20/02/2008 às 00:00:46 - Atualizado em 19/07/2008 às 16:42:15

Grimpa do pinheiro vai se transformar em madeira

Nájia Furlan

Foto: Fábio Alexandre

Laura do Cedea, Sílvio Sepkca Moreira e Marli Bosquet, casal que desenvolveu a Tecnologia.

Produzir madeira de araucária, sem cortar a árvore. Essa é a idéia, já patenteada, de um casal do município de Quitandinha, Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

A proposta é a PMGP, ou seja, Produção de Madeira de Grimpa do Pinheiro. Do galho seco (sapé) que cai, naturalmente, é possível se obter um produto bonito, resistente e de muita qualidade. É o que garantem Sílvio Moreira e Marli Bosquet.

O casal conta que na propriedade rural onde mora há um pinheiral, com 60 árvores. Na área, eles criam gado e os animais não pastavam no local por conta dos espinhos da grimpa que se espalhavam. “Passamos a colher. Juntávamos diariamente e guardávamos. Daí surgiu a dúvida sobre o que fazer com todo aquele material. Pensamos em várias hipóteses até chegar a PMGP”, conta Sílvio. A idéia foi patenteada em 2005. E, desde então, o casal foi desenvolvendo estudos e levantando informações até que pudessem divulgar e garantir os benefícios dessa inovação.

Como apresentaram ontem, esta é uma produção auto-sustentável. “O primeiro fator é que você não derruba árvore para obter a biomassa. Apenas colhe as grimpas. Entre as vantagens, você gasta menos energia para triturar e transportar, por ser uma matéria-prima mais leve; gasta menos resina; sem falar que o processo do sapé, que já cai desidratado, é muito mais rápido”, explica Silvio. Segundo ele, enquanto um pinus leva até 30 dias no processo de triturar e secar, a grimpa leva uma semana. A economia em energia de trituração e transporte chega a 50%.

“A matéria-prima já chega da coleta pré-pronta, só passamos depois por peneiras para fazer a definição da granulometria e, em seguida, vai para prensa. O resultado é uma madeira superior, quase como madeira nobre de lei, que pode ser usada na construção civil, na fabricação de móveis. A durabilidade é de 70% a 80% a mais que as madeiras disponíveis no mercado, MDF”, expõe o casal. Como completa Marli, a galho seco que é retirado e não cortado da natureza, é CO2 que deixa de ser emitido. “Com isso podemos desenvolver um projeto de crédito de carbono, tanto para quem colhe a grimpa, como para quem planta araucária para essa produção”, afirma.

Números

Ao fazer um comparativo com o pinus, Sílvio afirma que dessa árvore, por exemplo, são retirados três mil quilos para se aproveitar 1,4 mil quilos e produzir um metro cúbico de madeira. Já da grimpa, segundo ele, de 1,2 mil quilos que são retirados da floresta tudo é aproveitado para se produzir um metro cúbico da PMGP. A coordenadora do Centro de Estudos, Defesa e Educação Ambiental (Cedea), Laura Moura e Costa, vê no projeto, além de uma iniciativa pró-ambiental, uma fonte de emprego. “Temos que criar uma cultura e estimular o consumo de um produto que não degrada e é auto-suficiente”, conclui. 

Comentários desativados

Você sabe o que deixamos de informar? Envie sua sugestão