Curitiba tem 24 pontos de prostituição infantil

Guilherme Luís Voitch Publicação 11/03/2003 - 04h00 Atualizado 19/01/2013 - 20h38
Mapeamento divulgado ontem mostra onde as crianças são exploradas.

Curitiba tem pelo menos 24 pontos de exploração sexual de crianças e adolescentes. O mapeamento foi apresentado ontem pela diretora do Departamento de Integração Social da Criança e Adolescente da Prefeitura de Curitiba, Francine Wosniak, durante inauguração do Centro de Referência no Atendimento a Vítimas de Exploração e Abuso Sexual.

O mapeamento da exploração sexual foi feito por meio do disque-denúncia da prefeitura (156) e do trabalho dos Conselhos Tutelares, das Polícias Militar, Civil e da própria administração municipal. Mais de cinqüenta pessoas participaram do mapeamento. Os pontos de aliciamento de crianças e adolescentes foram divididos de acordo com as oito regionais da prefeitura.

A regional matriz, que engloba o centro e bairros próximos a ele, é onde se concentram a maioria dos menores que se prostituem, em ruas ou em bares e boates. "Temos pontos na Praça Tiradentes, no Largo da Ordem e na Praça Osório, onde há concentração de garotos que se prostituem, os chamados michês", explica Francine.

Ainda na Regional Matriz, a prefeitura identificou pontos no Jardim Botânico e na Vila das Torres. "Próximo ao Jardim Botânico temos garotas de até oito anos se prostituindo", denuncia a diretora.

Na regional do Pinheirinho, zona sul, o número de adolescentes é menor, mas eles estão espalhados em mais pontos. Ao todo foram dez pontos identificados. As margens da BR-476, próximo a bailões e boates, servem de parada para caminhoneiros que procuram as meninas. Perto do terminal da Cidade Industrial de Curitiba também formou-se um ponto onde as meninas atendem especialmente taxistas. Segundo Francine, na região do Pinheirinho existe um envolvimento familiar com a prostituição. "Pais e mães sabem o que a filha está fazendo, mas não interferem devido ao retorno financeiro", explica.

O mesmo, segundo ela, acontece nos três pontos da Regional Boqueirão onde o comércio do sexo está localizado na Avenida Marechal Floriano e Rua Anne Frank. Nesses locais a exploração também está intimamente ligada ao tráfico de drogas.

No Bairro Novo, são dois pontos confirmados próximos à ocupação do Ganchinho, e pela regional do Portão, no bairro do Parolin, onde muitas das meninas que se prostituem são mães. "Sabemos disso porque os filhos delas estão nas creches municipais", explica Francine. Na Regional Santa Felicidade (zona oeste) foram três pontos localizados. Ali também foram encontradas crianças de menos de dez anos se prostituindo na invasão Bom Menino.

Na regional Cajuru foi mapeado apenas um ponto no Uberaba de Cima e na Regional Boa Vista ainda não há confirmação em nenhum local. "Estamos investigando as denúncias", diz a diretora.

Dificuldades

Segundo Francine, embora a prefeitura conheça os locais, a ação de prevenção é difícil. "Para fechar um bar ou boate precisamos dar um flagrante e isso é complicado. Existe uma rede de comunicação entre esse pessoal. Quando chegamos na blitz, não há nada irregular", conta. O trabalho nas ruas também não acaba com a prostituição. "A PM chegou a fazer um belo trabalho no Jardim Botânico, que temporariamente afastou os clientes que procuravam as meninas. Foi a PM ir embora para eles voltarem", afirma.

Centro atende a 300 crianças

Guilherme Voitch

O Centro de Referência para Atendimento de Crianças e Adolescentes vítimas de Exploração e Abuso Sexual passa a funcionar em nova sede, agora no centro da cidade, embaixo do Viaduto do Capanema. O centro tem capacidade de atender, gratuitamente, trezentos menores e está no limite de atendimento. "Aqui podemos dar um melhor tratamento psicológico, social e médico para esses adolescentes. Mas está difícil de pegar novos casos. Estamos no limite", afirmou a secretária da Criança, Marina Taniguchi. O tratamento para os menores que sofreram abusos pode durar até 2 anos. O centro funciona em uma parceria da Secretaria Municipal da Criança, dos Conselhos Tutelares e da ONG Menina-Mulher. No ano passado o Centro fez 350 atendimentos na antiga sede, no bairro do Portão.

De um a oito anos de prisão

Guilherme Voitch

A Secretaria da Criança, Secretaria de Urbanismo, Conselhos Tutelares, Polícia Militar e representantes do governo estadual e Ministério Público promovem blitze semanais em diversas casa noturnas curitibanas.Com o mapeamento dos locais de prostituição, a prefeitura acredita que a ação das blitze serão facilitadas. O trabalho conjunto já fechou alguns estabelecimentos. Segundo a Delegacia do Adolescente, o aliciador de menores e os clientes são detidos pelo crime de rufionismo e podem pegar de um a oito anos de prisão.


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