29/07/2010 às 16:00:50 - Atualizado em 29/07/2010 às 16:00:54
Lugo, imprensa e guerrilha
Tomando como base fotografias nas quais Fernando Lugo aparece em atos públicos ao lado de pessoas acusadas de vinculação com o grupo insurgente "Exército do Povo Paraguaio - EPP", o jornal ABC Color acusou, nesta quarta-feira, o presidente paraguaio de ter laços com a "guerrilha".
Nas fotografias, que conforme a versão inicial difundida pelo jornal, teriam sido apreendidas em um acampamento atribuído ao EPP (informação desmentida pelo ministro do Interior, Rafael Filizzola), aparece, além de Lugo, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro.
As imagens, ao que tudo indica, foram captadas durante visita de Lugo e Maduro aos departamentos (estados) de Concepción e San Pedro, para o acompanhamento de programas agrícolas e ações voltadas a desenvolver a agricultura camponesa em uma das regiões mais turbulentas do Paraguai.
Um dos personagens destacado pelo ABC Color é Adriano Muñoz Pérez, irmão da engenheira agrônoma Sonia Ignacia Muñoz (presa pelo sequestro de Luis Alberto Lindstron, atribuído ao EPP) e suposto membro da equipe de logística da "guerrilha" que atua, justamente, nas zonas rurais de Concepción e San Pedro.
Muñoz Pérez, que fez parte de seus estudos na Venezuela e participou de um evento de boas-vindas a Fernando Lugo no país caribenho, em 2008, estaria vinculado, ainda, ao foragido Alejandro Ramos, líder da Organização Camponesa do Norte (OCN) e apontado pelo governo paraguaio como integrante do EPP.
As acusações do ABC Color, que tiveram grande visibilidade em países como Colômbia, Venezuela e Argentina, foram desestimadas pelo chefe de gabinete da Presidência da República, Miguel Angel López Perito, e pelo ministro do Interior, Rafael Filizzola.
Horas mais tarde, ao comentar a morte do "guerrilheiro" Severiano Martínez, abatido em confronto com a polícia nesta quarta-feira, no extremo norte do país, o próprio Fernando Lugo comentou sobre o caso.
"Dissemos que não descansaríamos até devolvermos a paz e a tranquilidade aos paraguaios, e, com isso [morte de um dos homens do alto escalão do EPP], demonstramos que não temos vínculo com esse tipo de grupo. O governo não descansará até que o EPP desapareça", afirmou.
A verdade, porém, é que independente do que Lugo diga ou seu governo faça, parte da imprensa busca, desesperadamente, elementos que o vinculem, de maneira concreta, ao surgimento do EPP em San Pedro. O que explicaria, de certa forma, as até agora frágeis acusações formuladas pelo principal jornal paraguaio.
Curtas do dia
* Ganhou repercussão internacional, nesta quarta-feira, a notícia do desaparecimento da israelense Pnina Ayal, 63, cujo último paradeiro conhecido seria a Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Em 08/07, a idosa encontrava-se em Puerto Iguazú e teria dito que cruzaria a Ponte Tancredo Neves em direção a Foz do Iguaçu, onde pretendia embarcar em um voo que a levasse até a Amazônia.
* Na cabeceira brasileira da ponte, porém, não há qualquer registro da passagem de Ayal pelo setor de migrações. Não há, também, informação sobre embarque no aeroporto de Foz ou movimentação por outros pontos da região. O caso é acompanhado de perto pela Embaixada de Israel e por familiares, que disponibilizaram os fones (45) 9963.8954 e 3027.2900 para informações sobre o paradeiro da idosa.
* O presidente Lula desembarca no Paraguai nesta sexta-feira para reunir-se com o colega Fernando Lugo. A estada no país será breve e durará pouco mais de quatro horas, com Lula e Lugo cumprindo agenda que inclui o início das obras da subestação que receberá a energia da nova linha de Itaipu na região de Asunción e entrevista coletiva para falar sobre o andamento do acordo datado de julho de 2009.



















Willy Schumann
Confira as 20 profissões que estão ameaçadas de extinção
Bebel Ritzmann
Festa e comida: ô trem bão sô
Dante Mendonça
Calçadas da discórdia
Blog da Redação
Coisas que você nunca viu
