12/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 11/03/2010 às 21:03:21
Fuja do alemão
Alzheimer é o nome dele. Alois Alzheimer, um médico alemão que em 1906 descobriu no cérebro de um morto lesões que ninguém nunca tinha visto antes. No mundo, uma em cada 10 pessoas maiores de 80 anos será portadora da doença de Alzheimer.
No Brasil, a doença tem números alarmantes: o brasileiro não tem memória e 9 em cada 10 eleitores já caíram nas garras do alemão. Como diz Ivan Lessa, “o brasileiro trava uma batalha com a memória, não por ela, mas contra ela”. O apagão do alemão tratava-se de um curto-circuito na fiação. Um problema de dentro dos neurônios (as células cerebrais), os quais apareciam atrofiados em vários lugares do cérebro, e cheios de placas estranhas e fibras retorcidas, enroscadas umas nas outras. Desde então, esse tipo de degeneração nos neurônios ficou conhecido como placas senis, característica fundamental da doença de Alzheimer.
“Tendência não é destino”, dizia o microbiologista francês René Dubos. Fuja do alemão e faça neuróbica, a ginástica para o cérebro, dizem os especialistas. A primeira delas: trocar de mão para escovar os dentes é bom para o cérebro. O gesto de trocar de mão, contrariando a rotina e obrigando à estimulação do cérebro, é um jeito de melhorar a concentração, treinar a criatividade e a inteligência. A neurociência revelou que o cérebro tem a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões.
Não está no caderninho da neuróbica, mas outros dois exercícios matinais também são importantes: desatar e fazer o nó. Primeiro, sapatos sem cadarços ativam a preguiça mental. Tenha o hábito de fazer os nós nos cadarços. Qualquer que seja o pacote, tenha paciência: desate o nó! E reze para Nossa Senhora Desatadora de Nós, a padroeira dos que fogem do alemão.
Vide bula: cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso: limitam o cérebro. Porque tendência não é destino, convém praticar exercícios cerebrais. Palavras cruzadas, por exemplo, são um santo remédio.
O desafio da neuróbica é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional. O médico Paulo Roberto Mercer, nosso fraterno amigo, tem algumas dicas úteis que adaptei e passo adiante. São exercícios que não fazem perder a barriga, mas ajudam a não esquecer da data de aniversário dos filhos: use o relógio de pulso no braço direito (e não pergunte “quem colocou meu relógio aqui?”); ande pela casa de trás para frente (não se preocupe com os vizinhos); vista-se de olhos fechados (cuidado para não sair nu); estimule o paladar, coma coisas diferentes (essa experiência é muito perigosa, use do bom senso); veja fotos de cabeça para baixo (papai tá maluco, anda vendo fotos de cabeça para baixo!); veja as horas num espelho (também serve para acertar os ponteiros da consciência); faça um novo caminho para ir ao trabalho (mas lembre-se de voltar pra casa); para os que insistem em dizer que o curitibano não é cordial, converse com o vizinho que nunca dá bom dia. Ele provavelmente vai concluir que você já está com Alzheimer, mas não custa a simpatia.
Tenho por mim que o doutor Alois Alzheimer (1864-1915) descobriu a moléstia ao fazer a autópsia no cérebro do camarada que inventou o guarda-chuva. Se não me falha a memória, a história é a seguinte: depois de muitos e muitos anos de pesquisa, certo dia o artesão chegou à forma e ao mecanismo do guarda-chuva ideal. A mesma traquitana de hoje, preta e impermeável. Eufórico com o invento, o inventor foi na casa do vizinho, comemorar e mostrar a novidade que iria mudar a vida dos pedestres de todo o mundo. A festa no vizinho varou a madrugada e beberam todas.
No dia seguinte, quando o artesão acordou para registrar a patente da obra, cadê o guarda-chuva?
O inventor esqueceu o invento na casa do vizinho.




















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