Índice médio de homicídios no Paraná contado em números

Newton Almeida Publicação 03/08/2008 - 00h00 Atualizado 19/01/2013 - 21h26

Números mostram que o índice médio de homicídios em Foz do Iguaçu e Guaíra, no oeste do Estado, e em Tunas do Paraná, no Vale da Ribeira, continuam acima da média verificada no Estado, apesar de algumas quedas. Em 2004 e 2006, as três cidades foram apontadas entre as dez cidades com maior índice de assassinatos no período pelo Mapa da Violência dos Municípios, divulgado pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (Ritla).

Em 2007, em Foz do Iguaçu, a média foi de 94,1 contra 98,7 assassinatos para cada 100 mil pessoas registrados anteriormente. Em Guaíra, no entanto, a média subiu de 94,7 para 97,6 no ano passado. Já em Tunas do Paraná, os três homicídios ocorridos em 2007 foram suficientes para que a média do município, que tem menos de seis mil habitantes, que era de 90,1, fosse para 50,66.

Para especialistas no assunto, o número de assassinatos nestas cidades, principalmente na região de fronteira, ainda é preocupante. Para se ter uma idéia, a média de assassinatos no Paraná foi de 28,2 em 2006 e de 25,5 em 2007.
A reportagem de O Estado usou o mesmo critério utilizado pela Ritla para calcular o índice médio de assassinatos por cada 100 mil habitantes de 2007. O resultado estimado para este ano mostra que crimes dessa natureza estão caindo gradativamente.

Em 2007, Foz do Iguaçu registrou 293 homicídios, enquanto que este ano já foram contabilizados 123 assassinatos. Caso as ocorrências continuem no mesmo ritmo, a taxa média deverá ter uma redução significativa na cidade. Já em Guaíra, onde foram registrados 28 assassinatos no ano passado, a média pode cair cerca de 30% este ano, considerando que até agora o município registrou nove assassinatos. Em Tunas do Paraná, houve apenas um homicídio este ano.

Período

Para o sociólogo Lindomar Wessler Bonetti, esses números não representam uma redução real da criminalidade nessas regiões. Para ele, seria preciso um período maior de avaliação para se ter um real diagnóstico da situação.

Bonetti explica que o próprio desenvolvimento econômico atrai migração, como acontece na região oeste e em Curitiba. “Pelo fato de ser uma região onde é grande o número de pessoas em trânsito, a média de assassinatos na região de fronteira pode ficar maquiada”, afirma.

Para a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), a queda gradual de homicídios na região de Foz do Iguaçu é justificada pela intensificação da Operação Foz Segura e o aumento no efetivo de policiais civis e militares na região. Segundo a Sesp, a diminuição de assassinatos nesse ano em Guaíra é reflexo da mesmo operação policial desenvolvida em Foz, além da intensificação de ações de combate ao tráfico de drogas.

No caso de Tunas do Paraná, a Sesp afirma ser um caso isolado, devido à baixa densidade populacional. Nesse caso, um único homicídio até o final do ano pode dobrar a média registrada até agora, já que o município registrou apenas uma ocorrência até o final do mês de julho.

 

Maringá tem índice animador

Se a situação da região de fronteira ainda é crítica quanto ao número de homicídios, na região de Maringá, os índices são mais animadores para os profissionais de segurança. Segundo o delegado titular da delegacia da
9.ª Subdivisão Policial de Maringá, Márcio Vinícius Ferreira Amaro, é registrada uma média de oito assassinatos na cidade a cada mês. Amaro conta que, para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a média aceitável seria de 35 homicídios para cada 100 mil habitantes em cidades de grande porte e até 40 homicídios para capitais.

Em 2007, foram 78 homicídios em Maringá, ou seja, média de 24,4 assassinatos por 100 mil habitantes. Para Amaro, esse índice deve-se à estrutura da cidade.
“Não há muitos bolsões de pobreza na cidade, o que facilita o trabalho de mapeamento das ocorrências e um melhor direcionamento de recursos”, diz.

Em Sarandi, onde o número de assassinatos é maior em relação aos demais municípios da região, a média de homicídios ainda é bem menor do que o registrado na região de fronteira.

Conforme o titular da delegacia de Sarandi, José Maurício de Lima Filho, dos 26 assassinatos registrados em 2007, foram elucidados 25. “Quando você consegue esclarecer a maioria dos crimes, você inibe o criminoso”, diz. (NA)

Posição geográfica prejudica Foz do Iguaçu

De acordo com o delegado titular da delegacia da 9.ª Subdivisão Policial de Maringá, Márcio Vinícius Ferreira Amaro (que trabalhou na delegacia de Foz do Iguaçu no último ano), o número de homicídios deve cair pelo menos 30% na região de fronteira.

“A intensificação do trabalho investigativo e, conseqüentemente, o maior número de crimes elucidados vêm inibindo a ação de criminosos, o que faz decair as ocorrências de homicídios na cidade,” afirma Amaro.

Para o delegado, o alto número de homicídios em Foz do Iguaçu deve-se à posição geográfica e à situação social e econômica da região. Para ele, o desemprego contribui para a criminalidade, já que parte da população fica a mercê do tráfico para sobreviver. “Muita gente que migrou para a região e trabalhou na construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu ficou desempregada após
a instalação e foi parar nas áreas periféricas de Foz”, diz.

Amaro conta que o desenvolvimento econômico e a vocação turística de Foz do Iguaçu atraem pessoas de várias partes do País, aumentando a densidade populacional nas áreas de periferia, onde há maior incidência de criminalidade.
Para Amaro, a maior parte dos homicídios está diretamente ligada ao tráfico de drogas. “A facilidade de aquisição de armas, de forma ilegal, no Paraguai, favorece o índice de criminalidade nessa região”, afirma. (NA)


Publicidade

Publicidade

Comente a notícia