Morre Mauro Ramos, o capitão do bi

Redação O Estado do Paraná Publicação 19/09/2002 - 03h21 Atualizado 19/01/2013 - 20h35
Mauro ergueu a Jules Rimet em 1962, no Chile.

Morreu na manhã de ontem em Poços de Caldas, Sul de Minas Gerais, vítima de câncer no estômago, o ex-jogador Mauro Ramos de Oliveira, capitão da seleção brasileira bicampeã mundial, no Chile, em 1962. Ele teve uma passagem pelo futebol paranaense. Em 1984, Mauro treinou o Coritiba.

"Infelizmente, estávamos prevendo isso, já que a doença era irreversível", contou Pepe, ex-companheiro de Santos e de seleção brasileira. "Era uma pessoa maravilhosa, que tinha um carinho grande pelos jogadores mais jovens."

Mauro Ramos tinha 72 anos e estava internado desde o dia 2. O corpo do ex-zagueiro foi velado na Câmara Municipal de Poços de Caldas, onde morava com a família, e o enterro foi realizado no final da tarde de ontem.

Mauro se destacou pelo futebol elegante e técnico, que lhe rendeu o apelido de Martha Rocha - miss Brasil e sensação dos concursos de beleza nos anos 50. "Ele não era só elegante dentro de campo. Fora de campo também se vestia muito bem, por isso ganhou o apelido", lembrou Pepe.

Com sua técnica refinada, fez parte de dois esquadrões: o São Paulo do fim dos anos 50 e o Santos de Pelé. Pelo clube do Morumbi, Mauro disputou 444 partidas, mas nunca marcou gol. Em pouco mais de 12 anos de clube, conquistou quatro campeonatos paulistas (1948/49/53 e 57). Mas foi no Santos onde brilhou mais, conquistando cinco títulos estaduais, o penta da Taça Brasil, o bi da Libertadores e o bi mundial interclubes.

"Uma grande perda para o futebol brasileiro e mundial", resumiu, emocionado, o ex-jogador Mengálvio. "Trabalhamos juntos por cerca de dez anos. Quando cheguei, ele já devia ter uns 30 anos. Me ensinou muitas lições, dentro e fora de campo. Era um grande amigo."

O ex-ponta Edu, companheiro de Santos, era um dos mais abalados: "Era como um pai para mim. É uma perda irreparável. Éramos muito chegados e mantínhamos essa forte amizade".

Pela seleção, Mauro foi reserva nas copas de 1954 e 1958. Para ganhar um lugar no time titular e a tarja de capitão, em 1962, chegou a pedir uma passagem de volta ao Brasil depois que ficou sabendo que o técnico Aymoré Moreira pretendia escalar Bellini em seu lugar, no jogo de estréia, contra o México. "O Aymoré queria o Bellini porque já tinha sido o capitão em 58. Mas depois que o Mauro ameaçou deixar a delegação, não só ganhou a vaga como ficou sendo o capitão", contou Pepe, atacante das copas de 1962/66.

O grande companheiro de Mauro sempre foi Zito, tanto na seleção quanto no Santos. "Foi capitão de uma Copa e tinha excelente caráter. Deixará uma grande lacuna na história do Santos e da seleção", disse o ex-armador Zito.

Homenagem

O ex-jogador Edvaldo Alves Santa Rosa, o Dida, que morreu terça-feira no Rio, aos 68 anos, de insuficiência hepática e respiratória, será homenageado pelo Museu dos Esportes de Alagoas, que leva seu nome, com a apresentação de um vídeo com suas jogadas geniais e uma palestra sobre sua vida profissional. O corpo de Dida, que nasceu em Alagoas, foi sepultado ontem no Cemitério São João Batista, na capital carioca.


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