| Valquir Aureliano |
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| Goleiro tem sangue paranista e se diz preparado pra responsabilidade que vem pela frente. |
A renovação do seu contrato foi a prioridade para a diretoria, que definiu sua permanência no Tricolor por três anos. Um gesto que permitirá a Gabriel a busca por um objetivo traçado ainda no gramado de São Januário: a volta à primeira divisão. Ainda sob o abalo emocional da queda - Gabriel não conseguiu conter as lágrimas - o goleiro já prometia: hoje, fracassamos, mas quero estar presente, daqui a um ano, na volta do Paraná à elite, disparou o jogador.
Curitibano de nascença, não se poderia esperar outra reação do goleiro. Afinal, o Paraná sempre foi o seu clube de coração, dos tempos de escolinha até se tornar profissional. No último dia 28 de dezembro, ele completou 20 anos e diz ter planos ambiciosos para a sua carreira. Recolocar o Paraná ao lugar que merece é só o primeiro passo. Depois, quero ir para o exterior, conseguir destaque na profissão e quem sabe chegar à seleção, afirma Gabriel. Personalidade não lhe falta.
Afinal, foi assim que ele encarou a condição de terceiro goleiro, aproveitando os treinos com o preparador Renato Secco e a convivência com Flávio, para evoluir - e muito - ao longo da temporada. Com a saída de Marcos Leandro, emprestado ao Botafogo, as portas começaram a se abrir. E não pararam mais. Flávio já não tinha mais a mesma regularidade de tempos passados e lesões incomuns do Pantera permitiram a Gabriel assumir o posto de titular. Posição que não mais largaria.
O ano para mim foi muito bom. Mesmo com o rebaixamento, amadureci e estou pronto para a responsabilidade que está me sendo dada, garante a revelação paranista. Uma nova realidade para Gabriel, que agora inicia uma nova fase, de maior cobrança. Afinal, a revelação de 2007 é hoje uma realidade, o novo dono da camisa 1 é uma referência do time junto à torcida. Tudo por conta da identidade de Gabriel com o Paraná, um goleiro com o coração vermelho, azul e branco.
Temporada 2007 foi espetacular pro atacante
| Valquir Aureliano |
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| Josiel brilhou no Brasileirão. Vendido ao futebol árabe, rendeu bons dividendos ao clube. |
Com passagens tímidas por Juventude e Brasiliense, Josiel chegou à Vila Capanema de forma discreta. Uma das muitas apostas do então diretor de futebol Durval Lara Ribeiro. Também discreto era o discurso do atacante, que nunca foi de prometer gols, mas sim muito empenho. Sou um guerreiro, resumia o atleta quando indagado sobre as suas qualidades. E, se os gols foram conseqüência deste comportamento ou não, a verdade é que Josiel se tornaria a referência do Paraná no ano.
Não ao acaso, já que disputou a maior parte dos jogos da equipe, no Paranaense, na Libertadores e no Brasileiro. Mais do que isso: foi o artilheiro do Tricolor em todas elas, fechando o ano com 31 gols e garantindo presença na lista dos maiores artilheiros do clube em todos os tempos.
Se disputasse mais uma temporada com a camisa azul, vermelha e branca e com a mesma eficiência, Josiel encostaria em Adoílson, até hoje o segundo maior goleador do clube, com 78 gols, atrás somente de Saulo, o recordista máximo, que balançou as redes adversárias 104 vezes.
Josiel, é possível afirmar, encaixou como uma luva na versão 2007 do Paraná. Em especial no início da temporada, quando formou com Dinelson e Henrique um trio que agregava tudo o que um ataque precisa: habilidade, velocidade e precisão. Na Libertadores, o camisa 9 fez três gols. Marcou outros oito no Estadual, mesmo sendo preservado em grande parte dos jogos. Mas o ponto alto de Josiel estava reservado para o Brasileiro.
O goleador aproveitou o sprint inicial do Tricolor e foi marcando gols. Foram sete só nas cinco rodadas iniciais. O bastante para Josiel despertar a atenção dos marcadores rivais. Vigiado de perto, o jogador também esbarrou na falta de criatividade do time. Aos poucos, o Paraná travou, mas mesmo assim o goleador seguiu à frente de seus mais diretos concorrentes, até fechar o ano como artilheiro do Brasil, craque da seleção da CBF e primeiro jogador do Paraná Clube a conquistar uma Bola de Prata, troféu oferecido pela Revista Placar.
O Tricolor fracassou, mas o torcedor dificilmente se esquecerá do tchê. Um artilheiro de sotaque gaúcho, que ia para os treinos pilchado e não dispensava um bom chimarrão. Josiel, gaúcho de Rodeio Bonito, artilheiro do Brasil e craque do Paraná, em 2007.
Nem pode permanecer em 2008
O Paraná Clube volta às atividades na próxima quarta-feira. Além do volante Léo - único reforço apresentado - e da volta de Eltinho, Joelson e Leonardo, o grupo terá basicamente remanescentes da campanha de 2007. Porém, com uma mudança: grupo enxuto e norteado pelo comprometimento com o clube. É com esses ingredientes que Saulo de Freitas espera montar um time vencedor e capaz de se moldar ao longo do Paranaense e da Copa do Brasil para o grande desafio: a volta à elite nacional.
A diretoria promete anunciar um zagueiro, um meia e um atacante (restariam pequenos detalhes nessas transações) nos próximos dias. Mesmo assim, há um receio.
