28/07/2010 às 14:43:09 - Atualizado em 28/07/2010 às 14:43:14

Cachaça paraguaia

Em declarações reproduzidas pelo portal Misiones Online nesta terça-feira, o fabricante da célebre caña Cachapé, da Argentina, denunciou uma nova modalidade de crime fiscal e concorrência desleal na região fronteiriça: o contrabando de cachaça paraguaia.

De acordo com Javier Vera, que alega que sua empresa está sendo prejudicada pelo ingresso massivo de cachaça paraguaia, a bebida em questão é a caña Fortín, levada à Argentina via portos clandestinos do rio Paraná e vendida em pequenos comércios e, até mesmo, nas ruas da província de Misiones.

"Estamos preocupados e isso nos afeta comercialmente. Nos tomam como preço de referência e nos utilizam para estabelecer os parâmetros, com concorrência desleal", analisou.

"Pedimos que haja resposta das autoridades e uma responsabilidade dos meios de comunicação para que seja dimensionado o dano provocado à atividade da empresa, que cumpre com o pagamento de impostos, os padrões de qualidade e gera mão-de-obra local", complementou.

Na região de Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, o fenômeno da cachaça paraguaia ainda é recente e, pelo menos por enquanto, não causa distorções no mercado. As principais bebidas contrabandeadas na Tríplice Fronteira são o vinho (da Argentina para o Brasil) e a cerveja (do Brasil para o Paraguai).

Já quanto ao "uísque paraguaio", bem... procure-o na região de Blumenau, onde a polícia já pegou, em pelo menos duas ocasiões, espertinhos que "batizavam" a tradicional bebida escocesa com qualquer porcaria que tinham à vista e atribuíam a origem da mistura (e da dor de cabeça por ela provocada) ao Paraguai.

Curtas do dia

* O Serviço Reservado da Polícia Militar efetuou, no final da tarde de segunda-feira, a prisão de dois policiais militares que recebiam propina de contrabandistas em uma praça da região central de Foz do Iguaçu. O flagrante ocorreu no momento em que os policiais, uniformizados e de posse de uma viatura, recebiam R$ 200,00 de dois homens que chegaram a bordo de uma motocicleta.

* O recebimento do dinheiro seria para "facilitar" a passagem de mercadorias contrabandeadas do Paraguai, em esquema similar ao que provocou a prisão de policiais civis no mês de abril, durante a "Operação Desvio", encabeçada pelo GAECO. A identidade dos policiais, recluídos provisoriamente no 14º BPM, será mantida em sigilo enquanto durar o processo por corrupção passiva e abandono de posto de serviço.

* Amplamente repercutidas pela imprensa local, as declarações de José Serra, afirmando que o acordo sobre Itaipu é "filantropia", foram minimizadas pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Héctor Lacognata. Na opinião de Lacognata, enquanto durar a campanha eleitoral, o falatório dos presidenciáveis brasileiros não deve ser encarado com relevância.

 

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