Loio Pérsio na Bolsa de Arte do Rio de Janeiro

Publicado em 03/01/2005 às 15:36:29 - Atualizado em 20/01/2013 às 09:38:26
Perfil de Ilson Almeida

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"Na foto, "Sem Título", óleo sobre tela de Loio Pérsio datado de 1973, medindo 38 x 46 cms.."

A Bolsa de Arte do Rio de Janeiro realizou seu último leilão de 2004 no dia 7 de dezembro. O próximo só acontecerá no dia 22 de março.

No derradeiro leilão do ano passado, foi vendido por R$ 12.000,00 um quadro abstrato de Loio Pérsio (Loio Pérsio Navarro Vieira de Magalhães), pintor nascido em 1927, em Tapiratiba, São Paulo. Pouca gente sabe, mas ele foi aluno de Guido Viaro em Curitiba, iniciando seus estudos aos 16 anos. Aperfeiçoou-se com Malagoli e Santa Rosa, no Rio. Voltou à capital paranaense e foi, em 1952, um dos criadores do Centro de Gravura do Paraná. Concorrendo ao Salão Nacional de Arte Moderna, obteve em 1959 a isenção de júri e em 1963, viagem ao estrangeiro. Esteve na Europa de 1964 a 1966, aperfeiçoando-se na Escola Superior de Arte de Sttutgart, Alemanha. Foi artista-residente da Fundação Karoly, de Vence, na França. Em 1994, participou da grande mostra Brasil – Bienal Século XX, em São Paulo e em 1996, fez uma individual no Museu de Arte do Paraná. Na década de 50, aderiu ao abstracionismo.

ilson2.jpgA "Natividade" da família Cândido

A tradição dos presépios e representações do nascimento de Jesus são defendidas enfaticamente pelo Papa João Paulo 2º.

As festas do nascimento de Cristo, por tradição, prosseguem até o dia 6 de janeiro. Aproveitamos a oportunidade para oferecer aos leitores mais uma obra de artistas populares, pertencente à Galeria Brasiliana, dirigida por Roberto Rugiero, instalada em São Paulo. A Brasiliana está com algumas de suas mais de 1.500 obras de arte popular coletadas ao longo de mais de 30 anos, em exposição no hotel Mercure Ibirapuera, na capital paulista. "Na foto, "Natividade", da Família Cândido, de Juazeiro do Norte".

ilson3.jpgEncontros com o Modernismo no MAM

"Encontros com o Modernismo", coletiva com obras de 130 importantes artistas dessa escola, exibiu trabalhos do Stedlijk Museum Amsterdan e de pintores brasileiros, em São Paulo.

Atualmente, a mostra está no MAM, no Rio de Janeiro. Entre os artistas estrangeiros estão Kandinsky, Piet Mondrian, Pablo Picasso e Keith Haring. Será encerrada já no próximo domingo, dia 9. "Na foto, trabalho de Keith Haring."

ilson4.jpgCuritiba por Zig Koch e Maria Celeste Corrêa

Dentro do projeto "Retratos do Brasil", o fotógrafo Zig Koch e a jornalista Maria Celeste Corrêa selecionaram Curitiba como tema. Lançaram um livro e abriram uma exposição fotográfica no Memorial de Curitiba. A mostra vai encerrar-se no dia 30 deste mês e contém alguns dos principais ícones da cidade.

O livro contém cerca de 112 fotografias e a mostra, 37 painéis sobre a capital paranaense. "Na foto, "Estufa do Jardim Botânico", foto de Zig Koch.)


ilson5.jpgVitor Meireles, Um Artista do Império

Vitor Meireles nasceu em Florianópolis em 1832 e foi aluno da antiga Academia Imperial de Belas Artes. Foi o primeiro brasileiro a ter obras expostas no Salão de Paris. Em determinada época, foi duramente criticado por sua obra Batalha dos Guararapes, tela encomendada pela família imperial. Meireles foi acusado de retratar a guerra como um cenário estático. Mas são famosos os seus quadros Revolta da Armada e Descobrimento do Brasil, Batalha do Riachuelo, Primeira Missa e outros que lhe mereceram o título de "Artista do Império". O Museu Nacional de Belas Artes está com a mostra "Vitor Meireles, Um Artista do Império" só até o dia 14 deste mês, no Rio de Janeiro. (Na foto, "Moema", do catarinense Vitor Meireles.)

O cerrado nas cores de Márcio Aurélio

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"Na foto, "Cerrado", de Márcio Aurélio, medindo 80 x 120 cms.,
em acrílica sobre tela, obra datada de 2004."

