11/01/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 10/01/2009 às 14:00:06

A solução ideal

Que Beto Richa e seu projeto de gestão, que nada! Que prefeitos reeleitos e seus programas de governo mirabolantes que nada! A solução para os grandes e graves problemas de violência urbana, engarrafamento no trânsito, falta de creches e vagas nos hospitais, dengue, mau humor, calo, dor de barriga e mais um rosário de queixas que os paranaenses em geral têm das suas próprias cidades está na cara. Melhor, na estrada, mais precisamente na BR-277, no belíssimo trecho que conduz ao litoral do Paraná. E pode ser tomada assim, de supetão, num final de semana de sol e tempo firme, aí pelas 19h, horário de verão. Num domingo de preferência. Trata-se de uma atitude simples: basta construir uma barreira, sem concorrência pública, e se as prefeituras em geral quiserem economizar, pode ser exatamente na praça deste pedágio absurdo, R$ 12,50 por carro, que se paga para passar pela Serra do Mar. Uma barreira das boas, de fora a fora da BR, no sentido Paranaguá-Curitiba e...pronto! Os 2 milhões de paranaenses que vão brancos para a praia e estão voltando vermelhos, já não poderão retornar aos seus endereços de origem. Por que a preocupação da cor, entre o branco da ida e o vermelho da volta? Preconceito? Nãããoo! Questão de identificação apenas. Somos uma população de brancos, de Barracão a Cianorte, de Ponta Grossa e Tuneiras do Oeste, de Curitiba a Foz do Iguaçu. Brancos, bem entendido, que jamais amorenam, por mais sol e bronzeador que se use. É uma distraçãozinha no mormaço da praia e lá vem um vermelhão de fazer inveja à bandeira do MST, e o início da sequência natural das coisas: ardência total, bolhas, descascado e o medo do câncer de pele. O teste da cor, portanto, é para evitar que os 4 ou 5 ônibus de turistas nordestinos que sempre passam por Morretes e Antonina no verão sejam confundidos e prejudicados. Outro cuidado na verificação da cor é com o pessoal da soja. Estes podem enganar porque tomam sol durante a colheita e ficam morenos só até o final do pescoço. A partir daí, é uma espécie de brancura peluda que Deus nos acuda. Políticos do interior costumam apresentar o mesmo problema do pescoço escuro, mas apenas em ano de eleição, como foi 2008. Identificar os dois grupos, tanto o pessoal da soja como os políticos, é facílimo.O primeiro grupo não precisa nem mandar descer da F-1000. Só viajam assim. O segundo, o dos políticos, dão a dica na hora: se tentarem passar na praça do pedágio sem pagar, rede neles. Não tem erro.

E, depois de consolidada a barreira do verão teremos um Paraná das mil e uma noites, com cidades tranquilas, silenciosas, limpas, trânsito que flui, sem filas e uma capital sem estresse e com infraestrutura urbana suficiente para mais 30 ou 40 anos. Ninguém precisa se preocupar com o julgamento futuro por uma atitude destas. Afinal, os 2 milhões de paranaenses isolados, quer dizer, mantidos no litoral, ficarão com o Oceano Atlântico, a faixa de areia, a Mata Atlântica, Caiobá, as áreas virgens de Guaraqueçaba, o porto de Paranaguá, a Ilha do Mel e a Ilha das Cobras. E, junto com eles, pra recomeçar de novo, como líderes que são, o governador Requião (que passa o verão na Ilha das Cobras), o prefeito Beto Richa (que vai todos os finais de semanas para Caiobá) e até o presidente da Assembléia, Nelson Justus (que não sai de Guaratuba nesta época do ano). Alguém aí é capaz de ir contra um plano perfeito como esse para resolver todos os problemas do Paraná?

Folclore e pobreza

Morreu nesta semana o ex-prefeito de Bocaiúva do Sul Élcio Berti. Ele fez do exercício da política um espetáculo, com atitudes beirando o ridículo, como o aeroporto para OVNs, a distribuição de viagra de graça em praça pública ou a mudança do nome da cidade para "Bocaiork" esta sim a mais "jacu" de todas. Foi nepotista, ao eleger a própria mulher, Lindiara Santos, como prefeita e continuou mandante total no cargo de chefe de gabinete. Nada que muita gente boa por aí (lembram do Garotinho?) não tenha feito também. E exibia seus feitos no próprio gabinete numa parede cheia de quadrinhos com reportagens e artigos sobre a cidade. Mas é preciso lembrar que Berti foi um dos poucos prefeitos do Paraná que chamou a atenção para a pobreza histórica dessa região no canto sul, onde os índices de qualidade de vida sempre estiveram abaixo dos demais municípios. Se não resolveu muita coisa, mais pela ausência de qualquer projeto viável do que por falta de vontade ou de recursos, mostrou pelo menos a realidade. Atualmente o Ministério Público do Paraná, por conta própria, conduz um projeto social nesta mesma região e onde começou pelo básico do básico: distribuição da merenda escolar em horários compatíveis com a fome da criançada.

 

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