'Hoje' reforça debate sobre o Golpe Militar de 1964

Publicação 19/04/2013 - 10h15 Atualizado 19/04/2013 - 07h15

Desejo de lembrar. De reviver o que a gente quer esquecer. Desse modo a diretora Tata Amaral define Hoje, seu novo filme, mais um entre inúmeros projetos que esmiúçam as circunstâncias e consequências do golpe militar de 1964.

Hoje venceu o principal festival do cinema brasileiro, o Festival de Brasília, em 2011. Apenas agora entra em cartaz. Mas não poderia ser em tempo mais oportuno. Primeiro porque há em ação no País uma Comissão da Verdade incumbida, justamente, de trazer à luz os crimes da ditadura. E, segundo, porque, desde 1º de abril entramos em contagem regressiva para o cinquentenário do golpe de 1964, período em que provavelmente haverá uma meditação intensificada sobre sua repercussão na vida dos brasileiros sob a forma de debates, livros e filmes. A hora se mostra, portanto, propícia para que Hoje funcione como uma espécie de ponto de partida para essa reflexão sobre o golpe.

A história mostrada é a de Vera (Denise Fraga), ex-militante política, que emprega o dinheiro da indenização recebido pelo "desaparecimento" do marido durante a ditadura na compra de um apartamento. O filme flagra o momento da mudança para a nova residência. O filme é baseado no romance Prova Contrária, de Fernando Bonassi, autor que forneceu material para o primeiro filme de Tata, Um Céu de Estrelas, em 1996.

Tata conta que leu o livro de Bonassi há muitos anos e ficou tocada por uma passagem. Havia um suicídio no enredo e a cineasta tivera caso semelhante em sua família. Mas além do dado pessoal, a trama se prestava muito bem à reflexão política que se faz necessária neste momento do País. Ou seja, a necessidade de trazer à luz do dia exatamente aquilo que dói, que parece inassimilável, porque é a única maneira de superar o trauma, digamos assim. "É uma verdade psicanalítica. Você só pode transformar se iluminar; se colocar para baixo do tapete, aquilo te assombra pelo resto da vida", diz a diretora.

O processo não é exatamente estranho à diretora. Em Rei do Carimã, ela exumou um fato do passado da história do próprio pai, como única forma de superá-lo. "Ao mesmo tempo, fiz Trago Comigo, no qual um diretor de teatro faz uma a peça para se lembrar", diz. Tata lembra que para este trabalho entrevistou antigos militantes políticos. Portanto, o caminho estava aberto para trabalhar o tema da memória como condição de saúde para os indivíduos e também para os países vítimas de regimes opressores.

HOJE - Direção: Tata Amaral. Gênero: Drama (Brasil/2011, 90 min.). Classificação: 12 anos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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