Funcionários da Electrolux param por salário melhor

Jornalista Externo Publicação 02/03/2005 - 00h00 Atualizado 19/01/2013 - 20h50

Cerca de trezentos funcionários dos dois primeiros turnos da Electrolux, unidade de refrigeradores e freezers do bairro Guabirotuba, em Curitiba, pararam suas atividades no início da manhã de ontem. A manifestação pode ser o embrião de uma greve, que pode ser definida nos próximos dias, caso não haja acordo com a empresa. Os trabalhadores estão sendo organizados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), já que há divergências no que eles pedem de reajuste salarial e o que a entidade sindical da categoria, o Sindicato dos Trabalhadores em Indústrias Eletroeletrônicas do Estado do Paraná (Seletroar) aprovou na última semana junto à fábrica.

Conforme o presidente da CUT no Paraná, Roni Anderson Barbosa, a assembléia geral realizada na semana passada, que aprovou 10% de reajuste nos salários e no vale-mercado e a suspensão do banco de horas da categoria até julho, foi irregular, já que a votação não foi feita pelos interessados. “Foi votado tudo em dois minutos, eram 19h, hora marcada para começar e já havia acabado. Até crianças votaram, dirigentes da fábrica estiveram lá, votaram mesmo não podendo e intimidaram quem queria votar contra a proposta que já estava acertada com a fábrica”, contou o operador de manufatura Marciano dos Santos, que esteve presente na reunião. Ele alegou que os dirigentes do sindicato levaram ônibus com pessoas de outras empresas para votar.

A proposta dos trabalhadores, com apoio da CUT, é de 30% de aumento, redução da jornada de trabalho de 40 horas sem redução salarial, vale-mercado de R$ 200,00, manutenção de 50% do adicional noturno e participação nos resultados da empresa de R$ 1,2 mil para os funcionários chão-de-fábrica, ou seja, aqueles que ganham menos. O piso pago é de R$ 574,00.

Na manhã de ontem, quatro funcionários da Electrolux que iriam participar da paralisação foram demitidos, segundo a CUT. Barbosa e um grupo de funcionários se reuniram com representantes da empresa, que, segundo ele, garantiram que não demitiriam mais ninguém durante as negociações. “Eles disseram que as demissões não foram retaliações e sim mudanças normais do dia-a-dia da fábrica”, afirmou. Barbosa disse que pela reunião inicial com a Electrolux, a empresa não pretende renegociar com os trabalhadores tendo como intermediária a CUT.

No final da tarde, a categoria realizou assembléia em frente à fábrica. Segundo Barbosa, a realização de uma greve não seria votada ontem em princípio. “Vamos tentar chegar a um acordo por outros meios”, afirmou.

A reportagem tentou contato com o presidente do Seletroar, Paulo Bastos, mas não obteve retorno. Já a Electrolux informou através da assessoria de imprensa que a produção da unidade não foi afetada. A empresa negou ainda qualquer paralisação por parte dos funcionários. “O que houve foi uma movimentação, não uma paralisação”, afirmou. Sobre as reivindicações dos trabalhadores e uma possível greve, a empresa preferiu não se manifestar.


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