06/08/2008 às 00:00:00 - Atualizado em 05/08/2008 às 20:13:02
Pequena empresa: proibido crescer
Paulo Lofreta
O percentual de empresas de pequeno porte que permanece de portas abertas em seus dois primeiros anos de vida cresceu, passando de 50,6% (2002) para 78% (2005). Contribuíram para isso a melhoria do ambiente econômico e a melhor qualificação do empreendedor brasileiro, que hoje se mostra mais capacitado para identificar as melhores oportunidades.
Nesse cenário, pequenas empresas se tornaram médias e, em lugar de comemorarem seu feito e serem reconhecidas por isso, passam em pouco tempo da euforia inicial à completa frustração. Falta-lhes apoio técnico, linhas de crédito diferenciadas, estímulo à inovação e uma política de incentivo ao pequeno empreendedor que ousa crescer.
No caso das empresas de prestação de serviços, a situação é ainda mais grave. Em lugar de uma política clara de incentivo, o que temos são medidas de desestímulo. Sua relação com o sistema financeiro é ainda mais complicada. Seu patrimônio é composto daquilo de mais importante uma empresa pode ter: funcionários e clientes. Infelizmente, tal ativo vale muito pouco na matemática dos analistas de crédito. A única garantia que tem valor para eles são prédios, maquinário ou estoques de matéria-prima.
O volume de empréstimos realizado pelos maiores bancos do País, nos primeiros meses desse ano, indica alguma mudança, ainda que tímida. O volume de crédito oferecido por instituições financeiras às micro, pequenas e médias empresas cresceu mais que os valores emprestados às grandes empresas. Só o Banco do Brasil realizou operações na ordem de R$ 25,6 bilhões 32% a mais que no mesmo período do ano passado. Entre os bancos privados, o total de empréstimos feito às pequenas empresas ultrapassou a marca dos 40% de incremento entre março de 2007 e março deste ano.
Esses recursos emprestados pelos bancos às pequenas e médias empresas saem dos cofres do maior agente público de financiamento do Brasil o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e chegam às mãos do pequeno empreendedor acrescidos de um spread sobre os juros já cobrados pelo banco oficial. Se nada mudar, o Brasil continuará forjando uma geração de empresários com medo de crescer e condenando o País ao atraso.
Paulo Lofreta é administrador de empresas e presidente da Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse).
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