Preço do GNV alcança litro do álcool

Jornalista Externo Publicação 31/08/2007 - 00h00 Atualizado 19/01/2013 - 21h16

Foto: Arquivo

Gás natural: promessa era que seria mais barato.

Os preços do álcool combustível estão equiparados aos preços do gás natural veicular (GNV) nos postos de abastecimento. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do litro do álcool em agosto de 2007 está em torno de R$ 1,361, com queda de 15,94% em relação ao preço médio registrado em agosto do ano passado. O metro cúbico do GNV, por sua vez, está em torno de R$ 1,337, com aumento de 6,70% sobre a média de preços apurados pela ANP em agosto de 2006. Desde o final do ano passado, a Petrobras passou a reajustar os preços do gás para as distribuidoras, que agora estão repassando aos consumidores.

No Paraná, o preço do gás natural já ultrapassou o do álcool combustível. Em agosto, segundo a ANP, o litro do álcool em Curitiba - que concentra a maioria dos postos que revende GNV no Estado -está custando, em média, R$ 1,378. Já o metro cúbico do GNV está sendo revendido a R$ 1,454, em média. Há um ano, a diferença de preço entre ambos era menor: enquanto o álcool custava R$ 1,504, em média, o metro cúbico do GNV já era revendido a R$ 1,45. Já em agosto de 2005, o preço dos dois combustíveis era praticamente igual na capital paranaense: o GNV custava R$ 1,23 o metro cúbico, enquanto o litro do álcool, R$ 1,255, em média.

Enquanto um veículo a GNV roda, em média, de 12 a 15 km por metro cúbico, o mesmo carro rodaria 11 km por litro de gasolina e 8 km por litro de álcool.

País

Em nível nacional, essa é a primeira vez que os preços dos dois combustíveis ficam praticamente nos mesmos níveis, junto ao consumidor final. Em agosto do ano passado, por exemplo, o litro do álcool era comercializado em torno de R$ 1,619, enquanto o metro cúbico do GNV estava em torno de R$ 1,266. Em março último, antes do início da colheita da safra de cana-de-açúcar, o derivado da cana estava em R$ 1,581, enquanto o metro cúbico do GNV era comercializado por R$ 1,253. A queda nos preços do álcool este ano reflete o aumento da safra, que resultou em quedas maiores junto ao consumidor.

Pelos dados da ANP, o Rio de Janeiro é uma poucas cidades do País em que o GNV continua custando menos do que o álcool, com o metro cúbico do gás veicular sendo comercializado por R$ 1,268, enquanto o litro do álcool é vendido por R$ 1,506. Em São Paulo, o litro do álcool caiu para R$ 1,138 (queda de 16,14% sobre a média de agosto de 2006), enquanto o GNV custa, em média, R$ 1,146. Em Ribeirão Preto, que passou a ter postos de GNV no final do semestre passado, o álcool está sendo comercializado por apenas R$ 1,047 o litro, enquanto o gás veicular tem preço médio de R$ 1,390.

Câmara Federal aprova Lei do Gás

A Comissão Especial da Câmara Federal aprovou na última quarta-feira a Lei do Gás, que estabelece as normas para a regulamentação da pesquisa, exploração, comércio, armazenagem, distribuição e transporte de gás natural no Brasil. O projeto de lei 6673/06, que cria a Lei do Gás, deve seguir para deliberação do Senado, sem necessidade de nova votação no plenário da Câmara. Depois de aprovada no Senado, segue para sanção presidencial.

Para o deputado federal Max Rosenmann, presidente da comissão especial, trata-se de um passo decisivo para garantir o aumento dos investimentos para a prospecção e exploração de novas reservas, permitindo assim a consolidação do gás natural como uma matriz energética de fundamental importância para a economia e o desenvolvimento do Brasil.

“O mais importante desse trabalho foi que estabelecemos uma legislação transparente ao setor, e com isso, o País terá condições de atrair mais investimentos privados para aumentar a produção e garantir o atendimento da demanda que é crescente, tanto por parte dos usuários residenciais quanto das indústrias e grandes empresas”, comentou Rosenmann, lembrando que o gás natural já representa hoje perto de 10% da matriz energética do País, e a previsão e que o consumo cresça dos atuais 57 milhões de metros cúbicos por dia para 267 milhões de metros cúbicos por dia em 2030.

O texto final prevê a concessão como regra para a exploração de gasodutos, mas permite o regime de autorização quando o duto for construído a partir de um acordo internacional ou atender apenas um cliente - como é o caso de gasodutos da Petrobras. Com isso, ficam garantidos os planos investimentos da Petrobras já em andamento. O novo texto ainda permite que a Agência Nacional do Petróleo estenda por 30 anos a autorização de funcionamento dos gasodutos já em operação.

O substitutivo também define regras gerais para um eventual plano de contingência do fornecimento de gás natural - que seria decretado pela Presidência da República, caso se configurasse situação de restrição no fornecimento do combustível. A comissão manteve o atual regime dos gasodutos “de transferência” e “de consumo próprio”, que são os que abastecem unidades pertencentes à mesma empresa que explora o gás.


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