Chegada de UPS não intimida assassinos na Vila Verde

Giselle Ulbrich e Marcelo Vellinho Publicação 28/07/2012 - 00h00 Atualizado 19/01/2013 - 22h21

Das quatro regiões da Cidade Industrial escolhidas para receber a Unidade Paraná Seguro (UPS), a Vila Verde é a única em que ainda não houve a instalação oficial. Se o processo tivesse sido acelerado, talvez o pintor Cássio Roberto Marino, 22 anos, estivesse vivo. Ele foi executado a tiros, na frente de casa, na Rua João Haupt, quando retornava do trabalho. O crime aconteceu próximo de onde ficará sediada a unidade, que deve ser instalada na quarta-feira.

Familiares contaram aos investigadores da Delegacia de Homicídios que, por volta das 18h, escutaram três tiros na frente da residência, onde Cássio morava com a tia e os primos. Quando os parentes olharam para fora, encontraram o jovem caído, ao lado do portão, com três ferimentos na cabeça. Porém, não viram nenhuma correria na rua.

Socorro

A tia e os primos colocaram a vítima no carro da família e seguiram para o Centro Municipal de Urgências Médicas (CMUM) da Vila Verde, porém Cássio chegou morto ao pronto-socorro. Os parentes não souberam dizer o motivo do crime. Eles contaram que o pintor não estava envolvido com drogas e não tinha inimizades. “Testemunhas disseram que ele era uma boa pessoa e veio de Santa Catarina há aproximadamente um mês”, contou o delegado Rubens Recalcatti, da Delegacia de Homicídios.

Desafio

A UPS da Vila Verde promete ser a mais desafiadora para a polícia, devido ao alto índice de criminalidade. Somente neste ano, já são 15 assassinatos na região, mais que em bairros considerados violentos, como Alto Boqueirão, Ganchinho, Parolin e Xaxim. “A violência é grande porque existem vários pontos de tráfico de drogas”, analisou o delegado Rubens Recalcatti, da Delegacia de Homicídios.

Em março, a polícia desmantelou uma quadrilha envolvida com vários crimes na vila. Entre os presos, estava Marichal de Mello Cesar, 25 anos, considerado um dos principais traficantes da área e citado em pelo menos 20 inquéritos de homicídio.

Controle

A prisão da quadrilha gerou uma onda de assassinatos na vila. Logo no dia seguinte, um duplo homicídio vitimou dois adolescentes e, de lá para cá, mais oito pessoas foram mortas. “Com a prisão do Marichal, começaram a surgir novos indivíduos na região para tomar o controle da venda de drogas, além daqueles ligados a Marichal que tentavam manter os pontos”, explicou Recalcatti.


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