Serasa e Acrefi preveem acomodação da inadimplência

Publicação 23/04/2012 - 18h26 Atualizado 08/03/2014 - 04h30

Os indicadores de inadimplência que tanto surpreenderam pelo movimento de alta nos primeiros três meses deste ano devem se acomodar já a partir do segundo trimestre, preveem os economistas-chefes da Serasa Experian, Luiz Rabi, e da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas. A discussão sobre atrasos nos pagamentos de dívidas, tanto de pessoas físicas quanto de jurídicas, voltou à tona com a onda de divulgação de balanços de bancos relativos ao primeiro trimestre deste ano.

O Bradesco, por exemplo, divulgou nesta segunda-feira, em seu balanço trimestral, que suas despesas com provisões para devedores duvidosos cresceu 16,3% no primeiro trimestre comparativamente ao quarto trimestre de 2011, para R$ 3 bilhões. O aumento do provisionamento teria ocorrido em resposta ao aumento da inadimplência, de um nível de 3,9%, no quarto trimestre de 2011, para 4,1%, no primeiro trimestre deste ano, segundo dados da própria instituição.

Mas na avaliação dos economistas da Serasa e da Acrefi, o aumento da inadimplência e do provisionamento não deve assustar, pois é um reflexo da deterioração da saúde financeira do consumidor e das empresas no primeiro trimestre. "A inadimplência surpreendeu no acumulado dos primeiros três meses. Os dados do Banco Central já mostraram isso e, agora, os balanços dos bancos estão trazendo estes dados também", relativizou Tingas.

De acordo com o economista da Acrefi, alguns indicadores antecedentes com histórica aderência à curva de inadimplência e ao fluxo de cheques devolvidos, como as pesquisas da Serasa Experian, por exemplo, já contemplam uma expectativa de acomodação. "Nós também estamos com esta expectativa. Primeiro, porque o consumo espontâneo do consumidor diminuiu no primeiro trimestre, com a compressão dos orçamentos e, segundo, porque as carteiras mais antigas que tinham atrasos estão vencendo e, desde o segundo semestre de 2011, reestruturações das dívidas estão ocorrendo", explicou Tingas.

Para Rabi, o efeito de 2011 está aparecendo agora nos balanços dos bancos, que reportam o saldo total da carteira. "Houve uma deterioração ao longo de 2011, que ainda se reflete nos balanços deste primeiro trimestre", disse Rabi. Para ele, os dados de ponta, que são os considerados pela Serasa Experian, já estão com um movimento mais favorável em termos de volume de negativação. "A inadimplência já está desacelerando, principalmente para pessoa física", afirma o economista.

Para pessoas jurídicas, segundo o economista da Serasa, a melhora demora um pouco mais para aparecer porque, entre o início da regularização dos contratos em atraso de pessoas físicas até o começo da regularização das dívidas das empresas, há uma defasagem de cerca de três meses. De acordo com Rabi, à medida que a inadimplência der mostras de diminuição, o provisionamento dos bancos para devedores duvidosos também deve diminuir.

"Os bancos são obrigados, pela Resolução 2.682 do Banco Central, a aumentar o provisionamento conforme a inadimplência cresce. É um negócio quase que reativo", afirmou o economista da Serasa Experian. Não há, de acordo com Rabi, nenhuma conspiração por trás do aumento do provisionamento anunciado pelos bancos. "Eles são obrigados, por força de uma resolução do BC, a aumentar o provisionamento. É claro que, quando fazem isso, os bancos ficam com menos dinheiro para emprestar", explicou Rabi.

De acordo com dados da Serasa Experian, no primeiro trimestre comparativamente aos três primeiros meses de 2011, a inadimplência do consumidor brasileiro registrou alta de 18,2%, e as devoluções de cheques sem fundos pela segunda vez cresceram 2,04%.


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