06/10/2008 às 00:00:00 - Atualizado em 03/10/2008 às 17:10:36

Dicas para se falar e escrever bem o português

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"O prazer dos grandes homens consiste em tornar os outros mais felizes."
Blaise Pascal

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1. Vocativo:
a) Pedro, venha cá.
Maria, está na hora de estudar.
b) Pedro! venha cá!
Maria! está na hora de estudar!
Observe que, se o chamado não for insistente, coloca-se vírgula depois do vocativo. Mas, se se quer dar ênfase ao chamado, pode-se usar ponto de exclamação, tal como nos exemplos acima.

2. Repare: um, uma; dois, duas; duzentos, duzentas; trezentos, trezentas.
Ex.: dois pêssegos, duas laranjas; duzentos caquis, duzentas maçãs; trezentas pêras.
Observação: Os numerais têm flexão feminina somente nesses casos.
a) Havia no comício duzentas mil pessoas.
b) Dois milhões de crianças morreram na guerra.
Assim é porque milhão é palavra masculina.
Não se pode dizer:
"Duas milhões de crianças..."

3. a) Vou escovar os dentes (não: meus dentes).
b) Vá lavar os pés
(não: seus pés).
c) Estou com dor nas costas (não: em minhas costas).
Nota: Não se usa o pronome possessivo com partes do corpo humano, a não ser em casos especialíssimos, para evitar ambigüidade.

4. A propósito de ambigüidade, habitue-se a revisar seus textos, escoimando expressões de duplo sentido. Não faça como aquele barbeiro que, sem querer, acabou espantando a freguesia, com seu cartaz em frente a sua barbearia: "Corto cabelo e pinto"...

5. a) Aqui faz verões muito quentes.
b) Faz três dias que ele chegou.
Observa-se, nesses exemplos, que se emprega o verbo fazer impessoal
(sem sujeito) para indicar fenômenos meteorológicos e para exprimir
tempo decorrido.

6. a) As crianças traziam alegria à casa (sem realce).
b) As crianças é que traziam alegria à casa (com realce).
c) Eram as crianças que traziam alegria à casa (com realce).
Nota: A expressão "é que" constitui um idiotismo da língua portuguesa, que dá
realce à frase, tal como nos exemplos acima.

7. Dublê. Você sabe o que é isso? Essa palavra tem sua origem no francês double, resultado de um cruzamento com doublé (particípio de doubler). Significa profissional que substitui ator ou atriz em cenas perigosas; sósia; indivíduo que exerce várias atividades paralelas (= dublê de juiz e escritor). Em Portugal, diz-se
duplo para significar nosso "dublê".

PEGADINHA:
"Nada mais prazeiroso do que goiabada com queijo."
Tudo certo, aí?

Resposta: Não. O certo é: "Nada mais prazeroso (sem o "i"!)...
Gratos a todos pela colaboração.

Por hoje, é só.

Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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