Tratamento de câncer de próstata possui opção que reduz sequelas

Magaléa Mazziotti Publicação 04/02/2012 - 13:31:08 Atualizado 19/01/2013 - 22:16:19

Tão difícil quanto receber o diagnóstico positivo de um câncer de próstata, é verificar que as opções clássicas de tratamento - radioterapia ou cirurgia - oferecem um leque de sequelas bastante desconfortáveis como: incontinência urinária e dificuldade de ereção.

Na contramão disso, uma terceira opção baseada no uso de ultrassom focalizado de alta intensidade, o chamado HIFU (High Intensity Focused Ultrasound), vem conseguindo o que parecia improvável até então: eficácia absoluta na cura com um ganho incomparável de qualidade de vida aos pacientes após o tratamento.

No Brasil, a técnica começou a ser utilizada em janeiro de 2011, em Curitiba, no Hospital Nossa Senhora das Graças, que possui o equipamento Sonablate 500, que viabiliza o procedimento. O médico uro-oncologista e presidente da Associação Latino-Americana de Uro-Oncologia (Urola), Marcelo Bendhack, conta que os 20 pacientes que já foram submetidos ao HIFU responderam plenamente ao tratamento. ‘O tumor foi eliminado e o PSA (antígeno prostático-específico) baixou para os índices aceitáveis‘. O PSA é monitorado por exame de sangue e junto ao exame de toque retal, serve como meios para diagnosticar o câncer de próstata.

O HIFU apresenta taxas de eliminação da doença de 83%, após 8 anos de acompanhamento dos pacientes.
Contudo, é nos relatos dos pacientes que se percebe a importância dessa opção.

Um guarda civil aposentado, de 55 anos, aponta a mudança de perspectiva gerada pela nova técnica. Segundo ele, o diagnóstico foi no início e tinha boas chances de cura, mas enquanto na radioterapia havia o risco de um atrofiamento da bexiga e algum sangramento anal, na cirurgia, o risco de impotência é da ordem de 60%. ‘Com isto, eu estaria urinando na roupa e impotente aos 55 anos de idade. Estaria ferrado‘, definiu o enfermo que descobriu pela internet a nova técnica e a possibilidade de fazer isso no Brasil. No caso do HIFU, o risco de dificuldade de ereção cai para 30% e o taxa de problemas com incontinência urinária não chega a 2%.

Para estar habilitado a essa possibilidade de tratamento, o ideal é que a próstata tenha até 40 gramas e que o tumor esteja localizado, ou seja, ‘sem criar raízes‘ fora da região. ‘Quando a próstata é menor, dá para submeter o paciente a procedimentos como a raspagem para depois aplicar o ultrassom‘, explica o médico. Sobre a faixa etária, o médico diz que não há qualquer restrição. ‘O paciente vai para casa no mesmo dia. ‘É menos severo que os demais recursos e pode ser feito várias vezes, no caso do tumor não ser eliminado por completo‘.

Custo

Na comparação com os demais tratamentos, o HIFU se mostra bastante competitivo. Entretanto, pelo Sistema Único de Saúde, ainda não é possível ter acesso, embora já haja uma solicitação para a liberação desse procedimento na Secretaria Estadual de Saúde do Paraná. ‘Não tem cabimento restringir o acesso a algo que garante uma qualidade de vida muito melhor aos pacientes‘, defende Bendhack. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que haverá 60 mil novos casos de câncer de próstata neste ano, o que torna mais evidente a importância da saúde pública em ofertar tratamentos menos invasivos e mais eficientes.


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