29/05/2010 às 16:09:34 - Atualizado em 29/05/2010 às 16:12:32
Sobre patos, ovos e pontes
Quando criança, você, assim como eu, já deve ter ouvido a anedota sobre o pato que botou um ovo no meio da ponte entre Brasil e Chile. "De quem é o ovo? Do Brasil ou do Chile?", pergunta o hilário interlocutor, emendando que pato não bota ovo (quem bota é a pata) e Brasil e Chile não fazem fronteira.
Por que conto esta história? Porque a Ponte da Amizade, por incrível que pareça, é cenário de dúvida similar.
Imagine, pois, que acontece um crime no meio da Ponte da Amizade. De quem é a responsabilidade de atender a ocorrência e capturar os bandidos? Da polícia do Brasil? Do Paraguai? Ou do policial que estiver na reta que o bandido correr, mesmo o crime tendo ocorrido em outro país?
Na noite de quinta-feira, um brasileiro que retornava do Paraguai, a pé, foi esfaqueado nas proximidades da aduana brasileira, por assaltantes que fugiram em disparada rumo a Ciudad del Este.
Neste caso específico, nenhuma das polícias fez coisa alguma, uma vez que a ocorrência não foi percebida de imediato e Genival Alves da Silva, 39, permaneceu inerte na passarela,até que socorristas fossem alertados e fizessem o atendimento.
Felizmente, apesar da perda de sangue, Genival recupera-se do ferimento em um hospital de Foz do Iguaçu, para onde foi levado em uma ambulância do SIATE.
São famosas, no entanto, a falta de comunicação e as divergências de jurisdição entre as polícias de Brasil e Paraguai na Ponte da Amizade, com policiais paraguaios (e, também, marinheiros) sendo acusados, frequentemente, de fazer "corpo mole" ou acobertar as ações de delinquentes.
No papel, cada país cuida de sua metade da ponte. Na prática, roubar de um lado e correr para o outro é uma estratégia que, raramente, acaba com a prisão de seu aderente, que na maioria dos casos, nem se dá ao trabalho de chegar à linha do meio, pois sabe que, com pouco ou nulo patrulhamento, a Ponte da Amizade é, na verdade, terra de ninguém.
Dicas para evitar assaltos na ponte
Entrou em pânico ao ler o texto acima? Calma, fique tranquilo. Assaltos e outros crimes são cada vez menos comuns na passarela fronteiriça.
Se prevenir é o melhor remédio, no entanto, as dicas abaixo, que valem também para outros ambientes urbanos de grande circulação de pessoas, podem ser úteis para evitar problemas:
* Coloque a carteira no bolso da frente da calça, prestando atenção a qualquer movimento estranho. Para evitar perdas maiores, distribua o dinheiro pelo corpo. Mochilas devem ser carregadas na frente, junto ao peito. Leve apenas os documentos necessários.
* Mulheres devem evitar o uso de joias e bijuterias fáceis de serem arrancadas, como brincos, correntes e pulseiras. A bolsa deve ser mantida junto ao corpo, de preferência, do lado de dentro da calçada.
* Em dias de engarrafamento, evite deixar os vidros do carro abertos. Mantenha as portas trancadas e não deixe sobre os bancos objetos e volumes que possam chamar a atenção dos marginais. Não embarque em vans ou táxis cujos passageiros pareçam-lhe "suspeitos".
* Em caso de dúvida sobre qual meio de transporte utilizar, escolha o ônibus. Apesar de pouco confortável, cruzar a fronteira de ônibus evita também os rotineiros pedidos de propina aos motoristas brasileiros que entram de carro em Ciudad del Este.
* Se, mesmo com estas dicas, você tiver problemas, não deixe por menos! Denuncie o caso à Policia Nacional do Paraguai e aos órgãos policiais brasileiros, para evitar futuros constrangimentos provocados pelo uso indevido de documentos ou cartões de crédito.



















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