07/09/2010 às 10:57:49 - Atualizado em 07/09/2010 às 10:58:17

Todo jogador tem o seu empresário

A "figura" do empresário no futebol nasceu como uma espécie de "facilitador" na relação "clubes e atletas". O empresário era o representante do atleta na conquista de avanços salariais e de vantagens profissionais. Dialogava em seu nome e buscava melhores condições para seus representados.

Nem todos os jogadores possuíam empresários e muitos cuidavam sozinhos de suas carreiras, de seus contratos, de suas avenças profissionais.

Com o tempo a situação sofreu três inversões muito grandes.

A primeira. Com o necessário fim da "lei do passe", que aprisionava os atletas aos seus clubes, os empresários encontraram o seu espaço, o seu rumo, o seu caminho, o seu norte. Direitos virtuais econômicos viraram febre e avanços significativos na formação de grandes empresas de representação foram vislumbrados. 

A segunda. De "facilitador" o empresário passou a ter um papel de "agenciador", no sentido de buscar e encontrar novas e rentáveis colocações para os jogadores. Deixou de tratar do vínculo contratual existente para propor outros vínculos, outras situações. A Lei Pelé, outra vez, foi decisiva para a nova realidade.

A terceira. Praticamente ficou impossível que um jogador não tivesse seu empresário. A lei facilitava a vida dos agentes e o mercado passou a exigi-los, mercê das vantagens e das "trocas de vantagens" que só eles poderiam conquistar. Virou regra. Regra de conveniência e de conivência.

De aprisionados aos clubes os jogadores passaram a aprisionados a empresários ou a grupos constituídos de empresários. Deu-se, na prática, mudança de patrão.

Os clubes empobreceram, alguns dirigentes enriqueceram, os empresários ficaram riquíssimos e os jogadores, bem, os jogadores continuaram a jogar futebol...

O empresário que no início da carreira presenteava com chuteiras e material, que dava uma "forcinha financeira" para o final de semana de folga e que ajudava a família do atleta se transformou em "dono" de direitos econômicos comprados com casas familiares, facilitações de ocasião, empregos e colocações, carros, boas estruturas de apoio (com direito a lavagem cerebral e tudo mais) e em "senhor" da representação integral.

Tudo de acordo com os permissivos legais e com os interesses de todos. O empresário passou a ser "um mal estritamente necessário". Os dirigentes não perguntavam mais o que o atleta queria e sim quem era o seu empresário... Negócios...

Conheci alguns poucos e bons empresários, que tratavam seus representados como gente, como seres humanos e que buscavam para eles o melhor. Louvo-os, até pela exceção.

Mas conheci, também, incontáveis maus empresários, que tratavam seus representados como coisa, como objeto, como mercadoria, onde o mais importante era a parte do empresário, seu interesse e suas intenções. Abomino-os, como verdadeiros gigolôs do trabalho alheio.

Os jogadores precisam escolher melhor os seus empresários e refletir bem sobre suas reais necessidades. Já os clubes precisam ter mais energia e força na relação com os empresários, sob pena de o futebol sofrer ainda mais.

Nota. Como falo de empresários, soube que um de sues mais conhecidos, o lendário Juan Figger, está encerrando suas atividades.

Fico com o dito popular: "É o olho do dono que engorda o porco..." e não o "olho alheiro"!

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