A Pellegrin Galeria de Arte, de Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, está expondo, até o próximo dia 9, doze quadros, em tinta acrílica sobre tela, do cuiabano Márcio Aurélio. Ele consegue captar a beleza do cerrado, suas cores e plantas retorcidas.

Márcio começou a pintar no Ateliê da Fundação Cultural de Mato Grosso, em 1976.

ilson7.jpgMazé Mendes no Espaço Cultural CRMPR

A artista plástica paranaense Mazé Mendes está expondo no Espaço Cultural CRMPR, criado pela classe médica à rua Victório Viezzer, 84, Vista Alegre, Curitiba.

Na coletiva, estão também obras de Estela Sandrini, Ivone Bergamini Vannucchi, Denise Coelho e Guilmar Silva. Encerra-se no dia 16 deste mês. O Espaço Cultural fica na sede do Conselho Regional de Medicina e já expôs, em sua inauguração, quadros de Eduardo Zimmermann. "Na foto, "Horizontais", abstrato de Mazé Mendes datado de 2004."

ilson8.jpgMorre aos 98 anos Charles Biederman

Faleceu, no dia 29 de dezembro último, o famoso pintor norte-americano Charles Biederman. Ele estava com 98 anos de idade. Artista modernista, tentava capturar "processos estruturais" da natureza e dizia inspirar-se em Courbet, Cézanne, Monet e Leonardo da Vinci. Obras suas foram adquiridas pelo MoMA de New York, Trate Gallery de Londres e pelo Art Institute de Chicago. Ele nasceu em 1906, em Cleveland, Ohio e lançou-se na carreira em New York, em 1936. Pintou também em Paris.

"Na foto, obra de Biederman que se encontra no Art Institute de Chicago."

ilson9.jpg"Vento e Chuva" de Christina Hermes

Christina Hermes é pintora nascida em São Paulo, mas passou sua infância no interior de Minas. Posteriormente, radicou-se no Rio de Janeiro. É formada em Administração de Empresas e Decoração de Interiores. Na pintura, recebeu orientação de Romanelli, Ney Tecídio, Armínio Paschoal, Jean Toulier, Finatti e Bernardi. Tem quadros em coleções particulares nos Estados Unidos, Canadá, Nigéria, África do Sul, Bélgica, Argentina e Espanha. Já recebeu, em diversos salões, uma dezena de medalhas de ouro e quatro de prata. Em Curitiba, quadros seus podem ser vistos na galeria Nini Barontini. "Na foto, "Vento e Chuva", óleo sobre tela medindo 60 x 80 cms.."

ilson10.jpgAs aquarelas de Galina

Galina é uma galeria virtual e o nome de uma artista plástica paulistana que pinta a óleo, mas principalmente aquarela. Seus trabalhos em aquarela podem ser encontrados nos sites www.galina.com.br e www.galinawatercolors.com .

Ela já teve trabalhos apresentados e premiados em Thionville, França; Roma, Itália.; Grand Palais, Paris, França; Ulster, Suiça; várias vezes no México e em inumeráveis oportunidades em cidades brasileiras. No recém findo mês de dezembro, Galina dedicou-se especialmente a produzir aquarelas retratando flores. "Na foto, um aquarela de flores da artista paulistana."

ilson11.jpg"Mil e Uma Histórias" de Gerda Brentani

Gerda Brentani era austríaca, mas de origem italiana. Residindo no Brasil, onde faleceu em 1999, foi desenhista durante muitos anos na oficina de Azulejos Osirarte, ao lado de Alfredo Volpi e Mário Zanini. Teve larga influência nos meios artísticos do seu tempo. Além de desenhista, era pintora e gravadora. Foi, aos 60 anos de idade, presidente do Museu de Arte Moderna.

A Pinacoteca de São Paulo está expondo, até o próximo dia 9, seus bicos de pena de bichos do museu de Zoologia, feitos em 1961 e mais de cem outros trabalhos. "Na foto, "São Jorge Inseto: Gosto pelo Fantástico", uma das obras de Gerda Brentani constantes na mostra."

ilson12.jpgGrupo Guanabara no MASP

"Trabalho em Grupo" é a mostra do chamado Grupo Guanabara que está aberta no MASP centro, na Galeria Prestes Maia, em São Paulo, até o dia 15 deste mês.

O grupo foi formado por Thomaz Ianeli, seu irmão Arcângelo Ianellli, Manabu Mabe e Ismênia Coaracy, entre outros. Eles reuniam-se no ateliê de Tikashi Fukushima, no antigo Largo da Guanabara, daí o nome do grupo.

