17/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 16/03/2010 às 20:31:05
Patético
Requião abriu a “escolinha” insana de ontem contando um sonho que teve: “Sonhei que montava um cavalo e que estava vestido como Dom Pedro. Estranhamente, neste sonho, eu podia me ver. Como se estivesse fora dele. Assim como o imperador, eu dizia: se é para felicidade do povo e para o bem geral da nação, digam ao povo que fico!” Apesar do sonho, o governador deixa o cargo no próximo dia 31 para disputar cadeira no Senado. Não pode ficar sem um mandato que lhe dê imunidade e que lhe estenda a sinecura e as mordomias por mais oito anos. Requião poderia ter dito que sonhou que era Napoleão, como fazem os loucos de hospício nas peças de humor. Não surpreenderia ninguém, nem mesmo se fosse sonho verdadeiro, pois dele tudo se pode esperar depois das demonstrações que deu sobre a sua saúde mental nos últimos sete anos em que esteve no governo desta província. Mas vamos em frente. Requião tem poucos dias para fruir as benesses do Canguiri, da ilha das Cobras, do “Palácio Bolivariano das Araucárias”, da tropa que lhe dá proteção pessoal, do poder de polícia, enfim, de tudo aquilo que ele transformou em benefício pessoal no uso e abuso do cargo de governador. O fim lhe compromete os miolos, diz um de seus auxiliares de estrebaria, que o vê nervoso e insatisfeito a proclamar para os animais de quatro e de duas patas que o servem que depois dele virá o caos. Como todo déspota pouco esclarecido, Requião está convencido de que ninguém está à altura de sucedê-lo no governo do Paraná. Em reuniões mais íntimas, ele inclui nessa o seu vice Orlando Pessuti, que assumirá o posto a partir de abril. Não há nada que possa ser pior do que Requião no poder, com seu obsessivo patrimonialismo que se expressa também no nepotismo mais vergonhoso que já se viu nestas paragens meridionais. Mas não devemos perder a paciência agora. Falta pouco. No final do mês, o homem deixa o governo e volta à realidade com seus sonhos de imperador. Patético.
Extraoficial
Descobriu-se no Paraná um caso análogo ao escândalo dos atos secretos do Senado. Entre 2006 e 2009, mais da metade (56,7%) dos atos oficiais da Assembleia Legislativa paranaense foi editada por baixo da mesa. Em vez de atos secretos, o legislativo local serviu-se de diários extraoficiais. Nos últimos quatro anos, um em cada três atos relacionados à movimentação de pessoal na Assembleia foi publicado nos diários clandestinos.
Morte
O filho do ex-prefeito de Matinhos, Francisco Carlin dos Santos, foi assassinado na madrugada de ontem com um tiro na cabeça enquanto dirigia um carro, na rua Ângelo Sampaio, no bairro Água Verde, em Curitiba. Francisco Carlin dos Santos foi prefeito do município de Matinhos, litoral paranaense, de 1996 ao ano de 2000.
24 horas
Cerca de 2 mil professores estaduais fizeram uma paralisação de 24 horas ontem, no centro de Curitiba. Os docentes pedem um aumento de 25,97% mais a reposição da inflação do último ano (cerca de 4,3%). Os professores paranaenses são os profissionais com curso superior mais mal remunerados no quadro de funcionários estaduais. No Estado, a categoria ganha R$ 1 mil para uma jornada de 40 horas. Hoje, o piso nacional é R$ 1,3 mil.
Propaganda
O PSDB e o PMDB obtiveram na última segunda-feira, na Justiça Eleitoral, a suspensão da propaganda partidária que o Partido dos Trabalhadores vinha exibindo na TV em São Paulo. O PT informou, por meio de nota, que vai recorrer da decisão.
Pós-Requião
A cúpula do PT do Paraná minimizou a ameaça do governador Roberto Requião de levar o PMDB para o palanque do candidato tucano à presidência, José Serra (PSDB). Segundo dirigentes petistas, o partido aposta em retomar as negociações com o PMDB após a renúncia de Requião e a posse do vice-governador, Orlando Pessuti, como governador. Requião deixa o cargo no próximo dia 31, para disputar o Senado.
O DIA DO REQUIÃO
Nem os peemedebistas da caterva de Requião entendem o homem, que parece descontrolado neste período de fim de feira. Ele andou ameaçando abandonar de vez o PT que o elegeu duas vezes para voltar a traí-lo com os tucanos, como fez da última vez, em 2006, quando apoiou Alckmin e no segundo turno teve que pedir arrego para Lula.



















