A dura vida na boléia de um ônibus

Lawrence Manoel Publicação 30/10/2004 - 00h00 Atualizado 19/01/2013 - 20h47

Trânsito, passageiros, risco de acidentes, a vida de um motorista de ônibus é realmente estressante. Quem o vê diariamente em sua profissão, imagina que sua função é apenas dirigir o veículo, mas as responsabilidades que são passadas a esses profissionais são bem maiores. Sttepenson Linhares Gonçalves, 38 anos, dirige ônibus há vinte. Ele já foi caminhoneiro, dirigiu ônibus rodoviário, mas desde 1994 trabalha com ônibus urbanos.

Gonçalves lembrou que nos ônibus convencionais (Interbairros, alimentadores etc.) a atenção deve ser redobrada com o trânsito e a descida dos passageiros. "O pára-pára é que estressa", contou, reclamando também da existência dos radares. "A diferença é que a Diretran não aceita o tacógrafo como argumento para contestação de multas. Estou no terceiro recurso de uma multa que levei na rápida do Portão. O radar marcou 78 km/h, mas o tacógrafo registrou 46 km/h", contou.

Ele destacou que quando se dirige um ônibus se preocupa com a segurança dos passageiros, em cumprir o horário pré-determinado para a linha e em entregar o ônibus nas melhores condições ao seu companheiro. "O nível de adrenalina é altíssimo. Alguns motoristas reclamam dos motoristas de ônibus. Dizem que somos donos da rua. Na verdade andamos de acordo com o que o nosso horário exige". Ele lembrou que, quando foi lançada, em 95, a linha de biarticulado Santa Cândida-Capão Raso deveria ser feita em 56 minutos. "Aumentaram uns dez sinaleiros e o tempo continua o mesmo", reclamou.

Na direção do biarticulado também há a solidão, poia não existe cobrador. Mas isso não assusta Gonçalves: "O que preocupa é que a responsabilidade aumenta, já que um ônibus cheio leva 280 vidas. São 25 metros que temos que atender", comentou. Ele lembra que, à convite da Volvo, já esteve até na Jamaica, ensinando como se "doma" um biarticulado: "Sempre participo de testes de novos modelos. Está para ser lançado um biarticulado, cuja direção é central e existe uma cabine para o motorista", revelou.

No biarticulado, apesar de existir uma canaleta exclusiva, há outras preocupações. São cinco portas para abrir, uma mensagem de voz com o nome das estações, além da forma certa de se estacionar o veículo perto da estação-tubo. "Há marcação no chão para nos orientar. Aliás, elas sempre estão apagadas. Um motorista novo tem dificuldades".

Salário

Segundo Gonçalves, o salário de motorista de ônibus urbano era o melhor e mais disputado entre todos os motoristas há dez anos. Hoje já não atrai tanto. Motoristas novos entram, ficam poucos meses e acabam saindo das empresas. "O que se faz é treinar o cobrador para ser motorista no futuro. Acho certo, pois a empresa deve zelar por um bom funcionário. Se ela tem um que é cobrador, não há nada errado em promovê-lo", contou.


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