Aumentam as mortes por arma de fogo no País

Mara Andrich Publicação 17/07/2010 - 00h55 Atualizado 19/01/2013 - 21h52

Mesmo com o Estatuto do Desarmamento, que começou a vigorar em 2003, os índices de homicídios cometidos com armas de fogo cresceram 12% em todo o País, de 1996 a 2008. É o que aponta um estudo divulgado ontem pela Confederação Nacional dos Municípios (CMN). Em Curitiba, por exemplo, a taxa de homicídios praticados com arma de fogo a cada 100 mil habitantes aumentou de 18,3, em 1999, para 47,3, em 2008.

No ranking da quantidade total de óbitos oriundos de armas de fogo, Curitiba ficou em 9.º lugar (83,2% das 770 mortes ocorridas naquele ano foram cometidas desta forma). Até mesmo a cidade de São Paulo ficou em posição melhor do que Curitiba, com 71,1% dos óbitos oriundos de armas de fogo (19.º lugar no ranking).

Em primeiro lugar ficou Salvador (BA), com 92,6% dos óbitos cometidos com armas de fogo; e em segundo vem Maceió (AL), com 92,1%.

Quando o índice é analisado por 100 mil habitantes, a colocação de Curitiba sobe para 7.º lugar (47,3 mortos por 100 mil habitantes), em 2008, ganhando tanto do Rio de Janeiro, que ficou em 9.º lugar (com a quantidade de 30,8 mortos por 100 mil habitantes) e São Paulo, que ficou na 21.ª colocação, com 10,6). Neste quesito, Maceió ficou em primeiro lugar, seguido pelo Recife (no Pernambuco).

Em relação aos estados, o Paraná ficou em 8.º lugar nos óbitos registrados por armas de fogo. Das 2.533 mortes ocorridas em 2008, 73,8% delas foram desta forma. Ao contrário do que ocorreu com Curitiba, a pesquisa apontou que o Rio de Janeiro, por exemplo, passou do Paraná, com 81,4% dos homicídios cometidos com armas. Em primeiro lugar ficou Alagoas, com 84,6%, e por último, Roraima, com 29,9%. Rio Grande do Sul ficou em 7.º lugar, e Santa Catarina, em 16.º.

Em uma análise regional, o Nordeste ficou em 1.º lugar no ranking (73,9%). A região Sul está em 3.º lugar, com 73,1%.

Alta densidade populacional foi um dos motivos apontado pelo estudo para o aumento dos homicídios cometidos com armas de fogo. Outro fenômeno detectado, mas agora em relação aos homicídios em geral, é a chamada “interiorização” da violência: em 1999, 69% das mortes violentas no País ocorreram nas regiões metropolitanas; em 2008 o índice caiu para 57%. Por outro lado, o estudo aponta que cresceu a utilização das armas de fogo nesses locais. “Os dados são alarmantes. O crescimento do tráfico ilegal e o fácil acesso às armas indicam a importância de qualificar e avançar nos debates sobre violência e segurança pública no Brasil”, comentou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

Fronteira

No Paraná, as cidades com mais casos de homicídios com armas foram Guaíra e Foz do Iguaçu, ambas com taxa média de 95% e 88,3% das mortes nessas circunstâncias. As duas cidades estão, inclusive, no topo da lista nacional, onde também aparece Campina Grande do Sul, na Grande Curitiba, com índice de 60,5%. “É mais um indício de que a conexão com redes internacionais de tráfico de armas e outras atividades ilegais podem facilitar a prática de homicídios”, avaliou Ziulkoski.


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