Triplo assassinato em São José dos Pinhais

Janaina Monteiro Publicação 30/06/2010 às 00:00:00 Atualizado 19/01/2013 às 21:51:50
Átila Alberti
Casal e a mãe de Teomar foram executados. Ninguém da vizinhança notou algo estranho na residência.

O casal de advogados Teomar Piaceski, 36 anos, e Lidiane Cristine Côrtes Muhlstedt Piaceski, 28, e a mãe de Teomar, Marli Salete Jacob Muller, 55, foram encontrados mortos, na manhã de ontem, com vários tiros, dentro de casa, no condomínio fechado Morada do Sol, na Rua Joana Percegona Zen, Borda do Campo, em São José dos Pinhais. O crime teria ocorrido entre as 20h e 21h de segunda-feira.

O delegado Osmar Dechiche, titular da DP de São José, esteve na cena do crime e afirmou que nenhuma hipótese está descartada, porém a principal linha de investigação é execução motivada por vingança.

Dechiche acredita que os autores tentaram despistar a polícia, já que alguns aparelhos da casa e armas não foram encontrados, sugerindo latrocínio. “Não temos informação de que eles estavam sendo ameaçados”, afirmou o delegado.

Segundo a polícia, pelo menos oito tiros foram disparados e atingiram as vítimas, principalmente, na cabeça, peito e mão. As armas usadas, conforme o delegado, foram de calibre 45.

Portões

Os corpos foram localizados pela diarista do casal Jaci Sirilo da Silva, 58. Ela contou que, por volta de 8h35 chegou à residência e encontrou os portões abertos. Porém, não se assustou, pois era costume deixarem as portas destrancadas.

“Chamei por ele (Teomar) e, quando olhei pela janela, pude ver a poça de sangue e ele caído morto no quarto”, contou a diarista. Em seguida, ela achou as mulheres, mortas de bruços, na cozinha. Jaci saiu gritando pela rua e foi acudida pelo vizinho, que chamou a polícia.

Policiais civis, peritos e papiloscopistas do Instituto de Identificação passaram a manhã a colher indícios que cheguem à autoria do crime. De acordo com o delegado Dechiche, dois quartos da casa estavam revirados. Do local, os assassinos teriam levado um televisor e um notebook.

Comentou-se que Teomar guardava um fuzil e uma pistola em casa, porém as armas não foram encontradas. Os controles de acesso ao condomínio estavam dentro dos veículos trancados. “Ainda não é possível afirmar se já chegaram atirando. A desarrumação do quarto não é típica de luta corporal. Houve muita crueldade”, comentou o delegado.

Notícia assusta vizinhos


O soldado Valério e o cabo Reginaldo, do 17.º Batalhão da Polícia Militar, foram os primeiros a chegar à residência do casal. Segundo os policiais, uma vizinha disse ter visto a Blazer do advogado entrar na garagem, por volta de 19h30. O Palio de Lidiane já estava lá.

Cerca de meia hora depois, ela escutou os estampidos, mas imaginou que fossem rojões, ainda em comemoração à vitória da seleção na Copa do Mundo. A moradora ainda relatou ter visto, em seguida, um carro com os faróis acesos, porém isso não levantou suas suspeitas. Apesar de os assassinos terem usado armas de grosso calibre, os cachorros da vizinhança não latiram, conforme relatou outra vizinha.

Guarita

Logo que souberam do crime, os moradores se assustaram por se tratar de uma região tranquila, de chácaras. Segundo a diarista Jaci, o porteiro do condomínio pediu demissão recentemente e, desde então, a guarita fica vazia. “Todos os condôminos têm controle remoto e a senha do portão”, contou. O local não é equipado com câmeras de segurança.

Carreiras atalhadas

www.flickr.com/photos/marciovalle e site OAB
Lidiane e Teomar tinham se casado em abril.

Teomar e Lidiane eram casados há dois meses. Ele atuava na área criminal e a esposa era advogada trabalhista e lutava muay thai. Marli trabalhou como agente de apoio de delegacia de Matinhos, foi exonerada em 2008 e reintegrada ao cargo, em fevereiro deste ano. Marli era separada e sempre costumava visitar o filho.

Lidiane, formada há pouco tempo, trabalhava no escritório do tio, Carlos Vanderlei Muhlstedt, no centro de São José dos Pinhais e, após o casamento, foi morar na casa de Teomar, que trabalhava em outro escritório, também no centro da cidade. Carlos contou que, devido ao jogo do Brasil, Lidiane, assim como seus colegas, foram liberados por volta de 14h.

OAB

O presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) de São José dos Pinhais, Dirceu Luiz Bertolin Precoma, lamentou a perda de dois amigos. “Estive na festa de despedida de solteiro dele. Sábado passado, almoçamos juntos. Não esperava este tipo de notícia. Ele era atuante na área criminal. Jamais ouvimos nenhuma representação contra Teomar”, disse.


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