Otite, um problema que gera bastante sofrimento ao animal

Cintia Végas Publicação 27/04/2007 - 00h00 Atualizado 19/01/2013 - 21h12

Foto: Chuniti Kawamura

Wagner Bueno: “Muitas vezes, a otite é negligenciada pelos proprietários de animais”.

Se seu cão ou gato de estimação costuma chacoalhar demais a cabeça ou coçar exageradamente as orelhas, fique atento. Ele pode estar com otite, uma inflamação do conduto auditivo que gera muito sofrimento aos pacientes. O diagnóstico do problema faz parte da rotina diária das clínicas e consultórios veterinários, sendo considerado bastante comum.

“Muitas vezes, a otite é negligenciada pelos proprietários de animais, que acham que coçar as orelhas é normal, ou mesmo pelos próprios veterinários, que não realizam diagnósticos precisos. Porém, a doença gera muito incômodo e pode ter complicações, tornando-se grave”, comenta o médico-veterinário especialista em dermatologia, Wagner Luiz Bueno.

Dentro da medicina humana, a otite é tratada pela área de otorrinolaringologia. Já na medicina veterinária, é enquadrada dentro da dermatologia. Nas pessoas, a doença costuma ser transicional. Nos animais, principalmente nos cães, é capaz de se tornar um problema crônico. Pode ser caracterizada como parasitária, micótica, bacteriana ou eczematosa (causada por doenças alérgicas sistêmicas).

Em alguns casos, o bicho pode adquirir o problema no banho e tosa, quando uma mesma pinça de limpeza da orelha é utilizada em um animal doente e depois em um saudável. Porém, na grande maioria das vezes, a doença ocorre por desenvolvimento da flora que vive no conduto auditivo em conseqüência de baixa resistência do organismo, permanência em ambientes propícios à aquisição da enfermidade (locais úmidos) ou ouvido molhado.

“A otite é muito mais comum em cães do que em gatos. Estes possuem as orelhas levantadas, o que permite maior entrada de luz e oxigênio. Aqueles têm o conduto auditivo mais comprido e curvo, o que o torna um lugar escuro, quente e úmido, propicio ao desenvolvimento de fungos, bactérias e parasitas. Além disso, os cachorros costumam tomar mais banhos”, explica o veterinário.

Os animais dão sinais de que estão com a doença quando chacoalham demais a cabeça, ficam com ela pendente para um lado, coçam as orelhas a todo instante e não deixam que as pessoas as toquem. Outras manifestações da otite são presença de secreção no conduto auditivo e mau odor nas orelhas. “Geralmente, quando o animal fica dentro de casa, as pessoas sentem o cheiro ruim, se incomodam e buscam tratamento. Porém, em cães que vivem no ambiente externo, muitas vezes o problema demora mais para ser percebido, pois os proprietários nem sempre observam a presença da inflamação.”

Predisposição em algumas raças

Cachorros de algumas raças específicas costumam ter maior predisposição a desenvolver otite. Segundo Wagner, geralmente apresentam a doença em maior quantidade de vezes animais com orelhas baixas e peludas. Em cães com estas características, o conduto auditivo recebe menos luz e oxigênio. Além disso, os pêlos impedem a saída de cera, o que favorece o desenvolvimento de germes. Entre as raças mais propícias a terem o problema em função de especificidades anatômicas estão: cocker spaniels, shih-tzu, lhaza apso, yorkshire, poodle e golden retriever. De acordo com livros de medicina veterinária, 80% dos casos relatados de otite são verificados em cães de raças de orelhas caídas. A maior incidência da doença costuma ocorrer nos meses de verão, em que umidade e temperaturas altas são fatores predisponentes.

Tratamento depende do diagnóstico

O tratamento depende do diagnóstico, podendo ser tópico ou sistêmico. Para saber que medicamentos usar, principalmente quando o animal tem a doença reincidente, o veterinário precisa realizar coleta de material e exame microscópico para descobrir que tipo de agente está causando a enfermidade. Depois, é preciso encontrar o antibiótico que seja mais adequado. Em alguns casos, o animal pode precisar ser submetido à cirurgia.

“A cirurgia é indicada para cães com otite estenosante, que aparece em conseqüência das otites anteriores que o animal teve no decorrer da vida e faz com que o conduto auditivo vá se fechando. Através dela, é possível abrir o conduto do paciente, permitindo maior ventilação do local. O procedimento costuma resolver o problema em até 80%”, diz Wagner.

Quando a otite não é tratada, acaba se agravando. Ela pode se tornar uma otite interna, romper a membrana timpânica e afetar o equilíbrio do animal, resultando em síndrome vestibular. Quando isto acontece, a cabeça do animal pende para o lado e ele passa a andar em círculos. Além disso, o bichinho pode ter perda parcial ou total da audição.

Se mesmo com todos estes agravantes o animal continuar sem tratamento, pode desenvolver infecção generalizada (tendo fígado, coração e sistema nervoso atingidos) e ir a óbito.



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