A mostra conta com cerca de 15 trabalhos. "Na foto, "Lagoa do Abaeté", cartão-postal de Salvador, pintada em 1957 por Thomaz Ianelli em óleo sobre tela."

ilson13.jpg"O Sonho de Um Escudeiro", de Rafael

Londres, depois de New York, Rio de Janeiro e agora também Sidney, tem um dos mais animados "reveillons" do mundo. Para quem foi à capital britânica em férias ou para a passagem de ano, que aproveite a rara oportunidade de visitar, até o dia 16 deste mês, a mostra do pintor renascentista Rafael (Raffaelo Sanzio), nascido em 1483 e falecido em 1520. A mostra está na famosa National Gallery e conta com quadros do seu próprio acervo e ainda dos principais museus do mundo como o Louvre e destacados espaços de artes de New York e Florença. O MASP, de São Paulo, tem em seu acervo "Ressurreição de Cristo", obra de Rafael agora também em exposição na capital britânica. "Na foto, "O Sonho de Um Escudeiro", obra de 1504."

ilson14.jpg"Cinquenta 50" – obras de uma década

O grande sucesso do momento no MAM de São Paulo, no Parque Ibirapuera, é a exposição "Cinqüenta 50", exibindo 75 trabalhos, entre fotografias, gravuras e pinturas de 38 artistas, produzidos na década de 50.

Lá estão obras de Lygia Pape, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Lívio Abramo, Ivan Serpa, Flávio-Shiró, Zanini e Thomaz Farkas, dentre outros. A curadoria é de Felipe Chaimovich. "Na foto, "Trecho de Lerici", obra de 1950 de Zanini."

ilson15.jpgOratórios de Minas do século 19 e anteriores

Minas Gerais, em suas cidades históricas, é rica em obras sacras, muitas do século 19 ou mesmo anteriores. São famosos seus oratórios, muitos deles em exibição no Museu do Oratório de Ouro Preto.

Os oratórios são objetos que expressam a fé e a devoção da humanidade desde tempos remotos. Até os romanos guardavam, em pequenos nichos, as imagens de seus deuses. Os cristãos dedicaram seus oratórios a Jesus, Virgem Maria e outros santos. A mostra "Oratórios: Objetos de Fé", a maioria das peças vindas de Minas, está aberta até o dia 21 deste mês no SESC Carmo, Rua do Carmo, 147, Praça da Sé, São Paulo. "Na foto, oratório do museu de Ouro Preto exposto em São Paulo."

ilson16.jpgGorbachev expõe em São Paulo

O pintor chama-se Yuri Gorbachev, é russo e sobrinho de Mikhail Gorbachev, o último dirigente da extinta União Soviética. Tem 55 anos de idade e está radicado em New York desde 1992.

No momento, realiza sua primeira mostra no Brasil. É no Conjunto Cultural da Caixa, Praça da Sé, 11, centro, São Paulo. A exposição vai até o dia 16 deste mês.

Ele usa recursos como cobre e ouro em pó. Sofre influência de ícones bizantinos e outros temas do imaginário da Rússia. É, portanto, basicamente um pintor russo, embora radicado e agora produzindo nos Estados Unidos da América. "Na foto, "Still Life With Cat and Parrot" ( Natureza Morta com Gato e Papagaio), obra datada de 1948."

ilson17.jpgArte cinética e tecnológica de Palatnik

Abraham Palatnik está expondo na galeria Nara Roesler, sob a curadoria de Frederico Morais, na av. Europa 655, São Paulo. Expõe duas séries realizadas em 2004 e um aparelho cinecromático, além de trabalhos anteriores.

Com 76 anos de idade, Palatnik é um inovador, criador da arte cinética e tecnológica, desafiando até os mais ousados artistas que se apresentaram na Bienal de São Paulo. Juntamente com a mostra, que vai até o dia 31 deste mês, está sendo lançado o livro "Abraham Palatnik, de Luiz Camillo Osório, contando a trajetória do intrigante criador. "Na foto, "Progressão W-34", obra datada de 2004."

ilson18.jpgPolônia: o circo chegou

O circo é uma arte internacional. O mesmo pode-se dizer do cartaz, embora a Polônia seja, reconhecidamente, um dos países que tem os melhores cartazistas e um dos países que mais cultua essa arte.

