Cavas na RMC já fizeram duas vítimas no início de 2014

Carolina Gabardo Belo Publicação 14/01/2014 às 00:00:00 Atualizado 14/01/2014 às 05:33:47

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Gerson Klaina

Primeiro corpo do ano foi retirado pelos bombeiros em Pinhais, na tarde de 1.º de janeiro.

Logo nos primeiros dias do ano, Curitiba e Região Metropolitana registraram duas mortes por afogamentos em cavas e represas. Para as autoridades, esta é uma estatística que ainda deve aumentar até o final de 2014, especialmente nos dias de bastante calor e finais de semana, quando os frequentadores destes locais desrespeitam as orientações dos Bombeiros e da Defesa Civil para se arriscarem em pontos impróprios para banho.

Em todo o ano passado sete pessoas morreram na grande Curitiba, sendo três apenas na capital, de acordo com levantamento da Defesa Civil. Na maioria das situações, as ocorrências são em áreas de difícil acesso, comprometendo ainda mais o resgate das vítimas. O problema se agrava por se tratarem de pontos impróprios, que não contam com a presença de guarda-vidas, apesar de alguns apresentarem sinalização. “É um local impróprio para banho. Se colocássemos guarda-vidas estaríamos habilitando, mas a ideia é reforçar que as cavas não são locais para se banhar”, destaca a Tenente do Corpo de Bombeiros, Tamires Pereira.

“Principalmente no Parque Náutico, no Zoológico e no Passaúna, a Guarda Municipal faz rondas e dá orientação”, afirma a responsável pelo planejamento da Defesa Civil de Curitiba, Leoni Obadowski Ledur Moreira. No entanto, ela descarta a possibilidade de monitoramento das áreas de risco, que se estendem por toda a Região Metropolitana, como nos municípios de Fazenda Rio Grande, Pinhais, Piraquara, Araucária, Quatro Barras e outros. “Não tem como monitorar, muitos se formam de areais que vão escavando, drenando, tirando areia”, diz.

Perigo

As razões para que o banho em cava seja proibido são várias. A irregularidade do fundo é um dos principais argumentos, pois o terreno é inconstante, podendo apresentar buracos fundos a qualquer momento. Além disso, são inúmeros materiais descartados nas cavas, desde eletrodomésticos e móveis até veículos, animais ou pessoas mortas. “Já encontramos um trator em uma pedreira em Campo Magro. E no final de semana o local enche”, observa a tenente. Sem controle de qualidade da água, os riscos à saúde são iminentes, com a possibilidade de intoxicação ou doenças como micoses ou bichos geográficos.

A diferença térmica da água também é perigosa. “É água de manancial, muito fria. Nos primeiros centímetros pode estar quente, mas depois fica muito gelada, causando congestão e choque térmico”, completa a oficial.

Perigo pras crianças

A Tenente do Corpo de Bombeiros Tamires Pereira ainda alerta os pais sobre o comportamento dos filhos após a volta às aulas. Apesar de terminado o período de férias, as cavas ainda representam um perigo, já que muitos estudantes matam aula para se banhar em áreas próximas às escolas onde estudam.

“Principalmente em Fazenda Rio Grande e Piraquara, temos escolas perto de cavas. Por isso, a orientação do Corpo de Bombeiros é que os pais verifiquem com frequência a presença dos filhos na sala de aula”, alerta Tamires.

Famílias


As estatísticas dos Bombeiros mostram que entre janeiro e fevereiro, o perfil principal de vítimas de afogamento em cavas são homens, com idades entre 15 e 30 anos, com estilo mais “família”, já que vão até as cavas na companhia de parentes, muitas vezes crianças e adolescentes.


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