Coincidência macabra em Almirante Tamandaré

Marcio Barros Publicação 30/04/2008 - 00h48 Atualizado 19/01/2013 - 21h22

Foto: Átila Alberti

Endereço une as mortes, apesar de elas não terem ocorrido na mesma região.

A morte de Edson Leandro Jeremias, às 16h de ontem, no Cachoeira, em Almirante Tamandaré, rendeu à Rua Nelson Pinto de Lara, o apelido de “Rua da Morte”. Em menos de um mês, quatro moradores daquela rua foram assassinados, em lugares diferentes. A polícia não acredita que os crimes estejam relacionados.

Na tarde de ontem, mesmo com a forte chuva, dois rapazes chegaram em uma moto Biz, na casa de Edson. Os moradores disseram que os assassinos estavam com capacetes amarelos e deram vários tiros. Antes de fugir, avisaram as outras pessoas que estavam na casa que, se fossem delatados, voltariam para “completar o serviço”. “Temos medo que eles voltem, por isso, vamos deixar que a polícia faça o trabalho dela e descubra quem são os assassinos”, contou um morador, que pediu para não ser identificado.

Tiros

Foto: Átila Alberti

Matadores chegaram de moto à casa de Edson.

Um vizinho de Edson disse ter ouvido três tiros, mas quando chegou ao portão da sua casa, não viu nada de diferente. Segundo comentou, ficou sabendo do crime quando viu as viaturas e os carros de imprensa. “Esta é a Rua da Morte. Cada dia matam um”, lamentou o morador.

O sargento Emídio, do 17.º Batalhão de Polícia Militar, disse que familiares contaram que a vítima era usuária de drogas e estava em liberdade há uma semana. “Ele havia ficado preso por dois meses por ter praticado um furto”, contou o policial.

Na delegacia, o superintendente Furtado afirmou que já tem um suspeito. “Soubemos que ele discutiu com um vizinho e, alguns minutos depois, foi assassinado”, contou Furtado.

“Lista” aumenta dia a dia

Edson foi o quarto morador da rua, assassinado em menos de um mês. No sábado, o montador de móveis Altiele da Silva de Lara, 25 anos, foi morto com um tiro na cabeça na Rua Ambrózio Bini, no mesmo bairro. O carro dele foi levado, dando a entender que se tratava de latrocínio (roubo com morte), no entanto, foi abandonado momentos depois em um bairro vizinho.

As outras duas vítimas são Fernando Mendes Castelan, 27, e, Clayton Lima da Silva, 21, encontrados às margens da Rua Francisco de Lara Vaz, no bairro Morro Azul, mortos a tiros em 28 de março.

Segundo Eliete, mãe de Clayton, ela não sabia se o filho estava envolvido em algo ilícito. “No dia em que meu filho foi assassinado, acordei de madrugada e vi um carro suspeito, não consegui anotar a placa. Depois daquele dia, nunca mais consegui dormir”, relatou a mãe.

O superintendente Furtado disse que todos os crimes estão sendo investigados. “Não existe relação entre os casos. O fato de eles morarem na mesma rua é uma coincidência”, completou.


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