Almirante Tamandaré faz aniversário

Jornalista Externo Publicação 23/10/2005 - 00h00 Atualizado 19/01/2013 - 20h56


Vista da cidade de
Almirante Tamandaré.

Na próxima sexta-feira, 28, a cidade de Almirante Tamandaré-PR estará completando 116 anos de existência. Município da região metropolitana de Curitiba, está situado ao norte da capital, no Primeiro Planalto Paranaense, a 950 metros acima do nível do mar. Os tamandareenses usufruem dos rios Capivara, Pacotuba, Botiatuba Mirim, Barigüi e Passaúna. Este nasce no município, em Marmeleiro, a 22 quilômetros do centro de Curitiba. O município faz divisa com as cidades de Colombo, Campo Magro, Itaperuçu, Rio Branco do Sul e Curitiba. Segundo o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2000), Almirante Tamandaré possui 88.277 habitantes. Mas a opinião pública estima que já possua 100.000 habitantes.

A atividade predominante do município é a exploração de água mineral, “cujo lençol freático ocupa 80% do município”. (Revista Almirante Tamandaré cidade dos minérios e das águas minerais, 2003). Existem indústrias de material elétrico, bebida, artefatos de borracha, plástico, cimento, metalúrgicas, móveis, fertilizantes e transportadoras, além de pelo menos 20 indústrias de calcário, ramo de peso na economia. A poesia Forno de cal, de Harley Clóvis Stocchero (1998), é um convite à reflexão sobre o trabalhador desta atividade:

Forno de cal

a queimar teimosamente,

quer de noite,

quer de dia,

consumindo vorazmente,

junto à lenha,

o suor da gente

que trabalha febrilmente:

- Quente à tarde...

e à noite fria...


Manter seu fogo

do foguista é obrigação,

verdadeira escravidão

que atormenta

e que acorrenta,

nos grilhões do seu horário,

o coitado do operário

que não pode se soltar...

Bandeira

A cor verde representa as riquezas naturais da cidade. Já a cor azul faz referência ao céu. No centro da bandeira está o brasão: no primeiro plano, a menção ao calcário (forno de cal em vermelho), no lado esquerdo, o pequeno quadrado que em seu interior tem a representação do curso hídrico subterrâneo (os lençóis freáticos). No segundo plano, duas lavouras, que fazem alusão à fertilidade do solo. No centro superior, o brasão do Estado do Paraná, que significa lealdade do município para com o Estado.

Breve história  

Os índios tingüis, de nariz fino, foram os primeiros habitantes de Almirante Tamandaré. De acordo com Francisco Filipak (2002), “etnicamente os tingüis pertenciam à família guarani e tinham o costume de construir suas habitações em covas abertas no chão, em pleno campo”. Romário Martins (1940) pede para que “sejamos, também nós, como o Tingui, nosso antepassado na posse desta encantadora terra do Paraná! Amemos a beleza como o melhor bem do mundo; - e para a amar como a devemos amar, atiremos bem alto, para o azul infinito, as flechas multicores dos nossos ideais”.

A primeira denominação que recebeu a cidade de Almirante Tamandaré foi Nossa Senhora da Conceição do Cercado. Com esta denominação o lugarejo foi elevado à categoria de freguesia, aos 10 de maio de 1873, por intermédio da Lei n.º 438. Stocchero explica que em pouco tempo o lugar “ganhava a distinção de vila pela Lei Provincial n.º 957, de 28 de outubro de 1889, ano primeiro da República Brasileira, tendo sido o último município criado no Paraná ainda em tempos de Império. Em 9 de janeiro de 1890 recebeu a denominação atual, uma homenagem ao Almirante Marquês de Tamandaré”.

Durante a década de trinta até 1956, Almirante Tamandaré passou por momentos não confortáveis na política e na administração, conforme explica Stocchero:

O golpe mais duro na história tamandareense foi a extinção do município através do Decreto Lei n.º 7.573, de 20 de dezembro de 1938, sendo o seu território integrado ao de Curitiba. Com a mudança de nome, passou a se chamar Timoneira, e alguns anos mais tarde integrava o município de Colombo.

Somente em 24 de março de 1956, através da Lei n.º 2.644, sancionada pelo governador Moysés Lupion, a localidade voltou à condição de município, tendo restaurado a sua antiga denominação de Almirante Tamandaré.

Jorge Antonio de Queiroz e Silva é historiador, pesquisador, professor. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

queirozhistoria@terra.com.br


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