Regiões do interior do Paraná sofrem com falta de médicos

Luciana Cristo Publicação 08/02/2009 - 00:10:00 Atualizado 19/01/2013 - 21:32:50
Átila Alberti
Corredor de hospital em Matinhos: problema é a distribuição no Estado.

Vaga no Programa Saúde da Família (PSF) por R$ 11 mil, de ginecologista/obstetra por R$ 10 mil ou trabalhar 10 horas por dia em posto de saúde por R$ 7 mil. Isso em Corumbataí do Sul (noroeste do Paraná), Nova Laranjeiras (centro-sul) e Ortigueira (centro), respectivamente. Mas salários superiores à média dos grandes centros não são suficientes para preencher todas as vagas para médicos no interior do Paraná.

A atração por cidades maiores e com melhor infraestrutura, na maioria das vezes, fala mais alto no planejamento de carreira dos médicos. E o Paraná não foge à regra nacional: pelos dados do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), o Estado tem 89 municípios sem médicos residentes.

Aliado às precárias condições de trabalho, o prazo limitado de contratação, a falta de estabilidade e as dificuldades de manter-se atualizado longe dos grandes centros faz com que os médicos, de maneira geral, não queiram exercer a profissão em pequenas cidades.

Em todo o Paraná são 33.363 médicos que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Dentro da indicação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de um médico a cada grupo de mil habitantes, a proporção é boa: um para cada 308 paranenses.

Essa escala se repete em cidades como Curitiba (um para cada 255); Maringá (um para cada 175) e Campo Mourão (um para cada 166). Mas a quantidade acaba sendo um parâmetro simplista na hora de avaliar o atendimento médico no Estado. Sem contar ainda que mesmo os números do cadastro do CNES geram dúvidas, já que se refere ao número de médicos cadastrados, que não estão necessariamente atuando.

Buscando um balanço mais fiel à realidade, o CRM-PR detém um balanço baseado onde os médicos moram. Mesmo assim, defasado, já que não leva em conta médicos que atendem mais de um município. Por isso, o CRM trabalha em um recadastramento dos profissionais, que deve ficar pronto em 2010.

O problema, então, não é a falta de médicos, mas a sua distribuição. "Todos os municípios do Paraná têm médicos, embora em alguns não haja residentes. Agora, quando se consideram as especialidades, ainda não temos oferta suficiente e não vamos ter tão cedo", admite o superintendente de gestão de sistemas de saúde da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Irvando Carula.

Segundo ele, a Sesa está investindo na descentralização do atendimento e na expansão do atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ainda este ano. Carula ressalta que o Paraná tem uma rede de alta complexidade disseminada, mas concorda com a dificuldade de levar médicos para o interior.

"É muito mais cômodo atender em uma grande cidade, onde também é mais fácil conseguir pacientes particulares, do que ficar em um município no qual você é o único médico, muitas vezes fazendo plantão de 24 horas", diz.

Em decorrência disso, a rotatividade de médicos no interior na atenção primária é muito grande. Investir na construção e reforma de hospitais, como em Francisco Beltrão e Paranaguá, é outra estratégia do governo estadual.

Abrir escolas não resolve má distribuição

Daniel Caron
Carula: ainda faltam especialistas.

Investir na interiorização de médicos recém-formados em escolas públicas é uma das estratégias de países da América Latina para suprir a demanda de cidades pequenas. No México, por exemplo, o estudante só obtém o registro de médico depois de um período de prestação de serviço civil. Em outros países, essa atuação é, ao menos, recomendada.

Já a ideia de abrir novas escolas de Medicina não é suficiente para que os profissionais residam em cidades pequenas, conforme destaca o presidente do CRM-PR, Miguel Hanna Sobrinho. "Pessoas do Brasil inteiro vão para determinada localidade e isso não fixa necessariamente os médicos por lá. A abertura de novos cursos é bem-vinda dentro de um planejamento", opina.

