03/07/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 02/07/2009 às 20:38:43
Voto sem volta
Nas catacumbas da consciência, certos políticos tratam os eleitores como se estes fossem clientes de uma loja de bugigangas que, de dois em dois anos, são obrigados por lei a comprar o que estiver em oferta, sem discutir o preço e a qualidade do produto. Consumidores compulsórios sem o direito de reclamar do atendimento.
Fundador da Wal-Mart, maior rede varejista do mundo, Sam Walton (1918/1992) sempre lavava o próprio prato após as refeições e sua filosofia dizia que não há preço baixo na loja sem custo na empresa. Por isso, é preciso economizar cada centavo. Na Wal-Mart, também impôs uma série de rituais preservados até hoje. Antes de qualquer reunião, todos bradam cada letra da palavra Wal-Mart, dão uma rebolada ao anunciar o hífen e soltam os pulmões para gritar que o cliente é o número 1, sempre.
Numa dessas reuniões, depois de sacudir o hífen, ele fez um discurso para os funcionários em treinamento que ficou para história dos negócios. A moral da história, ou do discurso de Walton, é que “os clientes podem demitir todos de uma empresa, do alto executivo para baixo, simplesmente gastado seu dinheiro em algum outro lugar”.
***
Sempre lembrada pelos publicitários, a lição de casa do fundador da Wal-Mart:
- Eu sou o homem que vai a um restaurante, senta-se à mesa e pacientemente espera, enquanto o garçom faz tudo, menos o meu pedido.
- Eu sou o homem que vai a uma loja e espera calado, enquanto os vendedores terminam suas conversas particulares.
- Eu sou o homem que entra num posto de gasolina e nunca toca a buzina, mas espera pacientemente que o empregado termine a leitura do seu jornal.
- Eu sou o homem que, quando entra num estabelecimento comercial, parece estar pedindo um favor, ansiando por um sorriso ou esperando apenas ser notado.
- Eu sou o homem que entra num banco e aguarda tranquilamente que as recepcionistas e os caixas terminem de conversar com seus amigos, e espera.
- Eu sou o homem que explica sua desesperada e imediata necessidade de uma peça, mas não reclama pacientemente enquanto os funcionários trocam ideias entre si ou, simplesmente abaixam a cabeça e fingem não me ver.
- Você deve estar pensando que sou uma pessoa quieta, paciente, do tipo que nunca cria problemas.
Engana-se.
Sabe quem eu sou? Eu sou o cliente que nunca mais volta!
Divirto-me vendo milhões sendo gastos todos os anos em anúncios de toda ordem, para levar-me de novo à sua firma. Quando fui lá, pela primeira vez, tudo o que deviam ter feito era apenas a pequena gentileza, tão barata, de me enviar um pouco mais de cortesia!
***
Porque os políticos nos tratam como se fôssemos clientes de uma loja de bugigangas, otários que de dois em dois anos são obrigados a engolir as ofertas da vitrine, devíamos repassar aos eleitos a seguinte versão do discurso de Sam Walton:
- Eu sou o homem que chega em casa, senta-se no sofá e pacientemente lê no jornal que os políticos não fazem outra coisa a não ser articular benesses, discutir alianças e tramar vinganças.
- Eu sou o homem que assiste à televisão calado, enquanto a reportagem denuncia novas e escandalosas nomeações de familiares e aliados políticos.
- Eu sou o homem que, quando num hospital público, parece estar pedindo um favor, ansiando por um sorriso ou esperando apenas ser notado.
- Eu sou o homem que entra na Assembleia e aguarda tranquilamente que os deputados terminem de conversar com seus amigos, e espera.
- Eu sou o homem que explica a desesperada e imediata necessidade de segurança no bairro, mas não reclama pacientemente enquanto os responsáveis trocam ideias entre si ou, simplesmente abaixam a cabeça e fingem não me ver.
***
Você deve estar pensando que sou uma pessoa quieta, paciente, do tipo que nunca cria problemas. Engana-se. Sabe quem eu sou? Eu sou o eleitor que nunca mais volta!
Walmart
Walmart
Walmart
Bebel Ritzmann
Os Paulistas estão chegando