Noivos fazem filas para marcar casamento em Curitiba

Joyce Carvalho Publicação 26/11/2006 às 00:00:10 Atualizado 19/01/2013 às 21:07:34

Fotos: Chuniti Kawamura/O Estado

Igreja de Santa Terezinha do Menino Jesus é muito procurada.
Hoje em dia não dá mais para casar por impulso, pelo menos na igreja católica. Os noivos estão agendando o casamento com, no mínimo, um ano de antecedência. Já existem igrejas em Curitiba com casamentos marcados para o segundo semestre de 2008. Esse longo intervalo entre a procura e a cerimônia acontece por diversos motivos. Entre eles estão a escolha da data que os noivos desejam e o tempo necessário para os preparativos.  

Antes mesmo de noivar, a empresária Renata Berehulka marcou o seu casamento na Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus, no bairro Batel. Quando foi se informar sobre a cerimônia, em setembro do ano passado, se desesperou ao ver a quantidade de casamentos que já estavam agendados para 2006. Ela e o então futuro noivo concordaram em estipular o casamento para o dia 8 de dezembro deste ano. O noivado aconteceu em janeiro de 2006. “Quando marquei, já não consegui mais para nenhum sábado, que era o que eu queria. Não tive escolha a não ser pegar uma sexta. Mas valeu a pena”, explica. Ela escolheu esta igreja porque a sua mãe e sua avó casaram no mesmo local.


Renata Berehulka realizou sua cerimônia no bairro Batel.
O caso de Renata não é isolado. A agenda de 2007 da Igreja Santa Terezinha, uma das mais tradicionais para casamentos em Curitiba, já está praticamente completa. De acordo com o monsenhor Luciano Kmieciak, pároco da Paróquia Santuário de Santa Terezinha do Menino Jesus, já existe procura para 2008, mas a agenda só será aberta no início do ano que vem. Normalmente, são realizados três casamentos no sábado e um na sexta. Em 2007, a igreja pretende diminuir a quantidade de horários no sábado.

“As noivas procuram a igreja pela fama, pela tradição. Tudo convida para a cerimônia. Infelizmente, não podemos atender todas que vêm até a igreja com a intenção de realizar seus casamentos”, comenta. A capacidade da igreja é de 600 pessoas sentadas e 400 em pé.


Monsenhor Luciano: “Infelizmente não atendemos todas”.
A procura para celebrações em 2008 também já começou na Igreja Santo Agostinho, no Centro Cívico. “Não deveríamos abrir a agenda de 2008 agora, mas a procura é muito grande”, conta o padre Raimundo Stavitzki, pároco da Igreja Santo Agostinho. A igreja é uma das que mais realizam casamentos na cidade. Criou-se uma empatia pela igreja, que possui um estilo arquitetônico simples, mas nobre, de acordo com o padre. “90% dos casamentos que acontecem aqui são de noivos que não pertencem a esta comunidade”, avalia.

Para dar conta da demanda, são celebrados três casamentos na sexta-feira e outros três no sábado. O calendário de celebrações também está quase repleto para o ano que vem na Igreja São Vicente de Paulo, no Alto São Francisco. Este é outro local muito procurado pelas noivas curitibanas. Segundo o padre Gilson Camargo, pároco da Paróquia São Vicente de Paulo, somente neste ano foram marcados 190 casamentos na igreja. A agenda também já possui reservas para 2008. “Disponibilizamos horários a partir da quinta-feira. Somente no sábado, são quatro celebrações”, avisa. A capacidade da igreja é para 800 pessoas.

Igrejas evangélicas também estão com agendas lotadas

Marcar o casamento para um ano, um ano e meio, também é um fenômeno que acontece em templos de outras religiões. No caso da evangélica, as igrejas de Curitiba também estão lotadas.

A jornalista Paula Girardi Olivo se casou no início de novembro na Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Curitiba. Mas este não foi o primeiro local que Paula procurou para a celebração. Realizou uma “pesquisa” com cinco igrejas.

“Gostaria de me casar na Capela da Primeira Igreja Batista de Curitiba, mas, quando fui ver, só tinha uma data para este ano. Tomei um susto com a quantidade de pessoas que queriam casar no local. É muita gente”, conta Paula. Ela começou a procurar em outubro de 2005 e fechou neste período com a igreja onde casou.

