12/07/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 11/07/2009 às 20:51:07
Elogio a Requião
Assumo: elogiei, sim, o fato do governador Roberto Requião (PMDB) ter comprado 1.100 ônibus escolares e nem liguei para o uso político que ele fez da compra. E vou continuar elogiando quem quer que use dinheiro público para o bem público, que é disso que o Brasil precisa. E mais: continuo achando uma besteira monumental o tal CQC da Rede Bandeirantes fazer da piada uma versão com humor do jornalismo sério. Não é. Por conta destas duas opiniões, passei a semana debaixo de desaforos e houve até leitor que veio com insinuações de que mudei de mala, cuia e neto recém-nascido para o palácio provisório das Araucárias.Ora, ora, com 56 anos nas costas, uma vida inteira usando sabonete gessy e tingindo o cabelo em casa para não gastar dinheiro à toa e aí ter que me entregar para os bandidos, e agora me vêm com essa! O caminho mais fácil para um jornalista fazer nome e pousar de oposição aos governos, qualquer um deles, é partir para a crítica desenfreada. É tão tranquila esta postura que a gente nem precisa sair de casa. A oposição nos entrega de mão beijada, e beijando nossas mãos, todos os números, os endereços e as fraudes, as informações mais escabrosas. E, a cada dia que passa, nossa boca fica mais torta porque a oposição nos saúda como os verdadeiros defensores da democracia e da independência profissional. Como diz o diabo, o pecado da vaidade é sempre o mais fácil de lidar e a linha que separa a independência profissional do porta voz da oposição, pura e simples, é teia de aranha, de tão fina.É claro que o governo de Roberto Requião tem problemas a dar om pau, equívocos monumentais, é deficiente em inteligência e criatividade, carece de planejamento, segurança, emprega requiões demais, a emissora de televisão pública é utilizada como cachorrinho de coleira e, como se isso tudo não bastasse, tem um governador chamado Roberto, com sua conhecida serenidade e simpatia quase amor. É preciso fazer um grande esforço diário para não cansar o leitor de tanto contar as confusões palacianas e as artimanhas políticas que se repetem sem parar na capital paranaense. Mas como não existe um governo totalmente ruim e nem totalmente bom, é recomendável buscar, sempre, a lucidez. E a lucidez está em reconhecer um benefício no meio de tanta aragem. A compra de 1.100 ônibus escolares é um benefício e, até prova em contrário, sem superfaturamento. Serviu como propaganda eleitoral para a campanha do governador ao Senado em 2010? Ora, mirem-se no exemplo da nova Lei Eleitoral, aprovada nesta semana pela Câmara Federal, senhores, onde um prefeito, ou um governador ou até um presidente da República pode permanecer no cargo de dia e sair para fazer campanha à noite, como todos eles sempre fizeram e vão continuar fazendo. Me poupem!
Em direção a Osmar
Tudo indica que um belo cavalo alazão vai surgir com os arreios “balangando” e parar exatamente na janela da chácara nos arredores de Curitiba onde o senador Osmar Dias, do PDT, chuta as canelas dos assessores nas peladas de fim de semana. Faltam um ou dois telefonemas do governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, para o prefeito de Curitiba Beto Richa, também do PSDB, sugerindo que ele deixe para 2014 o sonho de disputar o governo do Paraná e a aliança PDT-PSDB voltará a valer. Neste caso, Osmar Dias nadará de braçada e só se um terremoto varrer os campos paranaenses, não será eleito governador. O presidenciável José Serra começa a montar as alianças regionais para ter um palanque forte onde pisar no ano que vem e, no Paraná, não está nada difícil. Se tiver juízo, Beto Richa conclui seu mandato de prefeito, com o metrô curitibano sendo construído, em 2012, e chega em 2014, ano da Copa do Mundo e da próxima eleição, com a popularidade nas alturas e sem ninguém para concorrer com ele ao cargo. O acordo com Osmar Dias vai pressupor que ele fique no Palácio Iguaçu só por 4 anos (ele já disse que topa) e, assim, todo mundo sai satisfeito. Nesta semana, tucanos e pedetistas de alto coturno conversaram animadamente sobre o assunto. Com o aval da cúpula nacional.
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Fábio Campana
Serra estacionou
Et Cetera
A trama da Assembleia
Cerimônia de abertura do 19º Festival de Curitiba aconteceu nesta terça-feira (16) no teatro Ópera de Arame.