Loteamento vira motivo de revolta em Campo Largo

Rosângela Oliveira Publicação 06/07/2008 - 00:00:44 Atualizado 19/01/2013 - 21:25:34

Foto: Aliocha Mauricio

Caminhão traz mudança de famílias retiradas de área de risco à beira de rios.

Os moradores do loteamento Bom Senhor Francisco Gorski, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, reclamam que foram esquecidos pela administração municipal.

O bairro sobre com a falta de infra-estrutura: não existe saneamento, pavimentação das vias, transporte coletivo suficiente para atender a demanda e, tão pouco, opções de lazer.

E para piorar a insatisfação dos moradores, a Prefeitura escolheu a localidade para assentar famílias que foram retiradas de áreas de risco.

A Prefeitura construiu em terrenos do loteamento cerca de 50 casas de 40 metros quadrados que irão abrigar famílias que moravam à beira de rios nas localidades do Jardim Tropical e Meliane.

As famílias começaram a chegar ao bairro nesta semana. A reportagem de O Estado flagrou um caminhão da Prefeitura transportando a mudança de um dos moradores, que além dos móveis e utensílios, também levada diversas pessoas, entre elas crianças, de forma irregular na caçamba do caminhão.

Roselia Ferreira Padilha é uma das assentadas, que irá dividir com outras cinco pessoas a nova casa. Ela irá pagar pelo imóvel uma prestação de R$ 40, por 17 anos, e diz que foi uma grande oportunidade.

“Se não fosse assim, nunca teria condições de ter uma casa”, afirmou. No entanto, os vizinhos não estão satisfeitos assim. A comerciante Rosalia Martins conta que pagou R$ 23 mil pelo terreno onde construiu a casa, há oito anos. “Eu comprei o terreno com a promessa de ter um bairro organizado, mas aqui falta tudo”, disse. Ela acredita que com o aumento no número de moradores a situação irá piorar.

O autônomo Cosme Damião Severino mora no bairro em uma casa alugada e reclamou que não teve a chance de comprar um imóvel. “A gente não teve essa facilidade que eles estão tendo”, falou, acrescentando que alguns moradores pensam em entrar na Justiça para pedir o ressarcimento da diferença dos valores que já pegaram pelo imóvel.

A dona de casa Margarete Gonçalves também reclama da falta de infra-estrutura no loteamento. Ela conta que a rede de esgoto ficou só na promessa, e as poucas maninhas que foram colocadas nas ruas, os próprios moradores compraram.

Devido à falta de pavimentação, eles sofrem com a poeira e, quando chove, as ruas ficam quase intransitáveis. A vizinha Rosa Marcondes acrescenta que para completar os problemas, tem faltado água quase todos os dias.

Ela também reclama que a única linha de ônibus que atende o bairro fica lotado nos horários que os moradores vão e voltam do trabalho, e agora, com o aumento no números de pessoas, a situação deve piorar.

Programa tem verba federal

A Prefeitura de Campo Largo informou, através da sua assessoria de imprensa, que as famílias que estão sendo reassentadas no loteamento Francisco Gorski fazem parte do Projeto Vida Nova, uma parceria do governo municipal com o governo federal, que visa retirar 47 famílias que antes moravam em áreas de risco, fundos de vale e áreas irregulares (invasão).

As famílias pagarão pelo imóvel prestações de R$ 41,50 durante 200 meses. “Além disso, elas participarão de cursos e oficinas profissionalizantes ministradas pela equipe da Secretaria Municipal de Promoção Social, Trabalho e Renda, visando dar oportunidade para que elas venham a ter uma condição de vida mais digna”, explicou a assessoria.

Em relação ao loteamento, a Prefeitura informou que ele foi criado a partir de uma parceria do poder público com a iniciativa privada, no fim da década de 90. Sobre a reclamação da falta de infra-estrutura, garantiu que está em andamento obras de pavimentação da estrada que dá acesso ao bairro.

Além disso, existem estudos para o asfaltamento da rua principal do loteamento, assim como a implantação de um centro de capacitação profissional, que vai funcionar nas instalações da antiga creche.

A rede de esgoto já teria recursos na ordem de R$ 50 milhões do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) do governo federal, e basta apenas os estudos de aplicação por parte da Sanepar e do Departamento de Habitação e Saneamento do município.


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