Joel Mendes, o goleiro internacional

Publicado em 07/04/2004 às 22:38:15 - Atualizado em 20/01/2013 às 09:37:17
Perfil de Levi Mulford

Nascido em Curitiba, é um historiador do futebol paranaense. Começou na profissão de jornalista cobrindo as competições do futebol da suburbana no jornal Paraná Esportivo no ano de 1953. Está na Tribuna do Paraná desde 1956. Acompanhar o futebol amador é o seu hobby predileto.

"Na pequena Campo Magro, onde nasci, despertei para a prática do futebol, com apenas 10 anos de idade. Na hora de recreação da escolinha da Tia Odete, eu, ao lado dos garotos, participava de animadas peladinhas." "Assim, o hoje famoso ex-goleiro Joel Mendes começa a contar sua história para o colaborador Mussum. Em 1958, minha família mudou-se para Curitiba, fixando residência na Colônia Santa Felicidade. Pretendia jogar no Iguaçu, mas senti que seria difícil ganhar uma oportunidade no alvinegro porque lá revezavam-se três grandes goleiros: Dirceu e Romeu Stival (irmãos) e o famoso Adir Carnieri, que havia defendido o Ferroviário e o Operário do Ahu. Por iniciativa própria, me desloquei até o vizinho Estádio Francisco Muraro, casa do maior rival, Trieste FC. Isso aconteceu no ano de 1962, quando o técnico Pedro Luca gostou de meu modo de atuar e me registrou apesar de eu nem ter atingido a idade mínima para jogar no segundo quadro. Tudo resolvido junto à federação e lá estava eu com a camisa número um do Trieste, onde ganhamos o título da categoria. Ainda no ano de 1963 sagrei-me bicampeão do Sesi pelo timão das Malas Ika. Ganhamos também o título estadual sesiano frente o Frigorífico Wilson de Ponta Grossa. Em 1964 subi para o time principal do Trieste jogando ao lado de algumas feras como Genival, Valdo, Altair e Tosin. Conquistamos o primeiro título de campeão pelo Trieste em toda a sua história e tive o privilégio de ser fotografado pela primeira vez pelo Levi Mulford da Tribuna do Paraná. A decisão foi contra o famoso Real do Waldomiro Rauth, no Estádio Orestes Thá. Meu nome já ganhava espaço na Tribuna, fato que me tornou conhecido. Criei coragem e fui por conta própria participar de um dos treinos do Coritiba. Michel Chechia observou meu trabalho e autorizou minha contratação pelo Glorioso. O goleiro titular Raul Plassman estava sendo negociado com o São Paulo. Os reservas Erol e Bira estavam mudando de clube, ficando o Barbosa como goleiro número um e eu na reserva imediata. Em 1967, num amistoso do Coritiba com o Seleto de Paranaguá, entrei no segundo tempo substituindo Barbosa e ganhei a posição de titular nos jogos seguintes. Fomos decidir o título paranaense em Londrina, no VGD, contra o São Paulo local, como favoritos absolutos à conquista do título. Deu zebra. Perdemos por um a zero e o título ficou com o Água Verde, que decidiu com o Grêmio Maringá. Em 1968, com 22 anos de idade, me sentia ainda um pouco verde para ocupar a meta titular do Coritiba e a diretoria observou o meu problema contratando Célio Maciel. Fiquei no banco na série decisiva com o Atlético Paranaense. Na segunda partida no Durival Britto, o Coritiba jogava pelo empate porque tinha ganho o jogo anterior. No último minuto Paulo Vecchio, que havia entrado no lugar de Rossi, fez de cabeça o gol de empate que significou meu primeiro título como jogador profissional. Em 1969, o técnico Francisco Sarno optou pelo meu trabalho como goleiro titular e chegamos ao bicampeonato. Tive a honra de evitar que Pelé marcasse o milésimo gol aqui no Coritiba, o que aconteceu semanas após lá no Maracanã num jogo do Santos com o Vasco da Gama. Nesse mesmo ano fiz minha primeira viagem internacional, guarnecendo a meta do Coritiba em gramados da Alemanha, Bélgica, Holanda, França e Espanha. Realizamos um total de doze jogos. Aprendi muito com o goleiro Célio. Estava gozando férias em Camboriú quando recebi um telefonema solicitando meu regresso imediato. O Coritiba havia cedido meu passe para o Santos FC. Em apenas dois coletivos ganhei a posição de titular do Santos, embarcando em seguida para Santiago do Chile onde o Santos ganhou um título internacional enfrentando o Dínamo de Moscou, América, do México, Colo-Colo, do Chile e outros. Retornamos e disputamos o torneio Cidade de São Paulo, que o Santos conquistou com um time misto. Sofri uma fratura no punho direito, que me afastou dos gramados por seis meses. Recuperado em 1972, o Coritiba mandou me chamar para ser reserva do Jairo. Revezando na meta com o Jairo, conquistamos o título paranaense e o famoso Torneio do Povo em 1973, quando o Santos me levou de volta. Excursionamos para os Estados Unidos. Em 1974 foi emprestado para o Vitória da Bahia, onde ganhei a Bola de Prata da revista Placar, jogando ao lado do Mário Sérgio. Tricampeões baianos e 3.º colocados no brasileiro. Voltei para o Santos em 1975 e no ano seguinte fui emprestado para o EC Bahia (pentacampeão da Boa Terra). Em 1979 fui negociado com o Santa Cruz do Recife. Fui bicampeão ao lado de Nunes, Fu-Manchu e Carlos Alberto Barbosa, entre outros. No ano de 1980 o comendador Enzio Scarleti e o diretor Aziz Domingos me trouxeram para o Colorado da Vila Capanema. Dividimos o título com o Cascavel naquele famoso cai-cai do time visitante. Foi naquela temporada que tomei aquele gol do goleiro Zico e também aconteceu aquele fato inusitado, quando o preparador físico do Colorado salvou um gol do Toledo, tirando a bola de cima da risca. Em 1981 já pensava em parar com o futebol, mas aquela vitória de 4x0 sobre o Flamengo e outro jogão no Maracanã fizeram que mudasse de idéia e fiquei mais três anos guarnecendo a meta do Colorado. Em 1983 chegamos perto, mas tivemos que nos contentar com o vice. Daí, parei de vez como jogador. Trabalhei nas categorias de base do Coritiba de 1998 e 2003. Se aparecer uma oportunidade, poderei tentar a sorte como treinador ou dirigente de clube. Experiência não me falta."

Nome completo: Joel Mendes, nascido em Campo Magro(PR), dia 25 de junho de 1946, 57 anos. Posição única na carreira: goleiro. Tem muitas histórias curiosas para contar, principalmente nas escursões pelo exterior, inclusive numa em que perdeu o avião em pleno aeroporto de Miami (Estados Unidos). Joel em sua carreira conquistou 16 títulos entre amadores e profissionais. Ganhou também uma bola de prata em 1974.

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