Colonização do Paraná começou no século XVI

Rubens Chueire Jr. Publicação 19/12/2003 às 01:00:00 Atualizado 19/01/2013 às 20:42:47
Curitiba antiga: cidade cresceu como elo entre o litoral e o interior.

O Paraná iniciou no mês de agosto, com uma sessão solene na Assembléia Legislativa, a primeira de muitas comemorações que culminam no dia de hoje, relativas aos 150 anos de sua emancipação política. Em 29 de agosto de 1853, o imperador D. Pedro II sancionou a Lei de n.º 704, que elevou a Comarca de Curitiba, então parte integrante da Comarca de São Paulo, à categoria de província, com a denominação de Província do Paraná. Segundo consta em livros e publicações especializadas, as primeiras movimentações de colonizadores no Estado tiveram início no século XVI, quando diversas expedições estrangeiras percorreram a região à procura de madeira de lei. 

No século seguinte, portugueses e paulistas começaram a ocupar a região, a partir da descoberta de ouro e a procura de índios para o trabalho escravo. A mineração foi deixada em segundo plano pelos colonizadores, que se dirigiam em maior número para Minas Gerais. Até o século XVIII, existiam apenas duas vilas na região - Curitiba e Paranaguá - e, que eram pontos de parada dos garimpeiros e posteriormente dos viajantes que trabalhavam com gado, os chamados “tropeiros”.

De acordo com os livros, partindo do Rio Grande do Sul, os tropeiros faziam um longo percurso em direção a São Paulo e às demais regiões do país. A viagem era lenta e marcada por paradas nos pousos que acabaram transformando-se em prósperas cidades. A cada pouso, as cidades foram crescendo e se desenvolvendo com o passar dos anos.

A caminhada dos tropeiros era favorecida pela topografia e baixa vegetação do Estado, facilitando o deslocamento. Foi assim que surgiu grande parte das cidades do Paraná. Entre elas, Rio Negro, Campo do Tenente, Lapa, Porto Amazonas, Palmeira, Ponta Grossa, Castro, Piraí do Sul, Jaguariaíva e Sengés.

O tropeirismo foi um ciclo que aconteceu entre os séculos XVIII e XIX e que marcou profundamente a história, a tradição e os costumes do homem paranaense. Os costumes tropeiros afetaram diretamente na evolução do povo do Estado, no vocabulário, na culinária, entre outros.

Segundo a historiadora e professora da UFPR, Cecília Maria Westphalen, a época dos tropeiros marca uma característica dos paranaenses. “O desenvolvimento da população e, principalmente, das cidades, que eram pontos de descanso, se deve aos tropeiros.

A constante movimentação nessas localidades foi o ponto de partida para o crescimento e formação de grande parte dos municípios do Estado. Mais do que isso, antes da emancipação, a Comarca de Curitiba era ponto estratégico de parada para os tropeiros que vinham do Rio Grande do Sul em direção a São Paulo”, explica.

Outro fato de importância indiscutível e que aconteceu um ano após a criação da Província do Paraná foi o Poder Legislativo no Estado. A instalação da Assembléia Provincial foi realizada em 1854, um ano após a criação da província. “É um fato histórico para os paranaenses, que faz parte das raízes da política do Estado.

Um dia marcante foi o da primeira sessão realizada na Assembléia, dia 12 de julho de 1854, que se situava em uma casa, onde hoje  fica a Biblioteca Pública do Paraná”, diz a historiadora. No dia 15 de julho de 1854 aconteceu a sessão solene de instalação da primeira Assembléia Provincial do Paraná, estando presentes todos os 20 deputados, todos paranaenses de nascimento.

As comemorações do Sesquicentenário prosseguem até hoje, a data mais importante: o dia 19 de dezembro de 1853, em que a Província do Paraná foi instalada e empossado seu primeiro presidente, Zacarias de Góes e Vasconcelos. A partir deste momento, o Paraná prosperou e viveu vários ciclos econômicos, desde a mineração de ouro, no século XVII, passando pelo tropeirismo, a extração da madeira, a cultura da erva-mate e o café.

A partir dos anos 60 do século passado, seu território estava praticamente ocupado. Na virada do século o Paraná ostentava um grau de urbanização de 81,2% e assumia a posição de quinta economia do País, responsável por 22% da produção nacional de grãos, segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico  e Social (Ipardes).

A comissão que organiza as comemorações dos 150 anos de emancipação política do Paraná anuncia uma grande festa para hoje. A data marca o dia em que o primeiro presidente da província tomou posse no cargo, em 1853.

Segundo o deputado estadual Rafael Greca de Macedo, que é o presidente da comissão de organização das comemorações, a festa de hoje, em frente ao Palácio Iguaçu, será o ponto alto das festividades.

Comemorações dos 150 anos

Uma grande representação histórica, com cavalhada, desfile de tropeiros e cascata de fogos de artifício, e a realização do show dos paranaenses Chitãozinho e Xororó diante do Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, em Curitiba, abre hoje a partir das 19h30, as comemorações dos 150 anos do Paraná. “Este deve ser o melhor momento das comemorações da nossa emancipação, ocorrida em 1853”, afirmou o deputado estadual Rafael Greca de Macedo, presidente da comissão de organização das festividades.

O deputado preparou junto com dona Flora Munhoz, viúva do governador Bento Munhoz da Rocha Neto, e com a jornalista Margarita Sansone, a encenação histórica da formação do Paraná. Desde as imigrações, as festas do centenário em 1953, presidida por Getúlio Vargas, e da inauguração do Palácio Iguaçu, em 1954, presidida por João Café Filho.

“Nos dois grande momentos, dona Flora era a primeira dama do Paraná, testemunha viva da história ao lado do governador Bento Munhoz da Rocha Neto”, ressalta o deputado. No teatro chamado “Paraná, água grande da nossa história”, atores viverão Dona Flora e o governador Bento Munhoz.

No final da representação uma grande cascata, simbolizando as quedas de Foz do Iguaçu, cairá sobre o Palácio Iguaçu. Em duas das três noites, quando for tocado o Hino do Paraná, haverá distribuição de velas ao povo,os quais serão acesas durante a execução da canção.

Para o espetáculo, com 450 atores, bailarinas e figurantes, acompanhados pela Banda Sinfônica da Polícia Militar do Paraná e pelos corais Paraná e de cadetes do Guatupê, o deputado recrutou talentos locais. Participarão do evento tropeiros dos CTGs de todo o Estado e 90 ginetes do Regimento Coronel Dulcídio da Polícia Militar. Além disso será representada a chegada do conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcelos, primeiro governador. Após o teatro acontece o show musical, que terá 22 músicas.

As comemorações prosseguem amanhã com a realização de um Culto Evangélico, organizado pela Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil às 19h30. No domingo, as comemorações serão encerradas com uma missa celebrada pelos arcebispos e bispos católicos e o padre Marcelo Rossi, acompanhado de sua banda, também às 19h30.


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