07/02/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 06/02/2010 às 17:20:37

Justiça a quem merece

É preciso fazer justiça ao senador Osmar Dias: é um homem de caráter. Sei que é temerário fazer elogios ou formar conceitos sobre políticos - nunca se sabe até quando eles são sinceros e verdadeiros. Mas não tenho receio de me referir a Osmar Dias. E está me parecendo necessário que alguém também fale (bem) dele neste início de ano eleitoral. Não apenas por ser justo, mas por uma questão de isonomia entre os eventuais candidatos. Além do que, decepção por decepção, nenhuma será maior do que as já sofridas com FHC e Lula.

Não conheço pessoalmente o senador Osmar Dias, embora já o tenha tido como cliente nos meus tempos de advocacia. Ou, por outra, ajudei uma valorosa equipe de advogados a contestar a safada maneira com que foi “privadoado” o Banestado. A ação foi formulada em nome dos então senadores pelo Paraná: Osmar, Alvaro e Requião. Dos três, Osmar foi o único a mostrar interesse em participar. Pedia notícias diárias do andamento do processo e as transmitia ao País da tribuna do Senado.

Dizem-me que Osmar Dias tem gênio forte e pavio curto. Tipo Roberto Requião, de quem já foi companheiro de luta e de ideal. Isto, porém, pouco importa agora. O que precisa ser dito é que Osmar, goste-se ou não dele, tem sido um eficiente senador da República e atuado com dignidade na defesa dos interesses do Paraná. Ainda que, para tanto, tenha de sobrepor-se a ofensas pessoais, calúnias e traições de ex-aliados, ex-correligionários e ex-amigos. Coisa rara na política nacional. Prova que o velho desequilíbrio foi ou está sendo dominado.

Esta semana, Osmar voltou ao tema Banestado. Subiu à tribuna para protestar contra a multa que o Tesouro Nacional tem cobrado do Paraná pelo não pagamento dos títulos podres do antigo banco, imposto ao Estado, e da paralisação de um projeto de sua autoria que nos isenta da dívida. Tem carradas de razões para isso: o Paraná recebeu R$ 5,5 bilhões pela malfeita “privadoação”, já pagou R$ 7,9 bilhões e, segundo da União, ainda deve R$ 9,6 bilhões até 2029! Enquanto isso, o Estado está impedido de receber repasses financeiros federais e de contrair empréstimos externos. Coisa de louco! E os mentores e executores do grande negócio continuam soltos.

O senador aponta, sem pejo, o governo Jaime Lerner e seus asseclas pela prática de crime contra os paranaenses. Entre eles, o atual presidente do PSDB no Estado, deputado Valdir Rossoni, e o ex-deputado estadual e atual prefeito curitibano, Beto Richa. Novamente, está coberto de razão. E teve o apoio do mano Alvaro: “Essa gente tem de ser responsabilizada, incluindo os que votaram pela privatização. O patrimônio do Banestado foi sendo dilapidado pela incúria administrativa”. Até ser entregue de mão beijada ao Itaú. Mas a parte podre foi deixada no colo do Estado do Paraná. Grande negócio... de patifes! Repita-se.
“Com os R$ 68,5 milhões que estão sendo pagos por mês, daria para construir duas mil casas populares”, destacou Osmar.

O senador é uma das poucas esperanças políticas ainda existentes no Paraná, juntamente com o nosso Gustavo Fruet. Tem história, tem trabalho, tem planos. Não é um yuppie emplumado construído pela mídia, não foi tirado de uma cartola mágica para atender interesses político-partidários nem é capaz de se deixar monitorar. Se vai dar certo no governo do Estado, caso seja eleito, não se sabe. Mas ele precisa chegar lá para mostrar.

Faço apenas um adendo ao pronunciamento-protesto do senador Osmar: entre os responsáveis pela “privadoação” do velho Banestado figura com destaque o Judiciário paranaense. A ação ajuizada pelos senadores da República, há uma década, continua caminhando com a celeridade daquele réptil da ordem dos Quelônios, de membros curtos e coberto por uma carapaça de placas ósseas, sem que ninguém tome uma providência. Assim, se não se faz justiça no caso Banestado, faço-a eu em relação a Osmar Dias.

P.S. -
Na coluna passada, onde se leu Emenda Constitucional 63, leia-se, por favor, Emenda Constitucional 62. O resto permanece intacto.

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