07/06/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 06/06/2009 às 20:56:36
A Copa despropósito
Eu havia decidido não escrever uma linha sequer sobre a tal Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Por vários motivos, mas especialmente por achar um despropósito, próprio de países subdesenvolvidos e subnutridos, mas metidos a besta, carentes de tudo, menos de políticos ambiciosos e desmiolados e de empresários de olhos pregados apenas em eventuais lucros, como o nosso. No entanto, depois do requentado anúncio das subsedes nacionais, não se fala de outra coisa. Assanhou insanos deslumbrados e oportunistas sempre de plantão, e está todo mundo surfando na maionese.
A esperada inclusão de Curitiba no roteiro, então, é uma asneira de doer, que só não enxerga quem não quer (ou tem interesse no negócio). Sediaremos aqui, no máximo, uma partida, disputada, provavelmente, entre equipes tipo Bulgária vs. Camarões. E qual a vantagem disso para a capital ou para o Estado do Paraná? Nenhuma. Ou muito pouca. Construção de novos estádios? Melhorias viárias? Explosão do comércio? Expansão do turismo? Tenham a santa paciência!
Vamos e venhamos!, como dizia minha avó. O Brasil não tem (e muito menos Curitiba) estrutura (material e financeira) para sediar Copa do Mundo de futebol. Não temos estádios compatíveis, tampouco segurança, malha rodoviária, planejamento urbano e urbanidade, dirigentes confiáveis, transparência e controle das despesas... enfim, essas coisinhas necessárias.
Entre os assanhados locais, despontam a Federação Paranaense de Futebol, claro!; o vice-governador Pessuti, de olho nas eleições de 2010 (curioso: Requião tem preferido ficar um tanto à margem do assunto. Faz sentido: o governador pode ter todos os defeitos do mundo. E os tem, quase todos. Mas burro não é); o prefeito Beto Richa (o mais recente peregrino das terras paranaenses, com o mesmo objetivo do vice Pessuti); e a crônica esportiva, por dever de ofício.
Curitiba tem o estádio mais moderno do Brasil, a Arena da Baixada atleticana (ah, que saudade do time, que um dia já existiu!). Mas, a partir de janeiro, será fechado para adequar-se à Copa (atletas e torcedores serão deslocados para onde? Talvez para o estádio do Trieste, que também não existe mais). Curitiba tem, ainda, segundo os organismos internacionais (a opinião é deles; por favor, não me comprometam), um dos melhores sistemas viários urbanos do mundo. Mas, o nosso Beto, em razão na Copa, acha que precisamos é do metrô e está decidido a cavar a terra da Capital, a partir de 2010. É obra para vinte anos. E para a Copa faltam apenas cinco. Aliás, quantos anos estamos metidos na tal Linha Verde? Quinze? E a obra ainda não terminou.
É preciso dizer mais?
Antônio Dilson Pereira, bom amigo desta coluna, disse.
E suas palavras foram publicadas no Mural do Leitor de O Estado de quinta-feira. Embora seja amante do futebol e até tenha ficado feliz com a passagem da Copa pela outrora pacata e mui hermosa Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, Dilson indaga: “a) quem vai fiscalizar as obras a serem realizadas com dinheiro público?”. Justifica: os Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio de Janeiro, eram orçados em R$ 700 milhões, foram gastos R$ 3 bilhões e até agora ninguém prestou contas. E vai desfilando as suas interrogações: “b) os equipamentos públicos que serão construídos terão manutenção após o evento ou vão ser abandonados para se transformarem em refúgio de desocupados?”. Explica a dúvida: “Cada vez que passo na frente do Ginásio do Tarumã (Ginásio Almir de Almeida) fico triste pelo abandono do local”.
E “c) quem será encarregado de planejar e projetar a infraestrutura de Curitiba para receber o evento?”. Também justificou a pergunta, mas nem precisaria.
Sabe, meu estimado Dilson, a esperança é que os maias e um monte de videntes, alguns até com base científica, estejam certos e que tudo isso aqui acabe em 2012. É a única maneira de nos livrarmos de Ricardo Teixeira e seus seguidores.
Walmart
Walmart
Walmart
Claudio Schamis
Tsunami de emoções!