29/01/2012 às 14:46:43 - Atualizado em 29/01/2012 às 14:52:40
Outro prédio desaba - e lá vem mais uma "apuração"
Na última quarta-feira dia 25 por volta de 20:30h, na região da Avenida Treze de Maio, no Centro do Rio de Janeiro, bem atrás do Theatro Municipal, dois prédios desabaram levando a reboque um sobrado.
Em entrevista o prefeito Eduardo Paes informou que um prédio tinha dez e o outro vinte andares e as causas prováveis do ocorrido "aparentemente" seria em razão de um dano estrutural.
Há exatos 17 anos um prédio desabou no centro de Guaratuba matando 29 pessoas, sem falar no Palace II do Sérgio Naya que matou 8 e deixou 170 famílias desabrigadas.
Pode "parecer pouco" em um país com tantos prédios, mas não é, na verdade esse tipo de acontecimento é inaceitável e só ocorre, em países do politicamente incorreto "terceiro mundo", na Suíça isso não acontece, e não é porque o terreno de lá seja mais firme ou seus engenheiros mais competentes que os nossos, é por causa dos detalhes.
O que diferencia os países desenvolvidos dos subdesenvolvidos é exatamente o jeito de fazer as coisas, o comprometimento de quem faz e a responsabilidade subjetiva (aquela que não precisa ser fiscalizada) que habita o caráter de quem tenta ser correto.
Aqui no Brasil se o cara exige que se chegue na hora marcada para a reunião é um "chato", se pede para refazer o documento onde se trocou o "s" pelo "z" é um sistemático, se diz que não vai beber antes de dirigir é um trouxa e por aí vai, até situações mais sérias e catastróficas, como a do engenheiro que determina a especificação do aço "X" para a coluna "Y", mas alguém diz que não precisa e manda colocar um material de menor resistência.
É impressionante a mediocridade da nossa mão de obra em geral, mas na construção civil ela avulta de importância, porque além da feiura estética, pode causar tragédias como a desta semana.
Dificilmente se encontra uma construção onde os espaços não sejam imprecisos (apesar de todas as possibilidades tecnológicas para medir, aferir etc), e onde o chão não penda para o lado oposto ao ralo, as infiltrações são um caso a parte, raro uma residência onde a pintura, nas partes mais baixas, não se solte depois de algum tempo, e as "desculpas" as mais variadas e criativas (claro que a culpa sempre é do outro profissional, ninguém assume nada): é o reboco que não foi bem feito, é o fundo da tinta que não foi apropriado, é o alicerce que foi mal confeccionado etc.
Se os detalhes fossem melhor trabalhados por nossos profissionais (de todas as áreas) poderíamos ser um país como a Suíça, onde existem o erro a imperfeição é evidente, mas não a irresponsabilidade consciente e a preguiça deletéria que além de impor ao país milhões em prejuízos de todas as formas, chega em tragédias limite como esta, a tirar a vida de inocentes.
Oxalá na apuração dos fatos seja dada a devida importância aos detalhes, já que na construção e fiscalização (o poder público sequer sabia que um dos prédios tinha subsolo) tudo indica que foram preteridos.



















Plantão Policial
Plantão de Terça - 22/05
Tribuna da Verdade
Justiça. Nada mais!
Mara Cornelsen
Agradecimento