Andrés Bukowinski, um cineasta de Varsóvia, está exibindo sua coleção particular de 72 cartazes circenses poloneses até o próximo dia 25, na rua Curupês, 88, bairro Pinheiros, São Paulo. A mostra oferece todas as facilidades, desde acesso a deficientes, ar condicionado, até agendamento para visitas monitoradas. "Na foto, cartaz circense mostrando um "Trapezista"."

ilson19.jpgO "Teorema" de Eithel Nogueres Horta

Heithel Nogueira Horta é natural de Juiz de Fora, Minas Gerais, mas reside há muito tempo em Curitiba, Paraná.

É arquiteto formado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, desenhista e pintor. Já foi chefe do Departamento do Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-PR e professor daquela escola superior. Aposentado, tem se dedicado quase exclusivamente à pintura, participando de vários salões e exposições individuais e coletivas, no Brasil e nos Estados Unidos.

"Na foto, em técnica mista, acrílica sobre metais, "Teorema", trabalho medindo 60 x 40 cms. que mereceu Menção Honrosa no VII Concurso de Artes Plásticas "Arte In Forma" da Galeria Mali Villas-Bôas de São Paulo."

ilson20.jpg"A Mulher e o Tempo" de Tânia Leal

Tânia Leal nasceu em Londrina, mas reside em Curitiba há duas décadas. É formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Sta. Catarina. Pinta há muitos anos e fez estudos de aquarela no Sesc da Esquina, na capital paranaense.

Já participou de 49 exposições coletivas e individuais. Declara enfaticamente ser discípula de Rosa Bruinjé, do Centro de Artes Rosa Bruinjé, de Pinhais, Paraná. Atualmente, faz parte da diretoria da APAP-PR.

Recebeu da Academia Brasileira de Arte e Cultura de São Paulo Medalha de Mérito por seu trabalho artístico. "Na foto, "A Mulher e o Tempo", de Tânia Leal."

ilson21.jpgArquitetura do Tempo – André Gardenberg

O tempo produz nas pessoas mudanças que o fotógrafo André Gardenberg captou com sua câmera, montando a exposição "Arquitetura do Tempo". Está aberta, até o dia 1º de fevereiro, no MIS de São Paulo, na av. Europa, 158.

As mudanças captadas não são necessariamente envelhecimento. Muitas vezes são marcas da experiência, de novas vivências, de vividas alegrias e dores. Significam, em última instância, crescimento. "Na foto, a notável atriz "Fernanda Montenegro", talvez a maior do país."

ilson22.jpg"Tudo é Brasil" e o "Tropicalismo"

O curador Lauro Cavalcanti, diretor do Paço Imperial (RJ), onde a mostra já foi apresentada em 2004, monta um panorama da arte brasileira da segunda metade do século 20. Seu ponto de partida é o "Tropicalismo" e reúne 80 obras, entre pinturas, esculturas, fotografias, instalações, trabalhos em papel, objetos e vídeos. São produções de 35 artistas de diferentes épocas e regiões. A exposição ficará no Instituto Itaú Cultural, na av. Paulista, 149, São Paulo, até o dia 6 de fevereiro. "Na foto, "Casa Própria" da série "Panorâmica", de Rochelle Costi (1.999)"

ilson23.jpgA coleção de arte de Roberto Marinho

Roberto Marinho faleceu há pouco tempo. Se ainda vivo, estaria completando 100 anos de idade. Ao longo de sua carreira de empresário, jornalista e intelectual, chegando a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, foi um grande colecionador de obras de arte. Era também um mecenas, beneficiando inúmeros artistas que vinham procurando firmar-se.

O Paço Imperial, no Rio de Janeiro, há duas décadas não oferecia espaços para exposições de obras de arte. Desta vez passou a sediar a mostra "O Século de Um Brasileiro: Coleção Roberto Marinho". Ao todo, 240 pinturas, desenhos, esculturas, monotipias e aquarelas de um universo de 1.342 obras reunidas por Roberto Marinho durante 30 anos. Lá estão 28 peças de José Pancetti, 20 obras de Di Cavalcanti, 12 pinturas de Cândido Portinari, 154 de Guignard, quarenta de Ismael Nery e ainda muitas outras de famosos pintores. A mostra foi montada como se fosse a reunião de diversas individuais.

"Na foto, "Piscina" de Milton da Costa, obra presente na exposição."

"temo a inveja tanto quanto aprecio os vãos louvores do mundo... E vou sozinho por caminhos não trilhados... " (trecho de sonego de Michelangelo).

Correspondência postal para esta coluna deve ser dirigida a: Ilson Almeida – Rua Mariano Torres, 275, apto. 22, Centro – CEP 80060-120, Curitiba, Paraná, Brasil.

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