11/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 10/03/2010 às 21:16:41

Fim de festa

Jaguara, o Animador de Velórios dos Campos Gerais, está todo pimpão: recebeu do governo o honroso convite para abrilhantar o “bota fora” que Roberto Requião vai oferecer aos companheiros do PMDB, na Granja do Canguiri. Entre um guardamento e outro no Segundo Planalto, o Jaguara garimpa novas piadas para o velho repertório.

O Animador de Velórios quer fazer para o governador e seus companheiros de partido uma festa de despedida em grande estilo. Nesse intento, passa pelo menos meia horinha por dia revendo o seu arquivo de anedotas, chistes, piadas de sacanagem e de salão.

Aquelas já conhecidas o Jaguara descarta, mas separa com carinho as últimas da imprensa canalha.

Um jornalista está com estresse. Seu analista sugere que ele tire uns dias e vá se ocupar de coisas bem simples. Ele resolve então ir para uma fazenda trabalhar como peão.

Como primeiro trabalho, o fazendeiro o manda jogar esterco num campo, imaginando que o jornalista irá levar o dia inteiro. Uma hora depois ele volta para o fazendeiro dizendo que está terminado. O fazendeiro vai verificar e o serviço foi concluído eficientemente.

Ele dá então outra tarefa: separar batatas em três montes: o primeiro com as grandes, o segundo com as médias e o terceiro com as pequenas.

De noite, o jornalista não aparece. No dia seguinte ele não vai almoçar. O fazendeiro vai saber o que aconteceu. O jornalista está na frente das batatas, com apenas três batatas separadas.

- Não entendo! - espanta-se o fazendeiro - O senhor cuidou do esterco em uma hora e não consegue separar as batatas em três montes?

É que... espalhar merda é comigo mesmo.

***

Do velho repertório, o Animador de Velórios dos Campos Gerais só vai repetir aquela do eclipse. Uma história muito antiga e muito atual, Roberto Requião acha que é um retrato do que acontece com os seus companheiros de partido:

Nos tempos em que Requião fazia o CPOR aqui em Curitiba, o capitão chamou o 1.º sargento e lhe disse:

- Amanhã haverá eclipse do Sol, o que não acontece todos os dias. Mande formar a companhia às 7 horas, em uniforme de instrução. Todos poderão, assim, observar o fenômeno enquanto dou explicações. Se chover, nada se poderá ver e os homens formarão no alojamento para a chamada.

O 1.º sargento chamou o 2.º sargento e repassou as instruções:

- Por ordem do senhor capitão haverá eclipse do Sol amanhã. O capitão dará explicações às 7 horas, o que acontece todos os dias. Se chover, não haverá lá fora a chamada. O eclipse será no alojamento.

O 2.º sargento, por sua vez, ordenou ao cabo:

- Amanhã às 7 horas vem ao quartel um eclipse do Sol, em uniforme de passeio. O capitão dará no alojamento as explicações, se não chover, o que não acontece todos os dias.

Do cabo, aos soldados:

- Atenção! Amanhã às 7 horas o capitão vai fazer um eclipse do Sol com uniforme de passeio e dará explicações. Vocês estarão formados no alojamento, o que não acontece todos os dias. Caso chova não haverá chamada.

Entre os soldados ficou assim:

- O cabo disse que amanhã o Sol, em uniforme de passeio, vai dar eclipse para o capitão, que lhe pedirá explicações. A coisa é capaz de dar uma encrenca, dessas que acontecem todos os dias. Deus queira que chova!

Quando escuta essa piada, diz o Jaguara que o governador morre de rir, concluindo:

- O capitão sou eu; o 1.º sargento é o Romanelli; o 2.º sargento é Waldir Pugliesi; o cabo é Doático Santos; e a soldadesca é aquela velha de guerra!

***

Quando o Jaguara conta essa história, Requião emenda com outra, da mesma época em que pintou o cavalo do comandante de cor-de-rosa e foi expulso do CPOR.

O sargento, em vista da barbaridade, reuniu a tropa e perguntou:

- Muito bem, muito bem, quem foi o engraçadinho que pintou o cavalo do comandante?

A maioria tremeu de medo. Requião deu um passo pra frente e se apresentou:

- Fui eu! Algum problema?

- Não... é só pra avisar que a primeira demão secou!

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