Tony Garcia mudou nome nos EUA para Anthony Garibaldi

Redação O Estado do Paraná Publicação 01/10/2002 às 01:00:03 Atualizado 19/01/2013 às 20:35:32

Antônio Celso Garcia ou Tony Garcia ou Anthony Garibaldi. Três nomes, a mesma pessoa. Tony ele adotou ao retornar ao Brasil, depois de uma temporada nos Estados Unidos. Anthony Garibaldi era o nome que usava nos EUA.

Ele e o irmão Marco Antônio resolveram trocar o Garcia por Garibaldi para fugir da discriminação contra mexicanos e seus descendentes, muito forte na Califórnia, em especial na região de Los Angeles, onde os dois foram tentar a vida, no início dos anos 80. Marco, o irmão mais velho, se deu bem: começou a namorar a viúva de cantor Elvis Presley, Priscilla, em 1986. Em 1.º de março de 1987, nasceu o filho de Marco com Priscilla. Foi registrado com o sobrenome que a mãe achava que era do companheiro: Navarone Anthony Garibaldi. Anthony em homenagem, provavelmente, ao tio Tony. Priscilla teria vindo a Curitiba, após o nascimento de Navarone, para conhecer a família Garibaldi, aliás Garcia. E teria ajudado financeiramente seus parentes brasileiros a impulsionar o Consórcio Nacional...Garibaldi.

Voltando ao Brasil, Tony Garibaldi preferiu trocar São Paulo, sua terra natal, por Curitiba, Nos primeiros tempos, dividiu apartamento com um jornalista, com quem montou uma agência de propaganda chamada "Klássica", e começou a namorar uma das filhas do então governador Ney Braga, Nice Maria. Passou a viver com ela, nascendo um filho, que recebeu o nome do tio "americano", Marco Antônio.

Valtec

Com a ajuda do sogro, conseguiu emprego numa agência de publicidade de Curitiba, onde atendia a conta do governo do Estado. Em seguida, ingressou na Valtec - Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, tendo como sócio Newton Coutinho Filho. A Valtec quebrou em 1984 e o Banco Central tornou indisponíveis os bens dos dois sócios. Tony Garcia acabou recebendo a pena de inabilitação permanente para o exercício de cargos de direção na administração ou gerência de instituições na área de fiscalização do BC. Tony recorreu e a punição acabou reduzida de permanente para oito anos. Suspensa a intervenção do BC, bens da Valtec foram comprados por Antônio Eduardo de Souza Albertini, que viria, mais tarde, a ser o comprador do prédio que serviu de sede do Consórcio Nacional Garibaldi.

O consórcio nasceu meses da intervenção do BC na Valtec. Tony Garcia nunca figurou formalmente como sócio, mas, como ressaltou a denúncia do Ministério Público Federal à 2.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, "sempre exerceu de fato o controle acionário, bem como o comando efetivo do Consórcio. A situação de anonimato em que sempre se colocou Antônio Celso Garcia foi-lhe amplamente favorável, visto que lhe possibilitou eximir-se de quaisquer responsabilidades frente às fiscalizações procedidas pela Receita Federal e pelo Banco Central do Brasil".

Luta na justiça

Desde a falência do Garibaldi, Tony vem tentando -com um batalhão de advogados contratados - provar que não tem nada a ver com a empresa que deu o calote em centenas de pessoas, em diversos Estados do País. Mas os promotores da Procuradoria da República no Paraná (Ministério Público Federal) e do Ministério Público do Estado encontraram inúmeros documentos que comprovam a participação efetiva e direta de Tony Garcia na administração do Garibaldi. Inclusive depósitos bancários em favor da sua ex e da atual mulher. Esta até responde a denúncia de ter sido beneficiada por um sorteio fraudado de bem do consórcio, em curso na 2.ª Vara Federal Criminal de Curitiba (denúncia do procurador da República Nazareno Wolff, de agosto de 2001).

Calcula-se que são perto de mil as ações contra o Garibaldi que tramitam na Justiça brasileira, em várias cidades e em todas as instâncias do Judiciário.

Um escritório de advocacia de Campinas (SP), por exemplo, garante que tem mais de trezentas ações ajuizadas, uma das quais logrou sentença do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, que condenou o Banco Central a indenizar uma vítima lesada pelo consórcio. É que o BC não foi eficiente na fiscalização e retardou um processo que chegou a ser instaurado pela delegacia regional de Curitiba e que poderia ter evitado o calote em centenas de pessoas.

BC ajudou

O processo 9300254674, aberto pelos inspetores do BC que constataram graves irregularidades na administração do Consórcio Garibaldi, acabou engavetado, assim como desapareceu o processo 940414666, com o resultado da comissão de sindicância que apurou a omissão do delegado do BC.

Na época, março/abril de 1994, Tony Garcia era candidato ao Senado e qualquer atitude do Banco Central poderia prejudicar a sua campanha. As eleições aconteceram no dia 3 de outubro de 94, Tony perdeu e no dia seguinte, 4 de outubro, o Garibaldi entrou com um pedido de autofalência. A artimanha não funcionou e foi decretada a intervenção e a posterior liquidação do consórcio. A Procuradoria da República não se conformou com a negligência do BC e ingressou em juízo como uma denúncia. A ação (960015891-6) tramita na Justiça Federal em Curitiba.

Duas ações buscam responsabilizar Tony Garcia pela falcatrua do Consórcio Garibaldi. Uma tramita na Justiça Federal desde outubro de 1996. A lentidão justifica-se: Tony se elegeu deputado estadual e ganhou foro privilegiado (Tribunal Regional Federal) e imunidade. Pela fraude, estimada pela Procuradoria da República em R$ 40.102.925,41, foi denunciado em seis artigos da Lei 7.492/86 (que trata dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional), combinados com os artigos 29 e 69 do Código Penal Brasileiro.

A ação voltou a andar a partir da medida provisória que redefiniu os casos de imunidade de parlamentares. Dias antes de cumprir intimação para ser ouvido na 2.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, em agosto último, Tony Garcia conseguiu obter liminar num habeas-corpus impetrado junto ao Superior Tribunal de Justiça, trancando a ação até o julgamento do mérito do recurso. A ordem foi do ministro Vicente Leal, da Sexta Turma do STJ. A decisão foi esta: "O que se postula neste habeas-corpus é o trancamento da ação penal proposta contra o paciente, sob fundamento de falta de justa causa. É razoável que, para evitar constrangimento ilegal, seja suspenso o curso da ação até o julgamento deste writ." O ministro Leal deu vista do processo à Procuradoria Geral da República, para onde foi encaminhado em 30 de agosto último.

Sentença

A outra é uma ação civil pública, proposta em conjunto pelos ministérios públicos Federal e Estadual, em junho de 1997. Sofreu retardamento pela mesma razão do outro processo que tramita na Justiça Federal. Em agosto do ano passado, a juíza de Direito Josély Dittrich Ribas, da 3.ª Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas de Curitiba, proferiu a seguinte sentença: "Julgo procedente o pedido em relação ao requerido Antônio Celso Garcia, para reconhecer o mesmo como sócio da empresa Consórcio Nacional Garibaldi S/C Ltda. E, em conseqüência, decreto a indisponibilidade de seus bens".Tony Garcia recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado e o processo foi distribuído ao relator desembargador Sidney Mora em abril último.


Publicidade

Publicidade

Comente a notícia