o delegado Flúvio Cardinelle Oliveira Garcia, chefe do Núcleo de Repressão a Crimes Cibernéticos da PF, no Paraná.

Segundo o delegado, há indicativos que as ofensas não ficavam apenas no mundo virtual. Há boletins de ocorrência contra os dois presos, por agressões e ameaças. Garcia contou que Marcelo foi condenado por discriminação pela internet, em 2005, no que seria o primeiro caso de punição por ofensas virtuais no Brasil. Marcelo tem R$ 500 mil na conta-corrente e a polícia tenta descobrir a origem do dinheiro. Eram solicitadas doações no site ofensivo.

Estudantes seriam alvo dos ataques

Além de mensagens ameaçadoras contra estudantes da UnB, outra evidência de que a dupla planejava um ataque é um mapa da casa de festas perto do campus, que estava em poder de um dos detidos. De acordo com o delegado Wagner Mesquita, há citações no site que uma ação contra alunos da universidade seria planejada e colocada em prática, semelhante ao massacre de Realengo. O alvo seria estudantes de cursos de Ciências Sociais, considerados pelos dois como “esquerdistas”. Marcelo é ex-estudante da UnB.

Os presos se diziam parte de uma seita que tentava captar pessoas com pensamentos semelhantes. Uma dessas pessoas seria Wellington Menezes de Oliveira, responsável pelo massacre em Realengo. Ele teria feito contato com os Emerson e Marcelo, para obter informações para o crime, porém ainda não há confirmação se houve a ligação entre os três.

O site estava hospedado na Malásia. “Eles acharam que desta forma não seriam identificados. Mais gente pode estar envolvida, inclusive colaborando para as mensagens”, revelou o delegado Flúvio Garcia. Os presos devem responder pelos crimes de incitação à prática de crimes, discriminação racial, divulgação de imagens pornográficas e infanto-juvenil. Eles foram presos preventivamente e não têm prazo para deixarem a carceragem.

Emerson mora em Curitiba e Marcelo tinha residência em Brasília, mas decidiu se mudar para a capital paranaense. Ele estava em um hotel, onde foi preso, e já tinha contrato da locação de um apartamento na cidade.

Site incentivava violência contra homossexuais

O integrante da mesa diretora do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp), Márcio Marins, confirmou que foram feitas diversas denúncias sobre as informações ofensivas do site para a Polícia Federal, Ministério da Justiça e Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência da República.

“Pessoas que acessaram o site e viram o conteúdo extremamente misógeno (aversão às mulheres) e homofóbico. E pediram que nós fizéssemos as denúncias também”, afirmou Marins, que no Conasp representa a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais.

“É um conteúdo totalmente destrutivo, preconceituoso e que incentiva crimes. São covardes”, opinou.

De acordo com Marins, há mais grupos atuando da mesma forma em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Ele cita que, a cada dois dias, um homossexual é assassinado, sendo que, na maioria das vezes, os autores são integrantes de grupos de intolerância.

Marins ressalta ainda que há demora na apuração de denúncias de casos de preconceito, ameaças e mortes.

 

Confira a galeria com os crimes cometidos pela dupla na internet.


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