Marcelo Borelli se recusa a tratar da Aids

Mara Cornelsen Publicação 08/12/2006 às 00:11:46 Atualizado 19/01/2013 às 21:07:58

Fotos: Mara Cornelsen

Bandido foi condenado a mais de 160 anos.

Conhecido como um dos bandidos mais truculentos do Brasil, capaz de torturar uma garotinha de apenas três anos para se vingar do pai dela - um ex-comparsa - Marcelo Moacir Borelli, 39 anos, agoniza na enfermaria da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), onde está recolhido há pouco mais de um ano. Debilitado, mas sem perder sua costumeira arrogância, o criminoso - condenado a mais de 160 anos de reclusão por vários crimes - se recusa a tomar remédios contra aids, doença que contraiu em uma das prisões por onde passou.

Ontem, o coordenador do Departamento Penitenciária (Depen), coronel Honório Bortoline, autorizou a remoção de Borelli para o Complexo Médico Penal (CMP), em Piraquara, depois de obter a mesma autorização do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP). O pedido para a transferência do preso havia sido feito pelo diretor da PEL, Raimundo Hiroshi Kitanishi, que admitiu não ter condições de cuidar de Borelli, uma vez que ele mesmo se recusa a ingerir qualquer medicação que lhe é ministrada.

Ainda não há data prevista para a transferência, mas deve ocorrer o mais breve possível, já que o estado de saúde de Borelli se agrava a cada dia. De acordo com informações da penitenciária, ele quase não consegue mais andar, permanece a maior parte do tempo na cama da enfermaria ou em uma cadeira de rodas. Quando apresenta alguma melhora, arrisca a dar alguns passos. Apesar da debilidade física, conforme foi apurado, ele continua arrogante e grosseiro com as pessoas que o cercam.

Visita

Na cadeia, costuma receber a visita da mãe, já que sua família mora na região - em Cornélio Procópio. Ele não explica porque se recusa a tomar remédios e também não se sabe como contraiu a doença.

Há especulações de que, por algumas das prisões por onde passou - em Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), São Paulo (SP) e Brasília (DF) - foi espancado e abusado sexualmente por outros presos, após a divulgação de uma fita de video em que aparecia torturando cruelmente a filha de um ex-cúmplice, para se vingar dele, uma vez que supunha ter sido ele quem o denunciou à polícia.


Assaltante de bancos e até de aviões ficou conhecido por atrocidades contra garotinha
de 3 anos, em São José dos Pinhais, em 2000. (Foto: Mara Cornelsen)

Monstro torturador

Da Redação

O crime mais revoltante cometido por Borelli foi a tortura contra uma menina de 3 anos, filha de um ex-cúmplice. Ele submeteu a criança a choques elétricos, surras e outras atrocidades, filmando tudo o que fazia. A fita foi encontrada na casa dele, dias depois de sua prisão, em outubro de 2000, e as imagens foram amplamente divulgadas pela imprensa nacional. O objetivo do assaltante era enviar a fita para o pai da menina. Borelli acreditava que seu ex-comparsa o tinha denunciado à polícia paranaense, após um assalto a carro-forte. As torturas aconteceram em um sobrado alugado em São José dos Pinhais, em setembro de 2000, quando o bandido filmava o aeroporto.

Preso em outubro, quase que por acaso, quando retornava do Paraguai com um carregamento de armas, Borelli foi levado à carceragem da Polícia Federal, em Brasília. Lá foi espancado pelos presos pelo motim que teria liderado. Ele foi agredido durante o banho de sol e levou socos e chutes até do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Com parte do couro cabeludo arrancado, traumatismo e hematomas pelo corpo, Borelli foi levado para o Hospital de Base de Brasília. Na época, um agente contou que os presos se sentiram constrangidos com a revista feita pela polícia, depois da rebelião, e teriam culpado o mentor pela situação.

Ganância sem fim

Da Redação

Filho de um rico cerealista do interior do Paraná, que faliu e deixou a família em dificuldades financeiras, Marcelo Moacir Borelli não se conformou em perder as mordomias a que estava acostumado e, numa crise de revolta, apesar de ter dois cursos superiores incompletos, resolveu virar bandido. Passou a roubar carros e depois assaltar bancos e carros fortes, transformando-se em um indivíduo perigoso e calculista. Líder de quadrilha, não tinha dificuldade em formar bandos pelos diferentes locais por onde passava.

Borreli é acusado de, em julho de 2000, roubar 60 quilos de ouro do compartimento de carga de um avião, no aeroporto de Brasília. No mês seguinte, o assaltante cometeu um dos seus crimes mais ousados: seqüestrou o Boeing 737 da Vasp. A aeronave foi desviada da rota Foz do Iguaçu-Curitiba e levada a Porecatu (norte do PR), com 61 passageiros e seis tripulantes. Na época do seqüestro, Borelli teria sido reconhecido pela comissária da Vasp e roubado, com seus comparsas, R$ 5 milhões que estavam no compartimento de cargas do avião.

Mesmo sendo procurado por policiais de todo o País, o criminoso não se intimidou e passou a morar em São José dos Pinhais, perto do Aeroporto Afonso Pena. O bandido e duas cúmplices filmavam e observavam a chegada de aviões e carros blindados no Aeroporto Afonso Pena. Suspeita-se que eles planejava outro ousado assalto, seqüestrando mais um avião. Em outubro do mesmo ano ele foi finalmente preso.


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