15/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 13/03/2010 às 17:01:11

Dicas para se falar e escrever bem o português

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"Ninguém é tão bobo quanto aquele que não tem consciência de sua própria ignorância."
Daisaku Ikeda
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1. Festas julinas?

Não existe a palavra julina. As festas populares realizadas no mês de julho são festas com características juninas. Compare-se, por exemplo, com sabatina, sabatinar, termos que remetem a sábado, mas expressam ações que podem realizar-se em qualquer dia da semana. Temos também quarentena, que remete a quarenta dias, mas pode durar tempo indefinido, tal como a quarentena (de três anos!) que se exige dos magistrados que se aposentam, antes de iniciar o exercício da advocacia.

2. a) A maior parte deles vai.
b) A maior parte deles vão.

Ambas as modalidades são corretas. Usa-se o singular para destacar a unidade. Usa-se o plural para destacar os diversos elementos.

3. Ele se portou que nem um animal.

É correto? Sim. Pode-se empregar que nem como segundo elemento de uma comparação.

4. a) Com certeza (talvez) ele escreverá.
b) Ele escreverá com certeza (com segurança).

5. Aplicar uma finta (não fita). No futebol, é aplicar um drible.

6. A palavra grama (como medida de massa) é do gênero masculino. Diz-se duzentos gramas. Mas, no Brasil, apesar da rejeição da língua culta, é usual também o feminino: Quantas gramas?

Seus compostos, porém, são sempre usados no masculino: Um miligrama, o quilograma etc.

7. a) Preito ­ sujeição, homenagem, pacto.
b) Pleito ­ demanda, debate (pleito eleitoral).

8. "Sua conta permanecerá ativa apenas se você acessá-la, ao menos uma vez."

Errado. Pouca gente se dá conta disso, mas o erro está na colocação equivocada do pronome "la" (na forma enclítica = depois do verbo). Mais do que um preciosismo, isso é uma preciosidade da língua. Veja: Se, de um lado, o infinitivo impessoal (processar) exige a ênclise, o futuro do subjuntivo (que com ele se parece) repele essa colocação pronominal. Apesar de errada, a colocação pronominal, nesse exemplo, não soa tão mal, porque se trata de um verbo regular (acessar). Damos uma dica: Substitua o verbo da frase (no caso, acessar) por um verbo irregular qualquer. Vai doer no ouvido e você, então, saberá qual a forma certa.

Exemplo: "... apenas se você fizé-la..." Doeu no ouvido ou não doeu? Então mude para: "... apenas se você a fizer..."

Logo, o certo, no caso dado, é:

"Sua conta permanecerá ativa apenas se você a acessar, ao menos uma vez."

9. "Os dois filhos estão melhores de saúde?" O certo é: "Os dois filhos estão melhor (= mais bem) de saúde?" Melhor é advérbio e, por isso mesmo, permanece invariável. Embora não seja da índole do idioma, o advérbio melhor (= mais bem) corresponde à forma francesa "mieux" e é largamente usada por bons escritores.

10. Nem todos os dicionários registram o adjetivo extasiante (= que provoca admiração). Se fôssemos dicionaristas, também nós o registraríamos.

11. Estou com ciúme (ou com ciúmes) de você. É evidente que, se você usar o plural (ciúmes), a concordância deve ser feita no plural.

12. A palavra "tampouco" quer dizer "nem"; já "tão pouco" quer dizer "muito pouco".

Errata: Em nossa coluna anterior, cometemos dois erros.

a) Ao estabelecer a expressão "mestra de cerimônias" como certa, esquecemo-nos de retirar os hífenes. (Então, faltou corrigir a presença dos hífenes e acabou saindo "mestra-de-cerimônias" - com os hífenes).

b) A palavra ALCATEIA (bando de lobos ­ coletivo) foi publicada com acento agudo no ditongo aberto "EI", mas não é mais acentuada, de acordo com a nova ortografia.

Pedimos desculpas aos prezados leitores.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras.

Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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