Paula explica que a situação nas igrejas evangélicas é ainda mais complicada do que nas católicas, pois as evangélicas realizam apenas uma celebração por dia. “Depois que eu fechei na Presbiteriana, algumas noivas ainda me ligaram para saber se eu gostaria de trocar a data com elas. Realmente não dá para deixar para a última hora. Todos devem se preparar com antecedência para evitar maiores problemas”, conclui.

Restaurantes preparam seus cronogramas

Foto: Chuniti Kawamura/O Estado

João: “Muita antecedência”.
A espera também faz parte do cronograma de salões de festa e restaurantes onde os recém-casados realizam as suas recepções. A maioria quer aliar a data do casamento na igreja com a da festa. O restaurante Dom Antônio, em Santa Felicidade, tem reservas de 25 casamentos por mês, em média, em seus cinco salões para festas. A capacidade total é de 1,2 mil pessoas. “Tem gente marcando com até um ano e meio de antecedência. Já temos pré-reservas para 2008. A procura é muito grande por sábado”, aponta João Antônio, sócio-proprietário do estabelecimento. No sábado, os cinco salões ficam lotados simultaneamente.

Ele fala que os transtornos são grandes no final de semana por causa da grande quantidade de pessoas. João Antônio também aconselha a realização de casamentos e recepções durante a semana. Além de ser mais fácil para estacionar e atender melhor a demanda, o preço da recepção pode ficar mais barato.

No Santa Mônica Clube de Campo, a agenda para 2009 será aberta no início de dezembro. E já existem muitas reservas para 2007 e 2008. A maioria das pessoas marca a recepção ou o casamento de um ano a um ano e meio de antecedência. “Cerca de 90% das datas do segundo semestre de 2007 estão fechadas”, indica Marco Aurélio de Ávila Carneiro, gerente cultural e de marketing do clube. Somente neste ano, foram marcados 87 festas de casamentos e celebrações no Santa Mônica.

Os dias mais procurados no clube também são sexta e sábado. Atualmente, há também solicitações para domingo no final da tarde e à noite, para casamentos a céu aberto. O clube oferece três opções de salões, com capacidade total de pelo menos 1,4 mil pessoas, dependendo da disposição de mesas e decoração.

Cerimônias viraram grande evento social

Foto: Chuniti Kawamura/O Estado

Padre Gilson: “Linguagem”.
Os casamentos nas igrejas viraram um evento social. São cumpridos diversos rituais antes da celebração religiosa propriamente dita. Enquanto isso, fotógrafos e cinegrafistas tentam pegar os melhores ângulos dos noivos e dos convidados. Sem falar na decoração, que em muitos casos é luxuosa. Tudo isto acaba deixando a celebração em segundo plano.

Por causa disso, a Arquidiocese de Curitiba está conversando com os profissionais que atuam em casamentos, pois toda a estrutura montada para um “conto de fadas” está ofuscando o verdadeiro sentido do casamento na igreja. Serão formuladas algumas orientações para serem colocadas em prática já no ano que vem.

“Não queremos tirar o sonho de ninguém, mas a celebração deve ser mais espiritual, um encontro com Deus. Queremos dar uma mesma linguagem às igrejas ditas casamenteiras, para que os noivos encontrem a mesma orientação. Eles também serão orientados sobre estes aspectos. Não queremos impor nada, mas apenas priorizar o que realmente interessa”, explica o padre Gilson Camargo, da Paróquia São Vicente de Paulo, e que está coordenando estas ações da arquidiocese.

Ele comenta que este é um trabalho de conscientização junto aos profissionais do casamento e os próprios noivos. “Às vezes, fotógrafos e cinegrafistas invadem espaços sagrados. A ornamentação é colocada em locais inadequados. Isto não deve ser algo que gere conflito. Queremos dialogar, pois há mais preocupação com o evento do que o sacramento do matrimônio”, classifica. O padre Gilson destaca que este será um trabalho a longo prazo, feito com mais consistência a partir do ano que vem.


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