24/08/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 23/08/2010 às 21:21:00

Piadistas militantes

Depois que o Tribunal Eleitoral proibiu entrevistas ou montagens que “degradem ou ridicularizem” candidatos, é hora de os humoristas tirarem a máscara: o chamado “humor inteligente não mais existe”, conclamou tempos atrás o humorista argentino Podeti, em sua “Declaração de princípios do humorista honrado (por favor, ria de mim, não comigo!)”.

Cronista do diário El Clarín, Podeti não se conforma com a pretensão dos modernos “bobos da corte” de se dizerem “a voz crítica” e de que fazem humor para “reflexão”. O humor não serve para isso, adverte Podeti: “Estão confundindo com a filosofia, a matemática ou a sociologia. O humor, em todos os casos, serve para fazer rir!”. Ou, como bem diz o cartunista Solda: “Se não for divertido não tem graça!”. Podeti argumenta que os humoristas não são mais os mesmos: “Ignoro em que momento o bobo da corte foi elevado na escala social, até converter-se em um personagem respeitável que hoje participa de mesas-redondas na Feira do Livro e sai nas capas dos suplementos de cultura. Em tempos antigos ele comia as cascas que lhe jogava o senhor medieval e dormia na estrebaria”. A “Declaração de princípios de um humorista honrado” nos chega em boa hora, porque nós, os graciosos, não só estamos sendo amordaçados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), como há muito fomos esmagados pelos piadistas militantes que, infiltrados em todas as camadas da sociedade, e principalmente no picadeiro político, não deixam mais espaços de sobrevivência aos autênticos bobos da corte.

Os mais célebres e reverenciados humoristas da atualidade não são mais encontrados nas estrebarias. Hoje eles são encontrados em palácios, com cargos em comissão.

Piadista militante (para explicar o conceito) é aquele gracioso comissionado que não só defende o governo, como também está no governo. Lula é um deles, que só não participou da passeata “Humor sem Censura” na orla de Copacabana porque aquele sindicalista que defendia a liberdade de expressão agora só administra sua própria carreira de piadista militante.

Escreveu o cartunista J.Bosco: “Essa norma do TSE foi a grande saída do governo federal para evitar as “gracinhas” de sua candidata, já que a mesma favorece um portal de risadas com suas mil faces. Esse patrulhamento já vem se estendendo há muito tempo na imprensa. E foi por esse motivo que o nosso torneiro mecânico sempre lutou contra esse “silêncio’ imposto pelo anos de chumbo, quando era apenas um líder de sindicato de operários. Se Henfil estivesse vivo estaria arrependido até o pescoço da graúna. A Censura é burra e covarde, arma dos ditadores fascistas”.

Das cerca de 500 pessoas que participaram da passeata “Humor sem Censura”, organizada pelo grupo de humoristas “Comédia em Pé”, algumas das manifestações contra a censura do TRE.

Fábio Porchat, do “Comédia em Pé”, disse que o objetivo da manifestação foi mostrar que o veto a referências a candidatos em programas humorísticos “é um prejuízo para a população, não só por fazer as pessoas pararem de rir, mas também por criar uma alienação”.

“A censura é uma ameaça à democracia. Veja o exemplo da Venezuela”, disse Danilo Gentili, do CQC, referindo-se à decisão de um tribunal do país de proibir a publicação de fotografias que mostrem cenas de violência.

Segundo a norma de censura, que consta da lei 9.504/97 regulamentada por resolução do TSE, e que vale desde 1.º de julho até o fim do período eleitoral, a emissora que ridicularizar candidatos pode ser multada pela Justiça em até R$ 106.410,00, valor que dobra em caso de reincidência.

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Para finalizar, vamos repetir o refrão do cartunista Solda: “Se não for divertido não tem graça!”. Caso contrário, “ria de mim, não comigo!”.

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