A Copa do Viaduto Estaiado

Publicado em 18/02/2014 às 21:00:00 - Atualizado em 18/02/2014 às 16:49:10
Perfil de Dante Mendonça

Cronista e cartunista, membro da Academia Paranaense de Letras, na selva da cidade é um caçador de histórias. Diariamente relata e comenta a notícia e o que não é notícia, o que faz e o que diz com espírito a nossa gente.

Habemus Copa, um clube endividado e um viaduto estaiado! Dando os trâmites da Arena da Baixada por findos, agora podemos nos debruçar sobre o mais visível legado da Copa em Curitiba: o Viaduto Estaiado, parte das obras do corredor Aeroporto-Rodoferroviária que estão sendo realizadas com recursos do PAC da Copa.

 Se na Copa de 1950 Curitiba tinha a Ponte Preta da João Negrão para mostrar aos turistas, na Copa de 2014 teremos o Viaduto Estaiado da Rua Coronel Francisco H. dos Santos para nos orgulhar.

Enquanto o mundo assiste os pedreiros do Haiti na lida de chapear os cantos da Arena da Baixada, no Viaduto Estaiado o regime de trabalho se desenrola do jeito que os ministros da Dona Dilma gostam: mais folgado que boleiro de chinelinho. Quem passa pela Avenida Comendador Franco (Avenida das Torres) e olha para a Rua Coronel Francisco H. dos Santos, além de contar os estais que ainda faltam instalar, não deixa de perguntar aos curiosos em volta:

- Mas afinal, quem foi esse tal de Coronel Francisco H. dos Santos para receber uma obra assim tão cara e inútil? Pelo que se sabe, uma ponte estaiada não é qualquer coisa, é um monumento. Esse H. do nome deve ser muito do graúdo

O H é de Heráclito. Francisco Heráclito dos Santos, pois, pois, está agora comemorando na tumba a honra por ter sido escolhido como leito de mais um dos tantos cartões postais de Curitiba. Como já escreveu Alexandre Costa Nascimento, do blog “Ir e Vir de Bike”, os benefícios de mais um cartão postal são muitos: “A população poderá tirar fotos da nova atração, poderá passar pelo viaduto de carro e, ainda por cima, postar no Facebook, com orgulho, que a cidade finalmente está no mesmo patamar de desenvolvimento de São Paulo, Brasília e Manaus”.

Se a Arena da Baixada fosse excluída da Copa por falta de vergonha na cara, houve quem sugerisse que se plantasse uma boa camada de grama sobre o cimento do Viaduto Estaiado e, assim, já teríamos um estádio em condições de jogo. Agora que estamos confirmados como uma das 12 sedes da Copa – aos trancos e barrancos (principalmente nas coxas) – Curitiba precisa retribuir a compreensão dos comissários da Fifa, denominando o Viaduto Estaiado de Jérôme Valcke. Já a Ponte Preta da João Negrão será chamada de Ponte Mario Celso Petraglia. Com toda justiça, pois o Furacão é quem vai ver a coisa preta para pagar o papagaio no banco.

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