15/10/2010 às 17:22:06 - Atualizado em 23/10/2010 às 21:03:36

Crítica: Tropa de Elite 2, 2010

Por: Eduardo Maurício (xcine)

O trailer de tropa de elite 2 entrega tudo aquilo que normalmente convêm em uma continuação: Mania de querer fazer tudo maior. Pressão que os realizadores sentem ao tentar apresentar evolução em relação ao trabalho anterior.

Ao assisti-lo, nota-se que realmente tudo está maior, mas felizmente, maior de forma positiva: Efeitos, fotografia, montagem, efeitos sonoros, edição e mais personagens. Esteticamente um filme quase perfeito, cuja maior qualidade (roteiro) é também seu maior defeito.

Toques de hollywood

No primeiro filme, a idéia era mostrar como o Batalhão de Operações Policiais Especiais combatia o tráfico nos morros cariocas (com uma moderada dramatização do diretor José Padilha e do roteirista Bráulio Mantovani), trazendo personagens e fatos fictícios. Já em tropa de elite 2, tudo se torna mais interligado, mais "certinho", o que de um certo ponto é até necessário para dar sentido a apresentação do novo inimigo, o governo, que imagino, não seria nada fácil representar utilizando o mesmo estilo documentário do primeiro.

O resultado é eficiente, mas não perfeito. É notável a roupagem hollywoodiana que o filme ganha, exemplo pode ser visto logo no começo, em uma cena onde o uso da câmera lenta é utilizada.

Sangue e Bordões

Tropa de elite 2 não é só papo cabeça, as cenas "cools" ainda estão lá. O Fato do Bope ter ficado em segundo plano devido a trama política não quer dizer nada. A violência continua pesada, e ganha ainda mais força graças aos efeitos internacionais. Estão aqui os tiroteios de fuzil, os tiros a queima roupa, o microondas ("Vocês ingordarão o porco agora nois vai assa".), a tortura (Bota no saco!), a porrada (uma em destaque onde nascimento espanca com vontade um corrupto) e os grandes bordões chicletes difíceis de ignorar e que vão garantir algumas risadas (da pra contar pelomenos uns sete).

Elenco 6 estrelas

O filme não seria o que é se dependesse só da qualidade técnica e do roteiro. Um dos focos principais está no elenco, que pasmem - oferece o maior show que já vi um elenco Brasileiro oferecer. Qualidade esta que prefiro nem entrar em detalhes para não estender este texto. Wagner Moura, André Ramiro (Mathias) e Milhem Cortaz (Capitão Fábio) arrebentam, mas desta vez não estão sozinhos, atores até então desconhecidos vão ganhar destaque: Irandhir Santos (Fraga) e Sandro Rocha (Russo) por exemplo.

Tropa 1 x Tropa 2

É inevitável não comparar uma sequência com seu filme original. Mas Tropa de Elite é um caso complicado, embora possuam suas diferenças escancaradas.
O primeiro é mais realista, o segundo mais ficcionista, o primeiro mais corrido, o segundo mais cabeça, O primeiro mais chocante, o segundo mais tenso, ambos estampam a verdade, mas apenas o segundo nos dá uma reflexão profunda da situação, embora o primeiro torne a situação muito mais compriensível. Cada um tem sua importância, cabe a você espectador decidir com qual dos temas mais se revolta, ou simplesmente com qual dos filmes mais simpatiza. Particularmente... Eu não sei qual escolher.

Em fim, não sou brasileiro, mas amo o Brasil, e fico feliz que mesmo que por pouco tempo, os brasileiros tenham reconhecido finalmente o potencial que possuem no cinema. É uma pena que demorou tanto, e precisou de um filme como este para mostrar que o país também é capaz de fazer clássicos, nem que para isso tenha que contar com ajuda internacional.

Gênero: Drama - Policial
Duração: 115 min
Origem: Brasil
Distribuidora: Zazen/MAM
Direção: José Padilha
Roteiro: Bráulio Mantovani
Produção:

Marcos Prado, José Padilha

Estréia: 08/10/2010 (Brasil)

Wagner Moura ... Capitão Nascimento
André Ramiro ... Matias
Irandhir Santos ... Fraga
Maria Ribeiro ... Rosane
Milhem Cortaz ... Capitão Fábio
Seu Jorge ... Beirada
Sandro Rocha ... Russo
Pedro Van Held ... Rafael
Tainá Müller ... Clara

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