26/07/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 24/07/2010 às 16:10:22

Albino de Brito Freire e Leopoldo Scherner

Dicas para se falar e
escrever bem o português

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"A tecnologia aproxima-nos de quem está longe e afasta-nos de quem está perto."
Michele Norsa
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1. a) DESAPERCEBIDO ­ sem provisões, não preparado.
b) DESPERCEBIDO ­ não observado, não notado.
NOTA: Perceba a diferença! Nossa pertinácia e repetição não é caduquice, é ato consciente, propositalà

2. ESTÓRIA ou HISTÓRIA?
Houve um tempo em que se procurou "ressuscitar" o arcaísmo "estória", para coexistir ao lado de "história", mas com significado diferente. História seria a ciência. Estória seria a narrativa de cunho popular. Os bons gramáticos (dentre eles, Napoleão Mendes de Almeida) condenam a forma "estória". Alguns dicionários nem sequer a registram. Em conclusão, sugerimos o uso apenas da forma "história", para exprimir ambos os sentidos.

3. Impenitente ­ que não se arrepende, obstinado no vício, contumaz no pecado.

4. Bêbado ou bêbedo? ­ Ambas as formas são corretas.

5. a) "A jovem ela vai à cidade."
b) "As crianças elas não obedecem."
Evite esses pleonasmos viciosos, que se ouvem com frequência.

6. a) Houve enganos no cálculo.
b) Pode ter havido enganos no cálculo.
Formas corretas. Guarde-as com carinho!

7. a) Opróbrio ­ ignomínia, vergonha, vexame.
b) Detrator ­ aquele que deprecia, calunia, difama.

8. Quem nasce em Adis Abeba, que é a capital da Etiópia, diz-se adisabebenho.
9. "Perdi meu gatinho. Quem achá-lo avise-me, por favor." Errado! Com o futuro do subjuntivo (quem o achar, quem o fizer, quem o partir), é inaceitável a ênclise. Tenho que dizer: Quem o achar, quem o fizer (jamais: "fizé-lo"), quem o partir. Não se confunda, porém, o futuro do subjuntivo, que é o caso ora estudado, com o infinitivo impessoal. Ex.: a) Não deves ficar com o pão inteiro, mas reparti-lo com os outros. b) O amor? Podes achá-lo a qualquer momento. c) O bem? Deves fazê-lo, sem olhar a quem. Essas últimas formas (a, b, c) estão corretas.

10. Os dicionários registram a palavra portuguesa "vênia", de origem latina. Já a expressão "data venia" é puro latim e não leva acento. Você pode dizer, por exemplo, em bom português: "Com a devida vênia (aqui, sim, com acento!), eu discordo de Vossa Senhoria. A expressão latina "data venia" é uma forma estereotipada, imutável. O dicionário não está equivocado, ao registrar a forma vernácula.

11. S.I.D.A. é a forma correspondente a Síndrome da Imuno-Deficiência Adquirida, utilizada em Portugal e outros países. Em plagas tupiniquins, a forma usual é A.I.D.S.

12. Afro-descendente. Cabelo afro. Moda afro. Essas as formas corretas, e não como dizem ter constado em determinado concurso público. Trata-se de adjetivo uniforme, de dois gêneros. Não existe a forma "afra" para o feminino.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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