Condições de atualização profissional e estabilidade são outros pontos levantados por Hanna Sobrinho na opção do profissional. "Concursos não acontecem em cidades de menor porte. Geralmente é por contrato, que pode ser rompido a qualquer momento, tornando insegura a presença do profissional. As condições de trabalho são tão importantes quanto a remuneração, assim como vantagens para constituir família, ter vida social e lazer", completa.

Não ter a perspectiva de progressão na carreira é o principal fator apontado pelo presidente do Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), Mario Antonio Ferrari, como falta de motivação para que o médico vá para regiões mais distantes. "O movimento sindical tem encaminhado propostas para um plano de cargos e salários, semelhante ao de juízes e promotores, que precisam ir para comarcas distantes", compara.

A discussão acontece em todo o Brasil. "Nossa ideia é apresentar a proposta no âmbito estadual e nos principais municípios nos próximos dois meses, tendo como exemplo o modelo do Distrito Federal, que já tem plano de cargos para os médicos".

Enfermagem

Segundo estimativa da presidente da Associação Brasileira de Enfermagem (Aben) Paraná, Carmen dos Santos, seria necessário um efetivo 30% maior para atender o Estado, incluindo enfermeiros, técnicos e auxiliares. Hoje, há cerca de 59 mil profissionais de enfermagem no Estado, sendo 12 mil enfermeiros. Ela diz que a maior defasagem está nos extremos sul e norte, sendo que a formação voltada para especialidades prejudica a fixação em localidades mais necessitadas.

Desafio para novos prefeitos

De janeiro até agora, algumas das novas gestões municipais já anunciaram melhorias na área da saúde. Quatro Barras começou a contratar médicos especialistas e General Carneiro já passou de quatro para dez profissionais da saúde. Pato Branco abriu concurso para plantonistas em clínica-geral, plantonistas em pediatria, médicos ambulatoriais e PSF.

Segundo o presidente da Associação dos Municípios do Paraná e prefeito de Castro, Moacyr Fadel, os pequenos municípios fazem o possível para atrair os profissionais, como aluguel de casa e transporte, mas não é o suficiente. "Ao redor de Curitiba, o salário gira em torno de R$ 5 mil. Em Castro ou Ventania, por exemplo, é quase o dobro e mesmo assim há déficit", aponta.

Na capital, na semana passada, foi anunciado concurso para contratar 82 médicos, nas áreas de clínica-geral, ginecologia e obstetrícia, pediatria, psiquiatria e medicina do trabalho. As inscrições estão abertas até 20 de fevereiro. Outras vagas podem ser consultadas no site www.crmpr.org.br.


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Esta notícia já contém 6 comentários.

  • Bob R
    08/02/2009 - 22:21

    Coloca os recém formados da Universidade Positivo que não foram reconhecidos pelo MEC ou os bagunceiros, bêbados da UEL, fico imaginando a qualidade desses ex alunos, está cada vez mais comum acontecer o erro médico levando a morte o paciente!

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  • Iran Domingues Pizzolatti Alves
    08/02/2009 - 09:32

    Nem dez por cento do CPMF foi aplicado na Saúde. A criação dp CPMF foi belíssima, mas a utilização foi sórdida.

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  • antonio justiniano
    08/02/2009 - 09:22

    Agradeçam pelo fim da CPMF, esperavam o quê, os efeitos estão chagando.

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  • Iran Domingues Pizzolatti Alves
    08/02/2009 - 08:28

    manipulada por despretarados A internet esta ai é só sentar e estudar . E se possivel fechar algumas Faculdades por este Brasil sofrido.

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  • Iran Domingues Pizzolatti Alves
    08/02/2009 - 08:23

    ate fazer fama que com os particulares aumentarão sua renda.Há necessidade absoluta de o CFM CRM exigir com maior rigor os exames de final de ano, antes da colação de grau, pois a Medicina é uma Profissão seríssima e não pode estar sendo manipulada p

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