Muitas doenças mamárias são confundidas com sintomas de câncer

Redação Paraná-Online Publicação 22/01/2004 às 18:04:38 Atualizado 19/01/2013 às 20:43:16
Qualquer pessoa tem medo de ficar doente. Em alguns casos, o sentimento pode extrapolar o bom senso e a racionalidade e se transformar em fator patológico. No caso das mulheres, o câncer de mama é a maior preocupação. Antes de se desesperar ao descobrir alguma forma sólida nos seios, é bom saber que as chances de ser algo benigno são substancialmente maiores. “É comum atender pacientes que chegam apavoradas por terem detectado um nódulo mamário”, revela o médico Alexandre Vicente de Andrade, professor da disciplina de Ginecologia da PUC-SP. “Na maioria dos casos, os sinais relacionam-se a outras doenças da mama menos sérias”.
 
De acordo com o dr. Alexandre Vicente, algumas doenças mamárias relativamente comuns podem ser confundidas com sintomas de câncer. Veja algumas dicas:
 
·        Dor mamária - Não é um sintoma importante de câncer. “De certa forma, é uma pena que o câncer de mama não cause dor, porque seria um sinal de alerta importante na descoberta precoce da doença”. Toda dor é um sinal. Portanto, se o sintoma persistir, vale a pena consultar um médico.
 
·        Cistos - São muito comuns. A maioria das mulheres apresenta essas pequenas formações císticas nas mamas, o que não caracteriza doença e nem aumenta o risco para se desenvolver câncer. “O único problema é que com o tempo a mulher se habitua a conviver com esses sinais e se caso um dia surgir um nódulo, pode não notar a diferença e ignorá-lo”. Uma boa dica é prestar atenção em dois elementos: os nódulos são um pouco mais duros que os cistos. Durante o período pré-menstrual os cistos tentem a aumentar, se tornam mais aparentes e, depois da menstrução diminuem de tamanho, enquanto que com os nódulos ocorre o contrário. Um médico pode avaliar clinicamente e formar um diagnóstico com base em exames laboratoriais e de imagem.
 
·        Hiperplasia ductal atípica - É uma doença que está relacionada ao aumento da incidência do câncer de mama em torno de cinco a seis vezes. Isso, contudo, não significa que as pacientes irão desenvolver a doença, apenas que o risco é maior. Requer acompanhamento médico.
 
·        Assimetria mamária – Muito comum, principalmente na fase em que as mamas estão se formando (adolescência).
 
·        Secreção – Deve ser um sinal importante se o líqüido for expelido por uma só das mamas, tiver coloração semelhante a da água e contiver um pouco de sangue. Se surgir nos dois seios, revela algum problema que está refletindo nas mamas. É sempre bom procurar um médico quando o sinal aparece.
 
·         Displasia mamária – O termo praticamente desapareceu, mas deixou marcas nas gerações passadas. Quando a medicina não conseguia identificar doenças mamárias, lançava mão dessa denominação.
 
Pesquisa avaliou um milhão de mulheres que se submeteram à reposição hormonal
 
Foram divulgados no último mês de agosto, os resultados de uma pesquisa promovida na Inglaterra, que acompanhou um milhão de mulheres submetidas a diferentes formas de reposição hormonal. A conclusão mostra que a terapia potencializa o risco – mas não a considera como agente causador - do câncer de mama. “O importante é entender que os hormônios não causam câncer de mama. Eles não provocam o início da doença, mas, provavelmente, faz com que surja um pouco mais rápido”, explica o médico Alexandre Vicente de Andrade, professor da disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da PUC-SP.
 
Apesar da constatação sobre o aumento dos fatores que podem desencadear a doença, Alexandre Vicente acredita que a terapia aumente o índice de incidência, mas não de mortalidade. “Desde a década de 70, já suspeitávamos que a reposição hormonal pudesse se relacionar com o surgimento de neoplasias mamárias”, explica. “Por isso, as mulheres que fazem esse tipo de terapia são acompanhadas com mais atenção, submetendo-se a exames clínicos, laboratoriais e de imagem mais freqüentemente. Assim, as chances de se descobrir alguma anomalia em estágio inicial é maior, aumentando as chances de cura”.
 
As conclusões da pesquisa confirmam um outro estudo realizado pela Universidade de Harvard e divulgado em 2002, quando se constatou que as mulheres que recebiam reposição hormonal aumentavam em quase 20% o risco de desenvolver câncer de mama. Para a comunidade médica, os resultados divulgados em 2002 não foram conclusivos. “A pesquisa era um estudo radomizado não financiado por qualquer instituição interessada no resultado”, esclarece o profissional, identificando os pontos positivos do trabalho de Harvard. “Porém, alguns grupos pesquisados eram formados por pacientes muito idosas, que já não deveriam estar fazendo reposição hormonal”, aponta. “Além disso, foi estudado um único esquema de reposição hormonal, o associado o medroxiprogesterona, constituído por estrogênios conjugados”. A dúvida principal era se esses mesmos resultados seriam compatíveis com outros esquemas de reposição.
 
Com a divulgação da pesquisa inglesa, envolvendo um contingente bem maior - um milhão de mulheres que receberam vários tipos de medicamentos -, a certeza no meio médico é que a terapia aumenta o risco à neoplasia mamária. Pelos resultados, foi possível identificar a forma da reposição que mais potencializa o risco. “É quando se associa o estrogênio e a progesterona, cujo esquema é o mais aplicado no Brasil”, alerta o dr. Alexandre. Segundo o médico, o uso isolado do estrogênio indicado às mulheres que se submeteram à histerectomia (retirada do útero), também aumenta o risco de câncer de mama, mas em escala menor do que quando aplicados associadamente.
 
Para o professor da PUC-SP, a medicina vive uma nova fase no que diz respeito à reposição hormonal. “A medicina é caracterizada por ciclos”, pondera. “Surgem as novidades, muitos acabam utilizando-as de maneira indiscriminada até que começam a surgir os problemas. Só depois é que a aplicação se torna mais indicada e equilibrada”, diz. Há algum tempo, a reposição hormonal era quase obrigatória. Atualmente, a terapia não é indicada para todas as mulheres. “Mas é muito positiva para pacientes com problemas causados pela deficiência de hormônios ovarianos, osteoporose, problemas vasculares e cardiovasculares, por exemplo”, defende.
 
Dr. Alexandre Vicente de Andrade Professor da Disciplina de Ginecologia da PUC-SP

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