Depressão crônica e seus sintomas

Redação O Estado do Paraná Publicação 14/11/2007 às 00:00:17 Atualizado 19/01/2013 às 21:17:58

depressao141107.jpgLevantar, tomar um banho, sair para trabalhar, encontrar com amigos e colegas. Situações básicas do dia-a-dia que todos realizam com facilidade, menos as pessoas vítimas da depressão. Quem já teve algum sintoma da doença sabe o que é ter que “carregar todas as culpas do mundo.” Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta cerca de 340 milhões de pessoas e causa 850 mil suicídios por ano em todo o mundo. No Brasil, estimativas apontam que já são cerca de 13 milhões de depressivos.

“O deprimido sente uma apatia generalizada, perde o interesse por quase tudo o que costumava lhe dar prazer”, comenta a psiquiatra Giuliana Cividanes. Assim, sair com os amigos ou conhecer novas pessoas, por exemplo, “pode se tornar extremamente angustiante”, reconhece. Essa apatia pode levar o paciente a ter uma impressão cada vez mais negativa de sua vida e de sua realidade. A chamada anedonia (perda de prazer em geral) e a perda de energia levam o indivíduo a crer que não irá se libertar desse mal-estar e, em última instância, só lhe restará o completo isolamento. A fadiga crônica e a falta de energia para realizar das tarefas mais simples às mais complexas afetam diretamente o convívio social. “Se uma pessoa com depressão sente-se cansada até mesmo para tomar um banho, como irá pensar em sair para uma happy hour ou se reunir com os amigos?”, questiona a médica, salientando que essas atividades sociais demandam esforço e energia para esse tipo de paciente.

Depressão crônica

“O mais comum é o paciente perder o prazer de realizar atividades cotidianas e se sentir angustiado, melancólico e sem energia para nada”, observa a especialista. Eles se sentem apáticos, sem motivação, e os pensamentos quase sempre são negativistas. Muitas vezes chegam a pensar em suicídio, embora, na maioria das vezes, não de forma concreta. Vera Lúcia Nunes, analista de crédito, diz que começou a se sentir deprimida quando perdeu o irmão, com quem morava em Curitiba, num acidente de carro. “Não saia mais de casa e ficava envolvida com sentimentos de culpa”, conta. Os médicos explicam que esses sentimentos costumam variar de pessoa para pessoa e podem sofrer variações ao longo do tempo. “Não se deve confundir depressão com tristeza ou ‘baixo-astral’, situações que vêm e vão no cotidiano de qualquer indivíduo”, comenta a psiquiatra Maria Amélia Tavares.

O transtorno depressivo pode acontecer uma única vez ou pode se repetir várias vezes, alternando diversos graus de intensidade. Conforme a especialista, quando leve ou moderado, a pessoa ainda consegue realizar suas atividades com esforço, algo impossível quando o distúrbio se torna mais grave. “Quando esses episódios persistem por muito tempo, a depressão é identificada como crônica”, define Maria Amélia. A gravidade é mais acentuada quando a pessoa que sofre de depressão acha que não está doente, se recusando a colaborar nos tratamentos, para os quais são indicados medicamentos antidepressivos para equilibrar os neurotransmissores.

Dose certa

O paciente com depressão, freqüentemente, se queixa da tríade passado-presente-futuro: o passado foi um desastre, o presente é sem sentido e o futuro, sem perspectivas. Com esses sentimentos, morrem as esperanças, e não há futuro sem esperança. Com efeito, a idéia de suicídio está sempre instigando o doente. Segundo o psiquiatra Marcus Weber, por esse motivo, são fundamentais o diagnóstico precoce e um tratamento multidisciplinar, com a associação de diversas condutas, fazendo com que o paciente resgate um mínimo de convívio social, um dos alicerces para a manutenção do equilíbrio mental. O médico recomenda, entre outras atitudes, que o paciente faça caminhadas diárias. “Caminhar libera substâncias que estimulam as funções do cérebro e, por conseqüência, ajudam no tratamento”, frisa.

Para o médico, o primeiro passo em direção à cura é admitir a doença e, a partir daí, buscar um tratamento adequado. Segundo Weber, ainda existe muito preconceito e desconhecimento em relação aos diversos tipos de depressão. “Por isso, o diagnóstico correto pode demorar certo tempo”, atesta. Conforme o psiquiatra, isso se deve à dificuldade de isolar o tipo específico do distúrbio para depois indicar o tratamento adequado. O psiquiatra adianta que nem sempre os médicos estão preparados para reconhecer e tratar a depressão; por isso, muitos pacientes são tratados sub clinicamente. Além disso, algumas vezes são receitados os remédios certos, mas em doses erradas, fato que, segundo Weber, compromete sobremaneira sua recuperação.

Sintomas que, associados, identificam a depressão

* Irritabilidade, ansiedade, angústia, esquecimento;

* Desânimo, cansaço mental, dificuldade de concentração;

* Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer;

* Desinteresse e falta de motivação, baixa auto-estima, apatia, indecisão;

* Sentimentos de medo, insegurança, vazio, desesperança e desespero;

* Pessimismo, idéias freqüentes e desproporcionais de culpa;

* Interpretação distorcida e negativa da realidade;

* Dores e outros sintomas físicos freqüentes e não justificados.


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