O grupo é jovem e a falta de experiência pode pesar em momentos decisivos. A rigor, apenas o zagueiro Luiz Henrique e o volante Beto têm maior rodagem. Isso pode determinar a permanência de Nem para a temporada 2008. O jogador já manifestou o desejo de continuar na Vila Capanema e o vice de futebol Durval Lara Ribeiro não descartou essa possibilidade.
Em 2007, o zagueiro não conseguiu repetir a performance de sua primeira passagem pela Capanema. Em 2000, foi o grande capitão da campanha vitoriosa na Copa JH. Sete anos mais experiente, Nem conviveu com lesões e diante das indefinições técnicas sequer conseguiu impor a sua liderança diante de um grupo visivelmente disperso. Vavá Ribeiro deve voltar a conversar com Nem nos próximos dias e, dependendo de ajustes financeiros, pode definir a permanência do xerifão, que no próximo dia 18 de janeiro completa 35 anos.
Paraná despencou no Brasileirão e caiu pra Segundona
| Walter Alves |
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| Cinco trocas de treinadores e a saída de vários jogadores resultaram no rebaixamento do Tricolor, que em 2008 tem um grande desafio pela frente. A torcida ficou com cara de palhaço. |
E, para quem estava sob suspeita, o início da temporada foi promissor, com duas vitórias seguidas.
Só que nesse momento, o Paraná sofreria um revés que se mostraria, com o decorrer do tempo, irreparável.
O clube não conseguiu segurar Zetti -que foi para o Atlético Mineiro - nem o restante da comissão técnica. O fato daria início a uma grande ciranda, altamente danosa ao Tricolor.
Ainda mais num campeonato equilibrado e que premia a regularidade. Com Pintado, o time até obteve rendimento razoável, mas com alguns tropeços marcantes.
Mesmo em meio a alguns deslizes, o Tricolor se mantinha entre os primeiros colocados. No fim, ficou provado que durante esse período, o Paraná viveu de aparência. Pintado trocaria o clube pelos dólares dos Emirados Árabes Unidos e aí o time desandou. Gilson Kleina - escolhido pelo então presidente José Carlos de Miranda, contra a rejeição pública - não conseguiu arrumar a casa. O Tricolor parecia mais um caminhão desgovernado... e ladeira abaixo.
Nos oito jogos sob o seu comando, com apenas uma vitória, só dois gols foram marcados. Antes disso, mesmo vivendo da dependência de Josiel, o Paraná se mantinha num bloco de destaque em relação à artilharia. Lori Sandri assumiu então o comando técnico do Tricolor e chegou a esboçar reação. Mas, nesse ponto, era visível a falta de identidade do grupo. Um elenco emocionalmente frágil e sem comprometimento com a instituição.
Reações pontuais só ocorriam em alguns jogos em casa, onde o time era empurrado por sua torcida. No fim, o Paraná fecharia a temporada com a incrível marca de treze jogos seguidos sem vitória (na condição de visitante). Desses, foram 12 derrotas e um empate. Nem mesmo a chegada de Saulo de Freitas adiantou. O quinto treinador da equipe só repetiu os insucessos de seus antecessores. Ao menos com uma novidade: passou a apostar nos pratas da casa, dando espaço para Gabriel, Jumar e Giuliano.
É curioso notar como essa é quase sempre uma regra nos times marcados pelo fracasso. Sem obter resposta dos medalhões, os treinadores tentam virar o jogo com a garotada, apelando para a maior identidade desses jogadores com as cores do clube. Mas não foi suficiente. O Paraná chegou ainda com chances à última rodada, mas foi massacrado pelo Vasco (3x0), vendo o seu destino se confirmar. Em 2008, o clube disputará a Série B, sem o dinheiro da tevê e sem o status de grande que ostentou nas últimas temporadas. Uma volta às origens.
Miranda foi o grande personagem da queda
| Valquir Aureliano |
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| Negociações suspeitas e falcatruas foram reveladas em setembro e contribuíram decisivamente no rebaixamento da equipe pra Série B. |
José Carlos de Miranda se diz inocente, mas contratos duvidosos assinados com o empresário Léo Rabello e cheques que foram parar em sua conta indicam o contrário. O caso vai se arrastar no mínimo até fevereiro, quando o conselho deliberativo promete julgar o ex-presidente. Até lá, o vexame se mantém como um fantasma, arrastando suas correntes nos corredores de Vila Capanema. Deslizes administrativos à parte, não se pode negar que o Paraná não foi o mesmo de anos anteriores no que diz respeito à avaliação de seu grupo.
Talvez sob os holofotes da Libertadores, o Tricolor tentou mudar o seu perfil, dar um salto de qualidade para o qual não estava preparado. Porém, mesmo reformulando quase que integralmente seu elenco, o Paraná teve bons momentos no primeiro quadrimestre. Tinha uma zaga sólida - com Daniel Marques e Aderaldo, que logo trocaria o clube pelo futebol chinês -, um meio-de-campo pegador e um ataque veloz, com destaque para o habilidoso Dinelson, o rápido Henrique e o matador Josiel. Só que esse time - que ainda carecia de reforços - foi desfeito. Aderaldo, Xaves, Dinelson e Henrique saíram e a reposição foi falha.
No fim, o Paraná teve, só no Brasileiro, 44 jogadores. Pior do que isso, cinco treinadores. Uma matemática perigosa e que se confirmaria como o fator de maior peso para a queda do clube. Um revés emblemático para o Tricolor, que sempre se orgulhou por jamais ter sido rebaixado em campo. Agora, por deslizes em todos os fundamentos - da administração ao grupo de jogadores -, o Paraná terá que reencontrar seu norte na Segundona.
























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