Acidentes de trânsito aumentam em Curitiba

Cintia Végas Publicação 21/12/2008 - 00h00 Atualizado 19/01/2013 - 21h31
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Movimento é intenso no centro de Curitiba, e atenção dos motoristas é fundamental para evitar acidentes nas principais ruas. Imprudência de alguns pode deixar muitas vítimas ou causar prejuízos.

Nestes últimos dias que antecedem o Natal, o corre-corre em Curitiba tem sido grande. Em diversos locais da cidade, em diferentes horários, é possível encontrar um grande número de pessoas e veículos nas ruas, o que facilita a ocorrência de acidentes de trânsito. Em meio ao estresse e à empolgação de comprar presentes e produtos para as ceias de final de ano, assistir às várias apresentações natalinas em cartaz na cidade, cuidar dos últimos preparativos para as viagens de férias e resolver questões que ficaram pendentes nos últimos meses, as pessoas parecem ficar mais desatentas em relação à sinalização e mesmo esquecer regras básicas importantes para se transitar com segurança.

Nos quinze dias que antecedem 25 de dezembro até a virada do ano, o número de acidentes de trânsito registrados nas ruas da capital paranaense costuma aumentar consideravelmente. Segundo o soldado do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) de Curitiba, Gerson Teixeira, normalmente são notificados, em média, 30 acidentes por dia na cidade. Nesta época do ano, o número costuma variar entre 35 e 40. "O agito no trânsito costuma ser bem maior neste período", diz Gerson. "Desatentas e estressadas, as pessoas ficam mais sujeitas a serem vítimas de acidentes, desde pequenas ocorrências até situações bastante graves. Outro problema é que a maioria das pessoas costuma deixar tudo para a última hora e, assim, já saem de casa apressadas."

Os acidentes ocorrem com todos, sejam eles pedestres, motociclistas, ciclistas, condutores e passageiros de veículos. Para evitá-los, o BPTran recomenda cautela e atenção redobrada à movimentação, tanto durante o dia quanto no período da noite. "Antes de sair de casa, as pessoas já devem traçar o próprio itinerário, sempre procurando caminhos alternativos e ruas menos movimentadas. Também é importante sair de casa cedo, para que o percurso seja realizado sem pressa."

Nos últimos tempos, embora proibida, a combinação de volante e celular tem sido cada vez mais utilizada. Por isso, outra orientação é nunca atender o telefone quando estiver dirigindo, nesta e em outras épocas do ano. Quando o celular tocar, o melhor é desligá-lo, achar um lugar seguro para parar o carro e então retornar a ligação a amigos, familiares e colegas de trabalho. "É comprovado que falar ao celular faz com que a pessoa perca 50% da atenção no trânsito."

Álcool

Apesar da vigência da lei seca, a quantidade de desrespeitos à mesma também é grande. Nesta época, em que o número de festas e comemorações costuma ser maior para todos, também é importante lembrar que não se deve ingerir bebidas alcoólicas antes de dirigir. Fazer um revezamento entre motoristas que vão ou não beber, utilizar táxis e o transporte coletivo são as melhores opções. "Os acidentes com pessoas alcoolizadas costumam ocorrer principalmente nas noites de Natal e de revéillon", informa Gerson.

Meses críticos nas estradas

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Fabiano: "Movimento dobra".

Nas estradas, existem quatro meses considerados críticos em relação à quantidade de acidentes: dezembro, janeiro, fevereiro e julho. Por isso, nesses períodos, a atenção dos motoristas que vão viajar também deve ser redobrada. "Nestes quatro meses, o trânsito comercial e de cargas dá lugar ao de turistas. Em algumas rodovias, principalmente às que dão acesso ao litoral, o movimento chega a dobrar em algumas datas. Na BR-376 (que leva a Santa Catarina), por exemplo, em dias normais são verificados oitocentos veículos por hora. Nas férias escolares, já chegaram a ser percebidos 2.400", comenta o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), responsável por 1,1 mil quilômetros de estradas no Paraná, Fabiano Moreno.

Os acidentes, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, ocorrem com tempo bom (70%), durante o dia (60%) e em retas (80%). A principal causa costuma ser a imprudência dos motoristas. Excesso de velocidade, ultrapassagens em locais proibidos e embriagues ao volante são os problemas mais freqüentes.

Entre os motoristas envolvidos nas ocorrências em rodovias, existem dois tipos principais: aquele que tem entre um e cinco anos de carteira de habilitação e geralmente é inexperiente em estradas e aquele que tem mais de vinte anos de carteira, que geralmente demonstra excesso de confiança no trânsito. "Para garantir a própria segurança, a dos passageiros e também das demais pessoas presentes nas rodovias, os motoristas, além de verificarem se está tudo certo com os equipamentos e itens de segurança do veículo, devem estar atentos à própria condição de dirigir", afirma Fabiano. "Deve-se evitar dirigir cansado, com sono, em horários de pico de movimento, após ingerir bebidas alcoólicas ou medicamentos que possam vir a prejudicar a concentração no volante. Também é importante planejar previamente a viagem e preferir o dia à noite."

Transporte de crianças exige atenção redobrada

O cuidado com o transporte das crianças também deve ser redobrado. Anualmente, no Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, ocorrem cerca de 6 mil mortes de meninos e meninas entre zero e 14 anos de idade em função de acidentes. Deste total, 40% são relativos a acidentes de trânsito. Para evitar que as crianças saiam feridas com gravidade, o uso da cadeirinha de transporte é obrigatório e não deve ser deixado de lado.

Segundo a organização não-governamental (ONG) Criança Segura, o equipamento deve ser utilizado de acordo com a idade e o peso do passageiro transportado, também precisando ser certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização Qualidade Industrial (Inmetro), o que garante que o produto está preparado para resistir a um acidente.

Independente da idade, as crianças devem ser transportadas nos bancos traseiros do automóvel e nunca devem ser deixadas sozinhas dentro dos veículos. Até um ano de idade, o transporte deve ser feito no chamado bebê conforto. De um a quatro anos, em cadeirinhas. Posteriormente, em assentos de elevação, que permitem a utilização correta do cinto de segurança do próprio veículo. Se o carro tiver vidros traseiros, esses devem permanecer bem travados para evitar que as crianças coloquem a cabeça para fora. Em relação a motocicletas, não podem ser transportadas na garupa crianças com menos de sete anos de idade e que ainda não saibam ter cuidados com a própria segurança.


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